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De Como o Governo de Traidores Coelho/Portas Manipula os Números do Desemprego

centrodeemprego01Quando desembarcou em Portugal e impôs aos portugueses o crapuloso Memorando de Entendimento, o ponto no qual clamorosamente ruíram as promessas da Tróica foi na questão do desemprego: ao fim de um ano de severa austeridade, garantia a Tróica, o desemprego vai começar a diminuir e o emprego a aumentar, tão certo como dois e dois serem quatro na base numérica decimal…

Ora, passados dois anos de despedimentos na função pública, de eliminação de feriados, de roubo de trabalho, de corte de salários, de redução das pensões, o desemprego crescia a galope, a despeito do aumento da emigração que Portugal já não via desde meados dos anos sessenta do século passado.

Foi aliás o crescimento totalmente descontrolado e incontrolável dos números do desemprego, claramente ao invés das previsões dos economistas de pacotilha da Tróica, que levou à demissão do enfático e enfatuado Vítor Gaspar, o ministro das finanças que foi, no seu tempo, o rosto visível do governo de traição nacional Coelho/Portas.

Não podendo, nem querendo, encontrar meios para combater com eficácia o aumento dramático do desemprego – nomeadamente a redução imediata e profunda do colossal aumento de impostos -, o governo de traidores PSD/CDS, com o apoio do analfabeto de Boliqueime, dedicou-se à inglória tarefa da manipulação sem vergonha dos números do desemprego, alterando continuamente os critérios com base nos quais se definia a situação, já de si claríssima, dos trabalhadores que não têm trabalho.

O que hoje, porém, a todos causa estupefacção é que, apesar dos ingentes esforços manipulatórios do governo, o desemprego não deixou de aumentar.

Senão, vejamos!

O Instituto Nacional de Estatística (INE) acaba de publicar os números oficiais do desemprego respeitantes ao terceiro trimestre de 2014. Comparados com os números oficiais do desemprego referentes ao segundo trimestre do mesmo ano, haveria menos 40 000 desempregados em Portugal (728 900 – 688 900 = 40 000).

Números tão miraculosamente redondos que ultrapassam o espanto de Jacob na contagem das ovelhas de Labão mostram que, sob a gerência do actual governo, não merecem a mínima credibilidade científica os dados numéricos fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística.

Deixando porém de lado o enterro do INE como instituição científica, aqueles pretendidos quarenta mil desempregados a menos num só trimestre serviram a Coelho e Portas para lançar uma manipulatória campanha de âmbito nacional sobre os méritos da política de austeridade e de empobrecimento para combater o desemprego, patranha em que nem Vítor Gaspar acreditou e que levou à sua exoneração.

Afinal, quantos desempregados temos hoje?

Se conjugarmos, com os do INE, todos os dados oficiais disponíveis, verificaremos que a situação do desemprego em Portugal é muito mais grave do que aquela que o governo pretende fazer crer.

Desde logo, ao lado da categoria estatística dos desempregados, temos de entrar em linha de conta com a categoria estatística dos inactivos disponíveis que não procuram emprego, pois ambas as categorias são constituídas por homens e mulheres que estão desempregados, mas disponíveis para trabalhar. A única diferença é que os desempregados oficiais procuram emprego no período do inquérito (trimestral), enquanto que os inactivos disponíveis, estando embora desempregados e disponíveis para trabalhar, deixaram de procurar emprego, desencorajados por nunca o encontrarem.

Os traidores que nos desgovernam entendem que um trabalhador desempregado, que deixa de procurar trabalho num centro oficial de emprego, é porque está empregado. Apesar desta interpretação disparatada, o INE não deixou de contabilizar os inactivos disponíveis, o que demonstra a resistência dos trabalhadores do INE às manobras de manipulação estatística do governo de Passos Coelho.

Diz então o INE que os inactivos disponíveis no segundo trimestre de 2014 eram 256 600, e de 302 300 no terceiro trimestre. Ou seja, no terceiro trimestre de 2014, os inactivos disponíveis aumentaram 45 700 (302 300 – 256 600 = 45 700).

Vista a coisa em conjunto, no terceiro trimestre de 2014, onde o desemprego oficial baixou 40 000, os inactivos disponíveis aumentaram 45 700.

Assim, juntando as duas categorias de desempregados, havia, no segundo trimestre deste ano, 985 500 desempregados (728 900 + 256 600 = 985 500) e no terceiro trimestre 991 200 desempregados (688 900 + 302 300 = 991 200).

Para todos os efeitos práticos e científicos, o desemprego real aumentou em Portugal no terceiro trimestre do corrente ano (991 200 – 985 500 = 5 700).

Mente pois Passos Coelho quando proclama que o desemprego diminuiu de 40 000 pessoas no terceiro trimestre de 2014. A realidade é outra: mesmo com base nos dados oficiais do INE, o desemprego real aumentou de 5 700 pessoas no aludido trimestre.

Essa não é todavia a única mentira do traidor Passos Coelho relativamente ao desemprego no último trimestre (3º de 2014). Coelho oculta que, dos 991 200 desempregados e inactivos contados no 3º trimestre de 2014, apenas 32%, segundo os dados do INE referentes a Agosto último, recebiam subsídio de desemprego. Ora, 32,2% de 991 200 = 319 166.

Isto significa que, no Portugal de hoje, mais de dois terços dos nossos irmãos desempregados não tem subsídio de desemprego, vivendo na mais extrema das misérias. É por isso que o desemprego é a primeira, a principal e a maior causa da pobreza em Portugal.

Sucede, contudo, que para ter na devida conta a verdadeira realidade do desemprego no nosso País, temos de chamar aqui à liça duas outras categorias estatísticas de trabalhadores, criadas pelo INE: o subemprego a tempo parcial e os desempregados ocupados.

Ora, o primeiro grupo – o do subemprego a tempo parcial – inclui, segundo o INE, todos quantos não trabalham mais horas, unicamente porque não encontram em lado nenhum, nem mesmo nos centros de emprego, nenhum emprego a tempo completo. O INE estabelece que, no terceiro trimestre de 2014, achavam-se nesta situação 232 100 trabalhadores. É o trabalho a tempo parcial, uma das chagas desta sociedade, dissimuladora do desemprego real, mas também uma das causas da extrema pobreza e da vil miséria em que mal sobrevive esta categoria de explorados e oprimidos.

Peço aos meus dilectos leitores mais um esforço para me acompanharem até ao fim nesta prosa numericamente árdua, mas que não poderei evitar. Quanto ao grupo dos desempregados ocupados é constituído, segundo o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), pelos seguintes três subgrupos:

• Desempregados em acções de formação: 76 220;
• Desempregados em estágios profissionais: 41 847;
• Desempregados em trabalho socialmente necessário: 29 789,

o que dava, em Setembro último, um total de 147 856 desempregados, porém em acções de formação, estágios profissionais e trabalhos cívicos, geralmente sem remuneração.

Ora, se somarmos tudo o que antecede,

• Desempregados oficiais              ......……   688 900
• Inactivos disponíveis                  ..………     302 300
• Subemprego a tempo parcial    …………    232 100
• Desempregados ocupados         …………    147 856,

obteremos um conjunto de 1 371 156 (um milhão trezentos e setenta e um mil cento e cinquenta e seis) trabalhadores portugueses que estão ou desempregados, ou em falsos empregos ou em emprego parcial precário, o que representa um quarto (24,7%) da população activa portuguesa.

Lembremos aqui, muito embora de passagem, que, segundo o INE, 40% dos desempregados estão no limiar da pobreza, ou seja, numa situação de miséria extrema.

Este é o quadro real e verdadeiro do desemprego em Portugal, desemprego que está em crescimento contínuo e que nada tem a ver com o quadro mentiroso e manipulatório do governo de traição nacional e do seu primeiro-ministro.

Primeiro-ministro e governo de traidores que se preparam, como se colhe do orçamento geral de Estado para 2015, já aprovado na generalidade pela maioria de direita na Assembleia da República, para despedir mais 61 000 trabalhadores da função pública.

É preciso corrermos imediatamente com a quadrilha de traidores que domina o governo, a Assembleia da República e a Presidência da República e substituí-los por um governo, uma assembleia e um presidente democráticos e patrióticos.

Não haverá, em termos imediatos, outra maneira de lutar contra a tragédia do crescente desemprego que arruína Portugal!


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Comentários   

 
# João Alves 09-11-2014 19:24
Os números apresentados pelo governo sobre o desemprego no nosso País são mais um gigantesco embuste. Fazendo uma análise cuidadosa, facilmente se percebe a astúcia desses números. Convido todos os caros cidadãos a irem aos centros de formação do IEFP para verem a quantidade de pessoas que estão lá nesses cursos que não servem para nada. Claro que todos esses formandos não contam para o número de desempregados do País. Já agora, convido também, a irem às escolas e Câmaras Municipais do País para contabilizarem o número de pessoas que estão com contratos de emprego de inserção (coagidas a assinarem esses contratos sob a ameaça de perderem o sub. de desemprego ou sub social de desemprego)… Como se sabe, o período de sub. de desemprego não é interrompido com estes contratos, o que me parece uma ilegalidade. Não deixa de causar alguma estranheza, o facto de para o Estado já se poder fazer biscates. Isto, já para não falar dos milhares de portugueses que abandonaram forçosamente o País. Mas, o Povo é quem mais ordena e no dia do Juízo final vamos ver quem ri por último. Na vizinha Espanha começaram já os primeiros sinais, que rapidamente se alastrarão, contra tudo e contra todos. Quem manda nos votos dos Portugueses são os portugueses! Não são as empresas de sondagem, nem a comunicação social, e muito menos o senhor presidente da República
 
 
# José Luis Roquete 11-11-2014 16:14
A um artigo destes...só um comentário destes!

O L.P. Online tem de fazer um levantamento dos centros de emprego do distrito de Lisboa e irmos - eu estou disponível! -semanalmente a cada um dos centros distribuir este artigo e o comentário.

Tendo em vista também apoiar o Partido nesses locais!

Também estou disponível para ir semanalmente A QUALQUER PONTO DO PAÍS distribuir os artigos que saíram ou que vão venham a ser publicados.

As eleições não esperam por nós!
 

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