PAÍS
Acidente de comboios em Caxias (linha de Cascais) - Da administração, a manobra do costume – atirar as culpas para o trabalhador
- Publicado em 04.05.2012
(do nosso correspondente na CP)
Ocorreu ontem, pelas 14.00 horas, mais uma colisão de comboios da qual resultaram 33 feridos. Desde já endereçamos a todas as vítimas, e em especial ao nosso Colega, o desejo de rápido e completo restabelecimento.
Este acidente traz mais uma vez à discussão a segurança, ou a falta dela, que ainda vai grassando em certas zonas do país. Em quase todo o país foi instalado um sistema de controlo de velocidades, o CONVEL, por exigência dos Maquinistas. No entanto, devido às medidas economicistas dos sucessivos governos, há zonas da rede ferroviária nacional onde ainda não funciona este sistema, como é o caso da Linha de Cascais, onde está instalado um sistema, muito antigo, por magnetos, que faz o controlo de passagem aos sinais e controla a velocidade posterior. Um e outro não são dos mais avançados, mas permitem alguma segurança das circulações, até ao momento em que tudo continua a ser deixado ao controlo humano, neste caso o Maquinista, quando é forçado a circular em marcha à vista. Em vez de informação contínua, apenas tem informação pontual.
No caso de Caxias, só não se deu uma tragédia com maiores repercussões porque este sistema terá em parte funcionado e, por isso, a colisão se ter dado a baixa velocidade, provavelmente a menos de 20km/h - daí “apenas “os 33 feridos. Na zona de colisão entre os dois comboios, era visível a quebra de um dos engates, o que denota a baixa velocidade, mas ao mesmo tempo o grau de resistência ao choque que este não tinha. É por isso que não se estranha a rapidez com que foi retirado o material da zona da colisão, uma vez que têm de ser feitas algumas peritagens ao material no local, além de que na CP esta rapidez não é normal, pois para se fazer qualquer coisa é sempre uma burocracia enorme, comunicações duplicadas para responsáveis que nunca se sabe quem são: quem manda não está e quem está não manda. Sabe-se que este material, apesar de ter sido intervencionado há relativamente pouco tempo, é muito antigo, desactualizado e com pouca manutenção. Na oficina de Campolide estão “encostadas” 5 ou 6 unidades destas à espera de melhores dias.
Em declarações à SIC o Eng. Castanho Ribeiro, da REFER, referiu que “reconhece que poderá ter havido problemas de comunicação”, o que pode indiciar que as comunicações rádio-solo-comboio não funcionaram, como também é hábito e naquela zona específica com pouca rede. O novo sistema GSM-R, que já deveria estar a funcionar há algum tempo, ainda só está instalado numa unidade motora.
Das comissões de inquérito que entretanto foram criadas, quase já podemos adivinhar qual vai ser o resultado: falha humana. Por mais que os Maquinistas se batam para que as intervenções e manutenções no material sejam feitas atempadamente, escrevendo diariamente nos Diários Técnicos de Bordo as várias anomalias que vão encontrando, não é raro aquelas unidades motoras irem à oficina, mas depois como são sempre necessárias para o serviço comercial, nunca chegam a estar lá o tempo necessário para a sua reparação efectiva e voltam à linha com os mesmo problemas. Problemas de freio, de aderência e outros são comuns nestas motoras, numa linha que tem uma das maiores frequências do país e a segunda que mais passageiros transporta por dia.
As responsabilidades deste acidente devem ser assacadas às várias Administrações, e Governos que as tutelaram, e sempre deixaram degradar, não só o material circulante como toda a infra-estrutura ferroviária.
Novo pré-aviso de greve até 31 de Maio – A luta dos maquinistas da CP continua!
- Publicado em 03.05.2012
(do nosso correspondente na CP)
Foi entregue mais um pré-aviso de greve, este até 31 de Maio, para prosseguimento da luta que os Maquinistas dos Caminhos-de-Ferro vêm travando desde fins de Dezembro. Este subsector, dentro do combativo sector dos transportes, tem vindo desde aquela data a demonstrar a sua combatividade e ao mesmo tempo a provar que é possível travar batalhas longas, sem desmobilização ou desfalecimentos das suas fileiras, desde que os princípios sejam justos e a unidade forjada em objectivos correctos. Subsistem divergências entre nós, mas essas são, no momento e nas condições actuais da luta, facilmente ultrapassáveis, porque mais forte é aquilo que nos une.
Face às constantes recusas de diálogo por parte da empresa, há que continuar a luta pelo tempo que for necessário, com objectivos claros e precisos, não vacilando em qualquer momento e agudizando-a à medida que se for prolongando no tempo. Este tipo de luta, que já não é novo para nós, é aquele que, na presente situação, nos pode dar maiores garantias de triunfo. Tal como em 1994, quando estivemos 10 meses em luta e conseguimos uma série de vitórias como a atribuição de tempos de refeição, o fim dos repousos consecutivos fora da sede, a semana das 40 horas, etc., devemos agora prosseguir sem hesitações.
No braço de ferro que a empresa tenta travar connosco, já conseguimos que vacilasse em alguns pontos. Assim, em quase todos os Depósitos foram elaboradas novas escalas que contemplam como máximo as 8 horas diárias de trabalho e o respeito dos intervalos depois de 5 horas consecutivas de trabalho. No entanto, não podemos adormecer só porque conseguimos que a organização do trabalho passasse a ser menos penalizante. Não, isso deve dar-nos ânimo para os outros objectivos que ainda estão distantes e para novos patamares de luta, para além dos que agora travamos.
Se o fim das perseguições e dos processos arbitrários, o desmantelamento das linhas e fim de circulações que deixam populações completamente isoladas, a melhoria do serviço prestado e com horários condignos, o cumprimento integral dos acordos em vigor, designadamente de 21 de Abril e 09 de Junho de 2011, as medidas das Administrações da CP EPE/CP Carga S.A. que visam restringir o exercício da actividade sindical e o direito à greve, o cumprimento do Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, datado de 16 de Dezembro de 2010, que impõe que a CP pague parte do subsídio de férias e de Natal que foi roubado desde 1996, se tudo isto são reivindicações mais imediatas, há outras que devemos exigir, e que no fundo são a causa destas, como o derrubamento do Governo fascista do PSD/CDS e a instauração de um Governo Democrático Patriótico que aplique as medidas económicas e de organização do trabalho que visem o pleno desenvolvimento do País, começando por recusar pagar uma dívida que não é nossa, nem foi contraída para nosso benefício, expulsando a Tróica de Portugal.
Na fase actual da luta, é justo que continuemos com greves que vão “moendo” a paciência à burguesia e não nos tragam grandes inconvenientes, mas temos de preparar e nos preparar para outros combates, mais aguerridos e duros e em que a consciência do que está em jogo e de qual o nosso papel como trabalhadores no seio do movimento sindical e operário, tem de estar à altura de sabermos responder a esse novos desafios, para podermos estar como até aqui, sempre na crista da onda.
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A Justa Luta pela reocupação da Es.Coli.nha!
- Publicado em 25.04.2012
(do nosso correspondente do Porto)
Qualquer projecto que mereça o apoio do povo e de quem trabalha é imediatamente alvo do mais profundo dos ódios e da repressão por parte do poder que está ao serviço dos grandes interesses da especulação imobiliária e dos interesses dos grandes grupos financeiros e bancários, da burguesia em geral.
É o caso do projecto Es.Col.A que mereceu, desde o início, o acolhimento e o carinho por parte dos trabalhadores e do povo que habitam o Bairro da Fontinha, na cidade do Porto, sobretudo porque se tratava da ocupação de um edifício que estava abandonado há mais de cinco anos, sem que dele se retirasse qualquer proveito para os moradores do bairro, ao mesmo tempo que concitava o mais profundo dos ódios de Rui Rio e da Câmara Municipal do Porto, que dirige.
Também ele adepto do princípio custe o que custar de Passos Coelho, determinou no passado dia 19 de Abril, e para tal instruiu a PSP e a Polícia de Choque, a mesma que agora tem instruções para aplicar a tolerância zero a toda e qualquer iniciativa popular que fuja ao status quo a que estão habituados quando lidam com a chamada esquerda responsável (nomeadamente a esquerda parlamentar), o cerco do Bairro da Fontinha, a expulsão dos activistas que desenvolviam trabalho voluntário na Es.Col.A, transformando um espaço criminosamente abandonado pela CMP, num espaço de cultura e pedagogia para os filhos dos trabalhadores e do povo do bairro.
Hoje, dia 25 de Abril, pelas 17 horas, milhares de pessoas, em solidariedade com os moradores do Bairro da Fontinha, iniciaram, junto à Câmara do Porto, a marcha que levou à reocupação do espaço Es.Col.A, desalojado violentamente por polícias e bombeiros (estes sem saberem ao que iam), na Quinta-feira passada, a mando do autocrático presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio.
A polícia desta vez não estava presente, apesar das sonantes ameaças de tolerância zero já referidas. Ou melhor, não esteve presente no Bairro da Fontinha, mas esteve presente durante o percurso. Segundo vários elementos do povo que assistiram ao momento da carga policial do passado dia 19, pelo menos quatro carrinhas estiveram de prevenção.
Para já, não chegaram a intervir e terão recolhido ao quartel. Mas, não há que alimentar ilusões. Rui Rio pode ter recolhido momentaneamente as garras, mas elas estão afiadas e prontas a saltar sobre a sua presa na primeira oportunidade.
Só uma resposta existe para o povo do Bairro da Fontinha e para o projecto Es.Col.A, só uma saída lhes assegurará a vitória: Ousar Lutar! Ousar Vencer! Os trabalhadores e o povo dos bairros populares do Porto, os activistas da Es.Col.A, devem unir-se, organizar-se, reocupar o espaço de onde foram expulsos, como agora fizeram, as vezes que forem necessárias, ligando essa luta à luta mais geral dos trabalhadores e do povo para derrubar o governo de traição Coelho/Portas e o executivo e presidente da CMP, Eng.º Rui Rio.
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