PAÍS

Vigo na rota da emigração

O governo de traição nacional Coelho/Portas, perdida totalmente a vergonha, não se exime de apelar quase todas as semanas aos oitocentos mil desempregados portugueses para que emigrem.

Não se conhece nenhum outro governo na história do Mundo, nem sequer o famigerado governo salazarista, que tenha tido o descaramento de propor a emigração como futuro do seu próprio povo.

Com a emigração, o governo de traidores acoitados em São Bento propõe-se ganhar em três carrinhos ao mesmo tempo: ganhar, porque se vê livre dos desempregados, sem ter de lhes pagar o correspondente subsídio de desemprego; ganhar, porque espera obter remessas de emigrantes, para com elas pagar a dívida soberana aos bancos alemães; e ganhar, porque com a emigração se vê livre de uma massa social potencialmente revolucionária.

Para os partidos de traição nacional PSD/CDS, o apelo à emigração não é um lapsus linguae, um dislate qualquer, mas uma política real, imposta também pela Tróica, que, como se lembrarão, até já aconselhou os Gregos a venderem algumas das suas ilhas.

Tudo quanto se passe com os desempregados, aconselhados a emigrar, é coisa com que Coelho e Portas não se preocupam.

Mas preocupam-se os operários portugueses, pois são seus irmãos de classe aqueles que o governo condena a emigrar.

Apertados pela fome e seguindo o conselho do governo, um grupo de operários minhotos decidiu ir trabalhar para Vigo, onde constituem metade dos trabalhadores empenhados na construção do novo hospital local.

Ora, segundo declarações feitas à imprensa galega por Alberto Fernández, Secretário da Confederação Intersindical da Galiza, as empresas envolvidas na construção do Hospital de Vigo pagam aos trabalhadores portugueses 2,8 euros à hora, quando, nos termos da contratação colectiva do sector, deveriam pagar entre nove e dez euros por hora, no mínimo.

Assim, os trabalhadores emigrantes portugueses ganham 500 euros por mês, com jornadas de trabalho de dez horas, que começam às oito horas da manhã, enquanto os trabalhadores galegos – na mesma obra, com a mesma jornada e, por vezes, na mesma empresa – ganham não menos de 1500 euros por mês.

O Cônsul português em Vigo, obedecendo à política do governo de traição nacional e, decerto, a ordens expressas de Portas, não sabe de nada, não averigua nada e assobia para o lado, como todos os bons traidores.

Tal é a emigração para que o governo actual empurra o povo português: morto de fome, em Portugal, e morto pela escravatura no estrangeiro.

E não se diga que a culpa é dos Galegos, porque não é. Da Galiza, a voz que nos fala é ainda e sempre a dos poetas, nossos irmãos na língua, como este (Martim Codax) que nos convida das profundezas do séc. XIII: quantas sabedes amar amigo/treides comigo a lo mar de Vigo/e banhar-nos-emos nas ondas!

Porém, hoje, é diferente a viagem ao mar de Vigo.


MORRA O TRABALHO FORÇADO!
ABAIXO O GOVERNO!
POR UM GOVERNO DE ESQUERDA, DEMOCRÁTICO PATRIÓTICO!


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