PAÍS
A Legionela e a Central de São João da Talha
- Publicado em 12.11.2014
O povo dos concelhos de Vila Franca de Xira e de Loures está muito compreensivelmente em pânico com a epidemia de legionelose, ou doença do legionário, que grassa sem controlo sobretudo no primeiro daqueles dois concelhos.
As autoridades da saúde, dependentes do governo de traição nacional Coelho/Portas, não merecem nenhuma espécie de credibilidade nem do povo em geral nem dos mais de trezentos infectados com a bactéria legionella pneumophila, que já matou, a aceitar os números da direcção geral da saúde, sete cidadãos.
Nos noticiários televisivos de ontem, vimos o ministro do ambiente, Jorge Moreira da Silva, perorar contra algumas fábricas que não terão procedido de acordo com a lei quanto aos cuidados que lhes cumpria observar na desinfecção das suas torres de refrigeração, meios propícios à conservação e ao desenvolvimento da bactéria infeciosa.
Vimo-lo, ao ministro do ambiente, vociferar contra a Solvay e contra a Empresa de Adubos de Portugal, mas não o vimos usar do mesmo rigor vociferativo contra a empresa da Centralcer, na Vialonga, em cujo sistema de refrigeração já está comprovada a existência da legionella, faltando apenas confirmar se a bactéria daquela sociedade cervejeira infestou ou não a população local. Mas o ministro, quanto à Centralcer, não ousou falar, como falou para as outras duas empresas, em crime ambiental.
A razão por que o ministro do ambiente usou de dois pesos e de duas medidas, um para a atacar a Solvay e a ADP – Fertilizantes, e outro, mais meigo, para lidar com a Centralcer, deve-se unicamente ao facto de que o seu colega de governo, o ministro da economia Pires de Lima, como administrador da Unicer, é suposto ser protector das cervejeiras.
Como ninguém pode confiar nesta canalha governativa, desafiamos o ministro do ambiente a mandar verificar, com toda a urgência, se a torre de ventilação da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos da Valorsul, em São João da Talha, não estará também infectada de legionela e se não terá tido a sua quota de responsabilidade no surgimento e desenvolvimento da actual epidemia.
Esta recomendação é tanto mais justificável quanto é certo que, no passado dia 2 de Maio, a Central de Tratamento de Resíduos de São João da Talha teve uma ruptura no depósito dos materiais acumulados que lexivisou os terrenos à volta e contaminou a água de abastecimento público do município de Vila Franca de Xira, acidente que foi rapidamente abafado pelo director-geral da saúde, Francisco George, pelo ministro da saúde, Paulo Macedo, e pelo ministro do ambiente, Jorge Moreira da Silva.
Não custa nada verificar, até por que estamos informados que não terá sido cumprido por aquela Central de Tratamento de Resíduos o dever de permanente monotorização da qualidade do ar na envolvente da Central.
L/E



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