Opinião
Greve na CP - Mais uma grande vitória dos maquinistas e trabalhadores ferroviários
(do nosso correspondente na CP)
Com uma adesão de 100%, que nem a própria administração conseguiu iludir, decorreu hoje o primeiro de vários dias de greve aos feriados nacionais e municipais durante este mês de Junho, decretado por praticamente todos os sindicatos ferroviários. Inicialmente convocada pelo Sindicato dos Maquinistas (SMAQ) e logo secundada, pelo Sindicato dos Revisores e Comerciais (SFRCI), depois da grande vitória que constituíram as greves de Maio, todos os outros sindicatos se apressaram a apresentar pré-avisos de greve, para não perderem o comboio da luta que se vem desenvolvendo desde Dezembro de 2011, de forma ininterrupta, contra o roubo do salário e do trabalho, contra o desmantelamento do caminho-de-ferro, por condições dignas de trabalho e repouso.
A FECTRANS e o Sindicato dos Ferroviários, depois de tentarem usurpar a direcção desta luta, numa reunião havida a 10 de Maio, e levá-la para um beco sem saída, como seja a sua propalada “unidade na acção” que mais não é que a imposição da sua visão do conflito, tentando impor num dia greves em Lisboa, noutros dias no Porto, noutros ainda para a CP Longo Curso e ainda mais outros para a CP Regional, numa tentativa de quebrar a unidade que começa realmente a existir entre os vários sectores profissionais da empresa, não permitindo, como a greve de hoje veio demonstrar, que todos os trabalhadores possam dar uma resposta clara e inequívoca da sua vontade de lutar e vencer, agindo como um só homem. Aquelas manobras mais não visavam que o entorpecimento da revolta e a sua condução para os desígnios da estratégia da Intersindical que é poder comer algumas migalhas do OE, apresentando reivindicações retrógradas e oportunistas como é o caso do aumento de um mísero euro diário, proposto por Arménio Carlos.
Entretanto o SFRCI também já apresentou pré-aviso de greve até 6 de Julho, para todo o trabalho extraordinário, em dia de descanso semanal, que não conste nas escalas de serviço e superior a 8 horas, para a CP Lisboa.
As condições são agora mais que benéficas para o prosseguimento da luta. Não há que hesitar nem ter tibiezas. Devemos participar nas manifestações de 9 e 16 de Junho, no Porto e em Lisboa respectivamente, com esta determinação, mas para mostrar à Intersindical que a hora é de luta, que não pode nem deve reconduzir-se a uma passeata e que não podemos adormecer porque vem aí um período de férias (o roubo do salário e do trabalho não mete férias). Devemos, isso sim, intensificar a luta e a organização, com vista à realização de uma Greve Geral Nacional, no mais curto espaço de tempo, que imponha o derrube deste governo e a instauração do Governo de Esquerda Democrático Patriótico.
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STCP – Sociedade de Transportes Públicos do Porto - Como se tenta esmagar os mais elementares direitos dos trabalhadores
(do nosso correspondente na STCP)
A situação laboral na STCP espelha bem o que são as actuais práticas dos gestores públicos, a mando do governo, relativamente aos trabalhadores nestas empresas.
1. Em nome da produtividade, a administração, através do DOP, tem testado medidas relativamente aos motoristas que, além de roçarem o absurdo, atropelam todas as normas em vigor, até mesmo as da segurança rodoviária. Foi o que aconteceu na cidade do Porto durante a queima das fitas e voltou agora a suceder no serviço de transporte para o Museu de Serralves. A nosso ver, trata-se de manobras para aos poucos tentarem pôr os motoristas a trabalhar sem horário semanal. É que este tipo de serviço traduz-se num contínuo vai e vem, sem a mínima pausa entre o ponto de partida e o final das carreiras, num período do dia de grande e imprevisível intensidade de trânsito e, para mais, tendo de lidar com um maior afluxo de utentes não habituais que recorrem à compra de bilhetes no autocarro.
Mesmo que paguem como extra o excedente de horas e escolham para o efeito trabalhadores precários, o que a administração está fazer é um verdadeiro caso de polícia, aliciando motoristas a transportar cidadãos quase nove horas seguidas nas condições atrás descritas! Mas o que no fundo está aqui em preparação é criar precedentes se não houver uma firme oposição.
2. A outra manobra é a do golpe no roubo do trabalho e do salário aos motoristas a quem, para além de lhe terem reduzido para 50% o pagamento do trabalho em dia feriado, pretendem ainda que estes trabalhadores transfiram as folgas rotativas para os dias feriados, de forma a que, nos dias normais, não seja necessário recorrer a horas extraordinárias ou que se torne menos evidente a necessidade de contratar novos motoristas. Acresce que com a escolha imposta pela administração dos períodos de férias, esta o faça para não coincidirem com os feriados.
Se não querem ser espezinhados, roubados e vexados, aos motoristas não resta outra alternativa senão lutarem, conscientes que têm muito mais força, se unidos, do que estes patrões públicos julgam.
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Maquinistas da CP prolongam greve ao trabalho extraordinário e em dias feriados por todo o mês de Junho!
(do nosso correspondente e delegado sindical no SMAQ)

1. Contra a perseguição disciplinar dos trabalhadores da Tracção desencadeada pelos Conselhos de Administração da CP EPE/CP Carga SA.
2. Repúdio das políticas de desmantelamento do caminho-de-ferro e anulação dos postos de trabalho;
3. Pelo cumprimento integral dos acordos em vigor, designadamente de 21 de Abril e 09 de Junho de 2011; contra as medidas das Administrações da CP EPE/CP Carga S.A. que visam reduzir os salários dos trabalhadores;
4. Contra as medidas da Administração da CP EPE e CP Carga SA que restringem, abusivamente, o exercício da actividade sindical e o direito à greve;
5. Cumprimento do Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, datado de 16 de Dezembro de 2010, com aplicação a todos os associados do SMAQ da média da retribuição variável devida a cada trabalhador – retribuição de férias e subsídios de férias e Natal;
6. Definição das funções/responsabilidades em “Dupla Tripulação da Tracção” nas cabinas de condução das unidades motoras;
7. Escalas de serviço – aplicação das regras respeitantes à tomada de refeição, entradas e saídas de serviço na sede, afixação dos horários de trabalho diário/semanal, tempos de preparação e resguardo das unidades motoras. Garantia de três fins-de-semana consecutivos, no mínimo, na programação dos descansos em escalas de serviço.
8. Plano de intervenção nas unidades motoras para melhoria das condições de trabalho dos Maquinistas/ligação de cabos eléctricos entre Unidades Motoras, realização e acompanhamento de manobras e estacionamento/resguardo/marchas em vazio;
9. Condições de prestação de trabalho e repouso/alojamento dos Maquinistas, com a realização de auditoria para apuramento de responsabilidades na gestão lesiva dos interesses das Empresas e dos trabalhadores no que respeita à contratualização dos serviços das unidades hoteleiras e dormitórios (quantificação comparativa de custos, duplo registo de utilização de quartos e eventuais utilizações abusivas);
10. Actualização do plano de rescisões dos contratos de trabalho por mútuo acordo, reestruturação dos Centros de Trabalho da Tracção, correspondente efectivo e preenchimento de vagas/transferências;
11. Substituição do actual sistema de processamento de salários da tracção – falta de fiabilidade, credibilidade e transparência.
São estes os 11 pontos reivindicativos que o SMAQ (Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses) se vem batendo, com greves ininterruptas desde 23 de Dezembro de 2011. Contra o desmantelamento do caminho-de-ferro, contra a adulteração das regras da prestação de trabalho, contra a restrição dos direitos sindicais, contra o roubo do salário e do trabalho. Pelo direito a condições de trabalho e repouso condignos.
A presente greve será, a todo o trabalho extraordinário, em dia de trabalho semanal (PB), em dias feriados (PE) e com falta de repouso mínimo. Encontram-se ainda em greve a todo o trabalho que não conste das escalas em vigor, à sua alteração, a todo o trabalho que ultrapasse as 8 horas diárias e ainda a períodos de trabalho que ultrapassem as 5 horas consecutivas.
Esta tem sido uma luta prolongada e em que o braço de ferro entre a Empresa e este Sindicato em particular, se tem vindo a travar de forma dura e difícil, de tal forma que a sua agudização foi necessária, para tentar pender a correlação de forças para o lado dos trabalhadores. Durante este tempo algumas conquistas já foram conseguidas, tais como a implementação de escalas de serviço com 8 horas diárias, ou menos, e tempos de repouso ou para refeição antes da quinta hora consecutiva de trabalho. No exacto momento em que escrevemos esta notícia, tivemos conhecimento de um comunicado da empresa, em que garante os repousos em Faro no estabelecimento previamente contratado, acabando com a bagunça de enviar os trabalhadores para outras unidades hoteleiras, inclusivamente em Olhão, que já anteriormente tinham sido recusadas por falta de condições mínimas para repouso. Apenas a intenção de recusa de repouso nessas circunstâncias bastou, para que a Empresa recuasse. O que só denota que vale a pena lutar e só quem luta consegue alcançar vitórias. Foi o exemplo dos maquinistas que levou durante o mês de Maio, o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), a levar a cabo uma série de greves que culminaram numa retumbante vitória da abnegação e determinação destes trabalhadores em lutar contra o roubo de parte do seu trabalho e do seu salário se efectuado em dia de descanso ou feriado, com a agravante de ser um roubo retroactivo a Janeiro. E no próximo mês de Junho, também estes profissionais estarão em greve aos PB e PE, enfrentando em conjunto a Empresa e a tutela contra estas medidas que visam vergar os trabalhadores e fazer com que sejam estes a pagar a crise para a qual nada contribuíram. São este tipo de determinação e tomadas de posição que devemos ter quando se diz que não temos de pagar uma dívida que não é nossa, nem foi contraída em nosso benefício. NÃO PAGAMOS, deve ser a palavra de ordem central nas presentes lutas, pois todas as imposições da Tróica vão no sentido de nos roubar o que nos é devido pelo trabalho realizado e a melhor maneira de a combater é precisamente não abrir mão desse valor.
Se na CP as greves estão marcadas e a convergência começa a ter lugar, também noutros sectores dos transportes e empresas do Estado há movimentações idênticas. Por isso, cada vez se torna mais, necessário a criação de uma, ou mais, comissões de greve para coordenar, preparar, organizar e levar à prática, as greves e outras formas de luta necessárias que desencadeiem uma greve geral vitoriosa, ou ao derrube do governo PSD/CDS.
Da UGT já nada há esperar neste campo. Desde a assinatura do acordo de traição que aquela central sindical se vendeu por completo à Troica, mas os associados dos sindicatos dessa central, têm todo o direito de aderir e participar activamente nessas comissões. Em sintonia, os sindicatos e federações da Intersindical que sempre trazem os trabalhadores na boca, sempre se mostram tão diligentes para cavalgar as lutas e desviá-las para os seus intentos oportunistas, nada têm dito ou feito sobre o presente movimento grevista. A direcção da luta escapa-se-lhes porque estes não são sindicatos sob a sua alçada. A Fectrans marcou uma concentração de activistas para o Rossio no dia 5, onde apela envergonhadamente a todos “que entenderem trazer para a rua a luta que se desenvolve no interior das empresas”. Não se apela a que venham para a rua demonstrar exactamente esse descontentamento e gritar bem alto que o governo deve ser demitido e o Tróica expulsa do país, não, quem entender, estiver disponível, não tiver mais nada para fazer, dê aqui um saltinho ao Rossio, a gente agita aqui umas bandeiras, faz aqui um fogacho de intenções e vamos mas é todos para casa. O mesmo se passa com a convocação e realização das manifestações de 9 e 16 de Junho, onde cada vez mais se vê a falta de perspectiva desta Central.
Aos trabalhadores, nada mais resta se não lutar, mas de uma forma organizada e com objectivos precisos. Na fase actual, a luta contra o roubo do salário e do trabalho, tendo em vista o não pagamento de uma dívida imposta e ilegítima, que não foi contraída por nós, nem em nosso benefício, pelo derrube do Governo fascista do PSD/CDS e a instauração de um Governo Democrático Patriótico, cuja primeira medida seja a expulsão da Tróica, deve ser a espinal medula de todas as lutas.
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Trabalhadores da EDA, nos Açores, em luta contra o roubo do salário!
(Do nosso correspondente em S. Miguel)
Os trabalhadores da EDA, Empresa de Electricidade dos Açores, estão desde 15 de Abril numa importante luta contra o roubo dos salários cometido pelo governo na função pública, nas empresas públicas e nas empresas privadas.
Os trabalhadores decidiram prolongar a sua luta até 18 de Junho, prosseguindo assim a greve ao trabalho suplementar e às deslocações.
Segundo o Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI), os trabalhadores exigem um regime diferenciado idêntico ao regime especial acordado para a empresa de transporte aéreo da região, a SATA.
Tal reivindicação é justa, mas não devem os trabalhadores da EDA isolar-se da luta dos restantes trabalhadores contra a política do governo PSD/CDS, um governo de traição aos trabalhadores portugueses e ao país, um governo que não afrouxa a sanha de destruição e alienação de recursos e de saque desbragado sobre aqueles que apenas vivem da sua força de trabalho e a quem pretendem obrigar a pagar uma dívida que os trabalhadores não contraíram e que vai engrossando à medida que aumenta a miséria do povo.
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Terminou por agora e com sucesso a greve dos revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP (suburbanos de Lisboa)
(do nosso correspondente na CP)
Terminou por agora a Greve que os ORV e OVC da CP da região de Lisboa têm vindo a travar há três dias. A grande adesão a esta greve, que se situou quase sempre nos 100%, mostra bem a determinação e vontade de lutar destes profissionais, contra as prepotências, o roubo do salário e do trabalho que a tutela e o C.G. tentam levar a cabo. E o roubo aqui até é retroactivo, pois pretendem retirar o que já foi ganho e trabalhado em dias de descanso e feriados desde o princípio do ano. Estes três últimos dias vieram também demonstrar que há direcções sindicais que se põem completamente à parte da defesa dos trabalhadores que supostamente deveriam defender. Mas os trabalhadores associados destes sindicatos oportunistas, souberam dar uma resposta inequívoca, participando também na greve. Na linha do Sado houve Revisores associados do Sindicato dos Ferroviários que apesar de se apresentarem ao serviço, não faziam a revisão.
A intransigência do C.G. e da tutela, que se mostram sempre tão preocupados com os prejuízos das greves, não se mostram no entanto interessados em resolver este conflito preferindo mantê-lo a todo o custo com o objectivo único de humilhar e fazer vergar os trabalhadores e fazer recuar todas as conquistas aos tempos do fascismo. Na continuação deste processo de luta, o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), já apresentou um novo pré-aviso de greve para os feriados de Junho.
Como não nos cansamos de dizer, a luta dos ORV e OVC deve unir-se à dos outros trabalhadores ferroviários, do sector do transportes, dos trabalhadores do sector empresarial do Estado e de todos os trabalhadores Portugueses pelo derrube do governo PSD/CDS e a instauração do Governo Democrático Patriótico.
Revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP (suburbanos de Lisboa) renovam com sucesso o seu segundo dia de greve!
Revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP (suburbanos de Lisboa) cumprem primeiro dia de greve com sucesso!
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Revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP (suburbanos de Lisboa) renovam com sucesso o seu segundo dia de greve!
(do nosso correspondente na CP)
Ao segundo dia de Greve decretado pelo SFRCI, manteve-se a determinação e vigor demonstrados ontem, com a manutenção da adesão nos 95%, engrossada agora com a participação na greve de outros trabalhadores não associados deste sindicato, mas que viram ser este o caminho a seguir para a luta contra o roubo do seu salário e do seu trabalho. Também a recusa de outros trabalhadores, como os Assistentes Comerciais, que ontem foram mandados substituir os Revisores, levou a que o número de comboios efectuados fosse hoje, bastante inferior. Dos primeiros 27, apenas 3 conseguiram circular e pelas 14.00 horas a percentagem de comboios efectuados era apenas de 11%, valor que se manteve ao longo do dia. Pelas 19.00 o cenário era que a linha do Sado estava completamente parada, a linha de Sintra tinha dois comboios a circular, a ligação entre a Azambuja e Alcântara tinha um comboio em circulação e a ligação entre Castanheira do Ribatejo e Santa Apolónia estava parada.
Este é o caminho a seguir na actual fase da luta, apelar a que os outros companheiros, mesmo que não filiados naquele sindicato, participem no último dia e nas jornadas que se seguem, demonstrando uma vontade inabalável contra as medidas despóticas deste governo e a necessidade do seu derrube. Como as direcções oportunistas, com a Fectrans e o Sindicato dos Ferroviários à cabeça, nada dizem e nada fazem, é bom que os ferroviários, sócios destes sindicatos, comecem a ver quais os caminhos a seguir para os grandes embates que se avizinham. Ou elegem Direcções de homens e mulheres de combate para esses sindicatos, ou caso isso se torne impossível, por estarem de tal maneira controlados por esses “dirigentes” que o melhor é formarem outros sindicatos novos que tenham como objectivo a defesa intransigente de quem trabalha.
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Revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP (suburbanos de Lisboa) cumprem primeiro dia de greve com sucesso!
(do nosso correspondente na CP)
O primeiro dia de Greve dos Operadores de Revisão e Venda (ORV) e Operadores de Venda e Controlo (OVC) da CP, nas linhas suburbanas da zona de Lisboa decorreu, como previsto, com uma forte adesão. Segundo dados do Sindicato SFRCI, esta adesão foi próxima dos 95%. A revolta e vontade de lutar foram aqui bem demonstradas com esta forte adesão que apesar das patranhas da porta-voz de serviço da CP, Ana Portela, não podem ser escamoteadas. Ela própria teve de admitir que a adesão se cifrou nos 52%, o que significaria, mesmo que assim fosse, que mais de metade daqueles trabalhadores repudiava os ataques ao A.E., às conquistas alcançadas, ao roubo do salário e do trabalho e que estão dispostos a lutar e a vencer. A fórmula para chegar a este valor, foi achá-la no número de comboios que efectivamente circulou, sendo que muitos deles foram acompanhados não pelo respectivo Revisor, mas por outros trabalhadores não afectos à circulação, e como tal não habilitados a acompanhamento de comboios, tais como Manobradores e outros, o que pôs em causa a segurança dos passageiros, facto que a CP não desconhece, mas que prefere ignorar a troco de tentar ludibriar e desmobilizar a luta que estes trabalhadores travam. Prova disto é que uma passageira desmaiou num comboio e não foi devidamente socorrida. Também os outros trabalhadores devem tomar posição de recusa a acompanhar comboios que manifestamente seja para furar a greve dos Revisores.
Nos dois dias que ainda restam de Greve, os ORV e OVC, devem continuar a demonstrar a sua determinação e mobilização para levar de vencida este ataque torpe à sua dignidade profissional. O passo seguinte, e que este Sindicato também já referiu, deve ser o da recusa ao trabalho em dia de descanso semanal e feriados, aliando-se ao Sindicato dos Maquinistas que já apresentou um pré-aviso de greve, para todo o mês de Junho, para continuação da greve que vêm travando desde Dezembro, mas agora com a agravante da recusa, precisamente, ao trabalho em dia de descanso e aos feriados. Todos os outros trabalhadores da CP devem exigir aos seus sindicatos que tomem parte nesta luta, pois o que está em jogo não diz só respeito a estes trabalhadores, mas a todos do grupo CP e mesmo aos de outras empresas do sector do Estado.
Este caudal deve engrossar e tornar-se numa luta mais geral e apontar para o derrube do governo PSD/CDS, a instauração de um Governo Democrático Patriótico, que deverá tomar como primeira medida a recusa do pagamento de uma dívida injusta, ilegal e ilegítima. Só assim a luta será consequente.
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A luta dos trabalhadores da Valadares – manter a vigilância e a unidade!
(do nosso correspondente em Vila Nova de Gaia)
Os trabalhadores da empresa Valadares assumiram desde o início da sua luta contra os salários em atraso e as manobras da administração uma firmeza e combatividade que constituíram um exemplo para os restantes trabalhadores, designadamente, quando decidiram paralisar o trabalho sem qualquer pré-aviso, impedindo a entrada e saída da fábrica.
Após avanços e recuos, mas sempre persistindo nos seus objectivos de não aceitar que lhes roubassem o salário, os trabalhadores da Valadares acabaram recentemente de aceitar, em plenário, a aplicação, para a maioria deles, do regime temporário de suspensão dos contratos, com o recebimento de 70% do salário, sem contudo prescindirem dos que se achavam em atraso.
Não representando, obviamente, a concretização dos seus objectivos, os trabalhadores têm de encarar esta nova situação como transitória e não baixarem os braços, mantendo-se unidos, vigilantes e organizados para, a qualquer momento, retomarem os seus postos de combate, conscientes de que contarão com a solidariedade dos restantes trabalhadores e que têm um importante contributo a dar à intensificação da luta do movimento operário e democrático pelo não pagamento da dívida e formação de um governo democrático patriótico.
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Motoristas e trabalhadores da STCP – prossegue a greve aos feriados e horas extraordinárias
(do nosso correspondente no Porto)
Postergando o estabelecido no AE de forma totalmente despótica, em consonância aliás com o governo de traição nacional PSD/CDS, a administração da STCP não só decidiu pagar o trabalho normal em dia feriado a preço simples acrescido de apenas 50% – sem dia de descanso compensatório – e reduzir a retribuição das horas extraordinárias, como veio assumi-lo provocatoriamente, invocando pareceres da ACT, o que não surpreende.
Tudo isto, com vista a desmobilizar e neutralizar a greve às horas extraordinárias e dias feriados iniciada neste mês de Maio e de que demos já conta neste jornal.
Importa salientar que, no sector dos transportes, só a administração da STCP pretende levar por diante o roubo do trabalho e do salário nos dias feriados, tendo os trabalhadores das restantes empresas feito recuar as respectivas administrações nesse intento.
Por outro lado, a CT da STCP denunciou, em comunicado, que a actual administração viu o seu mandato terminado no passado dia 31 de Dezembro de 2011 e tem adoptado uma gestão danosa relativamente à empresa.
Os trabalhadores da STCP deram já provas de combatividade em lutas passadas, mas têm de estar alerta contra manobras de divisionismo e, em particular, as que pretendem aproveitar-se das suas dificuldades económicas, da única responsabilidade dos agentes do governo na administração.
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Revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP em greve contra o roubo do salário e do trabalho!
(Do nosso correspondente na CP)
O Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, que representa os revisores e pessoal das bilheteiras da CP, convocou greves de vinte e quatro horas para os dias 14, 15 e 16, nos comboios suburbanos do Porto, 19, 20 e 21 no longo curso e serviços regionais e ainda 23, 24 e 25 de Maio nos suburbanos de Lisboa. A recente comunicação da administração da CP, de reduzir os valores pecuniários a pagar, pelo tempo de trabalho extraordinário ou em dia feriado, despoletou, para já nestes profissionais, esta forma de luta. Outras seguramente se seguirão. Aquela redução visa embaratecer de tal maneira o trabalho prestado em dia feriado ou de folga, e todo o trabalho suplementar que estes trabalhadores quase terão de pagar do seu bolso para irem trabalhar naqueles dias. Dias esses e horas que a empresa usa de forma indiscriminada quando precisa e depois compensa quando não tem necessidade do trabalhador, sendo que neste caso nada mais lhe vai pagar, além do dia normal. Obriga-o a trabalhar num feriado ou dia de descanso, quando a família está em casa e depois obriga-o a ficar em casa num outro qualquer dia, quando a família foi trabalhar.
O presidente do Sindicato aponta para uma paralisação de 100%, tal o descontentamento que grassa no seio destes trabalhadores, por mais este roubo descarado. A vontade e determinação vão para além destes nove dias, pois este dirigente sindical já avisou que se depois desta greve não forem repostos os valores que foram acordados e constam do A.E, a luta prosseguirá em Junho.
O actual ataque ao salário dos trabalhadores da CP, nomeadamente aos itinerantes, foi já ensaiado o ano passado, aquando da tentativa de implementação nesta empresa dos Regulamentos da Função Pública, e foi rechaçado pelas lutas que então foram travadas. Da unidade de todos os trabalhadores da CP, de certeza que a resposta destes será igualmente firme e novas conquistas poderão ser alcançadas.
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Acidente de comboios em Caxias (linha de Cascais) - Da administração, a manobra do costume – atirar as culpas para o trabalhador
(do nosso correspondente na CP)
Ocorreu ontem, pelas 14.00 horas, mais uma colisão de comboios da qual resultaram 33 feridos. Desde já endereçamos a todas as vítimas, e em especial ao nosso Colega, o desejo de rápido e completo restabelecimento.
Este acidente traz mais uma vez à discussão a segurança, ou a falta dela, que ainda vai grassando em certas zonas do país. Em quase todo o país foi instalado um sistema de controlo de velocidades, o CONVEL, por exigência dos Maquinistas. No entanto, devido às medidas economicistas dos sucessivos governos, há zonas da rede ferroviária nacional onde ainda não funciona este sistema, como é o caso da Linha de Cascais, onde está instalado um sistema, muito antigo, por magnetos, que faz o controlo de passagem aos sinais e controla a velocidade posterior. Um e outro não são dos mais avançados, mas permitem alguma segurança das circulações, até ao momento em que tudo continua a ser deixado ao controlo humano, neste caso o Maquinista, quando é forçado a circular em marcha à vista. Em vez de informação contínua, apenas tem informação pontual.
No caso de Caxias, só não se deu uma tragédia com maiores repercussões porque este sistema terá em parte funcionado e, por isso, a colisão se ter dado a baixa velocidade, provavelmente a menos de 20km/h - daí “apenas “os 33 feridos. Na zona de colisão entre os dois comboios, era visível a quebra de um dos engates, o que denota a baixa velocidade, mas ao mesmo tempo o grau de resistência ao choque que este não tinha. É por isso que não se estranha a rapidez com que foi retirado o material da zona da colisão, uma vez que têm de ser feitas algumas peritagens ao material no local, além de que na CP esta rapidez não é normal, pois para se fazer qualquer coisa é sempre uma burocracia enorme, comunicações duplicadas para responsáveis que nunca se sabe quem são: quem manda não está e quem está não manda. Sabe-se que este material, apesar de ter sido intervencionado há relativamente pouco tempo, é muito antigo, desactualizado e com pouca manutenção. Na oficina de Campolide estão “encostadas” 5 ou 6 unidades destas à espera de melhores dias.
Em declarações à SIC o Eng. Castanho Ribeiro, da REFER, referiu que “reconhece que poderá ter havido problemas de comunicação”, o que pode indiciar que as comunicações rádio-solo-comboio não funcionaram, como também é hábito e naquela zona específica com pouca rede. O novo sistema GSM-R, que já deveria estar a funcionar há algum tempo, ainda só está instalado numa unidade motora.
Das comissões de inquérito que entretanto foram criadas, quase já podemos adivinhar qual vai ser o resultado: falha humana. Por mais que os Maquinistas se batam para que as intervenções e manutenções no material sejam feitas atempadamente, escrevendo diariamente nos Diários Técnicos de Bordo as várias anomalias que vão encontrando, não é raro aquelas unidades motoras irem à oficina, mas depois como são sempre necessárias para o serviço comercial, nunca chegam a estar lá o tempo necessário para a sua reparação efectiva e voltam à linha com os mesmo problemas. Problemas de freio, de aderência e outros são comuns nestas motoras, numa linha que tem uma das maiores frequências do país e a segunda que mais passageiros transporta por dia.
As responsabilidades deste acidente devem ser assacadas às várias Administrações, e Governos que as tutelaram, e sempre deixaram degradar, não só o material circulante como toda a infra-estrutura ferroviária.
Novo pré-aviso de greve até 31 de Maio – A luta dos maquinistas da CP continua!
(do nosso correspondente na CP)
Foi entregue mais um pré-aviso de greve, este até 31 de Maio, para prosseguimento da luta que os Maquinistas dos Caminhos-de-Ferro vêm travando desde fins de Dezembro. Este subsector, dentro do combativo sector dos transportes, tem vindo desde aquela data a demonstrar a sua combatividade e ao mesmo tempo a provar que é possível travar batalhas longas, sem desmobilização ou desfalecimentos das suas fileiras, desde que os princípios sejam justos e a unidade forjada em objectivos correctos. Subsistem divergências entre nós, mas essas são, no momento e nas condições actuais da luta, facilmente ultrapassáveis, porque mais forte é aquilo que nos une.
Face às constantes recusas de diálogo por parte da empresa, há que continuar a luta pelo tempo que for necessário, com objectivos claros e precisos, não vacilando em qualquer momento e agudizando-a à medida que se for prolongando no tempo. Este tipo de luta, que já não é novo para nós, é aquele que, na presente situação, nos pode dar maiores garantias de triunfo. Tal como em 1994, quando estivemos 10 meses em luta e conseguimos uma série de vitórias como a atribuição de tempos de refeição, o fim dos repousos consecutivos fora da sede, a semana das 40 horas, etc., devemos agora prosseguir sem hesitações.
No braço de ferro que a empresa tenta travar connosco, já conseguimos que vacilasse em alguns pontos. Assim, em quase todos os Depósitos foram elaboradas novas escalas que contemplam como máximo as 8 horas diárias de trabalho e o respeito dos intervalos depois de 5 horas consecutivas de trabalho. No entanto, não podemos adormecer só porque conseguimos que a organização do trabalho passasse a ser menos penalizante. Não, isso deve dar-nos ânimo para os outros objectivos que ainda estão distantes e para novos patamares de luta, para além dos que agora travamos.
Se o fim das perseguições e dos processos arbitrários, o desmantelamento das linhas e fim de circulações que deixam populações completamente isoladas, a melhoria do serviço prestado e com horários condignos, o cumprimento integral dos acordos em vigor, designadamente de 21 de Abril e 09 de Junho de 2011, as medidas das Administrações da CP EPE/CP Carga S.A. que visam restringir o exercício da actividade sindical e o direito à greve, o cumprimento do Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, datado de 16 de Dezembro de 2010, que impõe que a CP pague parte do subsídio de férias e de Natal que foi roubado desde 1996, se tudo isto são reivindicações mais imediatas, há outras que devemos exigir, e que no fundo são a causa destas, como o derrubamento do Governo fascista do PSD/CDS e a instauração de um Governo Democrático Patriótico que aplique as medidas económicas e de organização do trabalho que visem o pleno desenvolvimento do País, começando por recusar pagar uma dívida que não é nossa, nem foi contraída para nosso benefício, expulsando a Tróica de Portugal.
Na fase actual da luta, é justo que continuemos com greves que vão “moendo” a paciência à burguesia e não nos tragam grandes inconvenientes, mas temos de preparar e nos preparar para outros combates, mais aguerridos e duros e em que a consciência do que está em jogo e de qual o nosso papel como trabalhadores no seio do movimento sindical e operário, tem de estar à altura de sabermos responder a esse novos desafios, para podermos estar como até aqui, sempre na crista da onda.
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