TESES PARA UMA RESPOSTA AO MEU AMIGO FCR
- Publicado em 08.08.2014
1 – Também eu concordo com a necessidade de aprofundar o assunto, mas, por agora, não poderei ir mais longe.
2 – A exposição actual do Deutsche Bank não é um favor prestado aos exposicionados, mas a forma imperialista - do capitalismo financeiro, se preferir – de os controlar.
Faço-lhe notar que a exposição actual do Deutsche Bank aos produtos derivados é proporcional à exposição do mesmo banco nas vésperas do começo da segunda guerra mundial.
3 – A história do cão, por cuja condenação à morte muitas pessoas se revoltaram mais do que pelos homens e mulheres condenados à fome e ao desemprego, não é uma história do cão, mas a história dos políticos abaixo de cão, como os louçãzinhos de pacotilha da nossa praça, os quais sempre mais se preocuparam com a sorte dos cães do que com a sorte dos homens.
4 – Também eu gosto de algumas coisas de Corm, Paugam e Naomi Klein, mas não aprecio o fundo deles. Uma economia solidária e humana será totalmente impossível enquanto houver classes. Enquanto houver classes, a economia será sempre uma economia de luta de classes. Só o comunismo, pondo termo à exploração e às classes, construirá uma economia social e humana.
5 - É totalmente impossível recuperarmos a nossa competitividade no quadro do euro e da UEM, pois esse quadro foi gizado precisamente para liquidar a nossa competitividade.
6 – Comungo das suas ideias sobre os bancos alimentares, mas não o acompanho no ponto em que os considera “uma ajuda importante em caso de crise”. Com efeito, os bancos alimentares são a persona – a máscara – das crises, para tolerar as crises.
7 – A pretendida insustentabilidade da segurança social é um mito, criado para desviar os descontos da segurança social para o bolso dos monopólios financeiros e bancários. Os operários e trabalhadores portugueses descontam não para a segurança social, como pretende o governo, mas para alimentar o BES, o BPP, o Banif, o BPN, (para só citar bancos falidos). É para alimentar aquela mitologia que o capitalismo português entregou ao patético Medina Carreira uma vasta tribuna semanal.
8 – Conheço a proposta de José Veludo. Pode e deve-se estudá-la. Mas digo-lhe já: mesmo com a proposta do Veludo, os descontos para a segurança social acabariam por desaparecer na mesma cloaca por onde já desaparecem agora os descontos sociais.
9 – Não é possível comparar os volumes dos défices das potências imperialistas (EUA e Alemanha) com os défices dos outros países, sobretudo dos dominados. Os défices dos primeiros (EUA e Alemanha) são a ventosa com a qual aspiram as mais-valias produzidas pelos segundos.
10 – A desregulamentação dos sistemas bancários é, ao fim e ao cabo, o processo pelo qual a ventosa funciona.
11 – Totalmente de acordo quanto à sua apreciação do sistema da saúde e respectivo funcionamento.
- Anterior
- Seguinte >>

