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Os 50 anos do 25 de Abril

Arnaldo Matos

A SITUAÇÃO POLÍTICA ACTUAL E AS NOSSAS TAREFAS
(3.ª Parte)

Informe à conferência de Jales

Quais são os factores determinantes da presente crise?
Em primeiro lugar, a política anti-popular dos governos de coligação, onde tem pontificado a influência e supremacia do partido revisionista. Todas as camadas do povo se levantaram já contra essa política reacionária, feita sempre em nome da “revolução”.
Em segundo lugar, o ataque, inspirado e dirigido pelos social-fascistas, contra o nosso Partido, no dia 28 de Maio passado. Toda a contra-revolução se sentiu encorajada a levantar a cabeça e a ser arrogante e insolente. A contra-revolução, no seu conjunto, apercebeu-se de que as fileiras do povo tinham sido rompidas num ponto nevrálgico, que era o nosso Partido.
Em terceiro lugar, a nova amplitude assumida pelas guerras neo-coloniais em Angola e em Timor. De certa maneira, os destinos da revolução portuguesa jogam-se em Angola, mas num sentido diferente daquele que fascistas e social-fascistas sempre gostam de ameaçar. De facto, a revolução portuguesa poderá enterrar-se em Angola se os soldados armados, que começam a colocar-se ao lado do povo, embarcarem para África. Porém, a continuação dos embarques e novas aventuras coloniais poderão, em certos termos, enterrar em África a contra-revolução portuguesa.
 Em quarto lugar, a saída do Partido dito Socialista e do Partido dito Popular Democrático sucessivamente do governo. A saída destes partidos da coligação mostra que a grande burguesia pretendia sacudir a água do capote enquanto não fosse tarde demais, a fim de conservar neles o seu cabedal político intacto e poder fazê-los regressar, mais tarde, em força ou apoiados na força dos generais e suas baionetas.
Em quinto lugar, a crise militar com a clarificação das três principais linhas de força actualmente existentes no seio dos oficiais das forças armadas.
Tais são os factores externos da crise. Porque a causa profunda e principal de toda a crise assenta na bancarrota económica iminente e na falência política dos partidos burgueses e pequeno-burgueses para a resolver.

A presente crise, que se vem a prolongar por cerca de dois meses, revela a existência duma situação de equilíbrio instável entre a revolução e a contra-revolução: este equilíbrio relativo, existe também no seio da contra-revolução, entre o imperialismo, dum lado, e o social-imperialismo, do outro.
O conteúdo de classe deste equilíbrio precário está em que a pequena burguesia, que constitui a maioria da população do país, oscila ainda entre a revolução e a contra-revolução e a parte dela que pende para a contra-revolução oscila agora entre o imperialismo e o social-imperialismo, ou, dito doutro modo, entre um sector e outro sector da grande burguesia. Ou , dito ainda doutro modo, entre a V.ª Divisão e os quatro generais.
Das duas classes fundamentais da sociedade portuguesa actual, qual delas se orienta no sentido da conquista do Poder? Sem dúvida que é o proletariado. Porém nenhuma classe reacionária abandona de bom grado o seu lugar na história. O combate entre a revolução e a contra-revolução vai inevitavelmente ser violento.

Que perspectivas se abrem à nossa classe, numa situação como esta?
A resposta a esta questão implica o exame dos pontos fracos na frente da revolução. Porque, à esquerda do nosso Partido não existe ninguém e à nossa direita todas as forças ameaçam unir-se e começam mesmo a operar já a sua junção.
Os nossos pontos fracos são os seguintes:
Primeiro: A força essencial e dirigente da revolução, o proletariado, não está unido e coeso sob uma direcção política e ideológica única, marxista-leninista-maoista.
Segundo: Em consequência, a classe operária não age ainda como um todo orgânico, verificando-se hiatos e desfasamentos entre o seu sector de vanguarda, minoritário, e o da grande maioria das massas, relativamente recuado.
Terceiro: O movimento camponês não operou ainda a sua junção com o movimento operário e a aliança operário-camponesa está enfraquecida por anos e anos de traição revisionista e oportunista.
Quarto: A classe operária e os camponeses não têm armas e a junção com os soldados e marinheiros revolucionários, seu braço armado imediato, tem revelado altos e baixos, avanços e recuos.
Quinto: O povo precisa de erguer os seus órgãos de mobilização e de luta, que se deverão converter em órgãos do Poder político. Este trabalho está relativamente atrasado.

Os comunistas, o nosso Partido, podem lutar e vencer estas dificuldades? Nós estamos firmemente persuadidos que sim. Desde que ousemos avançar a todo o vapor, também a revolução avançará à mesma velocidade.
A revolução não envia convites antes de chegar. A revolução mete as pernas ao caminho porque é impelida por leis objectivas, as leis da luta de classes. Frequentemente na história, os revolucionários não podem escolher o momento da revolução. Os revolucionários, cientes disso, devem preparar-se e estar preparados. Preparados para amanhã, não para o futuro longínquo.
Toda a contra-revolução prepara a sua junção numa frente única. A revolução deve erguer a sua Frente Única Democrática Popular. Será um crime que a história jamais nos perdoará se, face a essa união da direita, a esquerda democrática, revolucionária, comunista não construir a sua unidade de aço.
Os órgãos de vontade popular encerram potencialidades de se constituírem em órgãos dessa Frente Única Democrática Popular. O trabalho já começou.
O nosso Partido tem uma bandeira – a bandeira vermelha. Tem uma linha – a linha vermelha. Ele poderá vencer todos os obstáculos.

VIVA O PARTIDO!

VIVA A FRENTE ÚNICA DEMOCRATICA E POPULAR!

VIVA O GOVERNO POPULAR!

VIVA O EXÉRCITO POPULAR!

Jales, 13 de Setembro de 1975

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