PAÍS
Barragem de Foz Tua
- Publicado em 02.11.2014
Carta Aberta aos Engenheiros Portugueses
O Jornal Luta Popular Online, órgão central do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), toma a liberdade de publicar a Carta Aberta aos Engenheiros Portugueses, subscrita pelos catorze engenheiros civis abaixo identificados, e saída ontem, dia 1 de Novembro, em alguns órgãos da comunicação social.
Como o leitor verificará, a carta aberta de alguns engenheiros a todos os engenheiros portugueses denuncia a conduta anti-ética do Eng. Fernando Almeida Santos, no caso da morte de quatro operários na obra da construção da barragem de Foz Tua, e pede ao Bastonário da Ordem dos Engenheiros e aos membros do conselho jurisdicional da Ordem que tomem uma acção exemplar contra o dito Eng. Almeida Santos.
O nosso jornal e o nosso Partido, que desde o primeiro momento condenaram a construção das barragens do Sabor e da foz do Tua por razões ecológicas e económicas, têm acompanhado essas e outras obras hidroeléctricas a par e passo. E têm exigido à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) uma apertada fiscalização sobre a actividade laboral em execução nesses empreendimentos, hoje ao serviço de uma empresa adquirida por capitais chineses.
Foi também o nosso jornal que, pela primeira vez, denunciou o patife do Eng. Fernando Almeida Santos, acusando-o de ser o responsável pelo assassinato dos quatro operários na obra da barragem da foz do Tua, e desmascarou esse homúnculo como sendo, às ocultas de toda a gente, o presidente da comissão executiva e da coordenação da Tabique – Engenharia, Lda., a empresa que arrecada 3% do valor total da obra para exercer a coordenação da segurança dos operários.
Quase quatro meses depois da nossa denúncia do patife do Eng. Almeida Santos, há finalmente um pequeno grupo de engenheiros – catorze, até agora – que teve a coragem de vir a público, para defesa dos engenheiros civis honestos e da respectiva Ordem, exigir o julgamento e condenação disciplinares da ovelha ranhosa Almeida Santos, um autêntico traficante de carne humana que, por dinheiro, sacrifica a vida dos operários que lhe cumpria defender.
Afinal, tínhamos razão quando trouxemos ao pelourinho da opinião pública a carcaça corrupta do negociante de segurança Fernando Almeida Santos.
Diga-se, para terminar por hoje e antes de publicar na íntegra a “Carta Aberta aos Engenheiros Portugueses”, que o patife do Fernando Almeida Santos enviou, em fins de Julho passado, uma carta à redação do Luta Popular Online, ameaçando levar a tribunal o autor destas linhas. Ameaças é coisa que Espártaco come todos os dias ao pequeno almoço e nunca ninguém o conseguiu calar.
Contudo, é bom saber que há, na Ordem dos Engenheiros, homens e mulheres que não pactuam com corruptos e bandidos da laia do Fernando Almeida Santos.
Em todo o caso, ficamos à espera das medidas exemplares e severas que o bastonário e os membros do conselho jurisdicional da Ordem dos Engenheiros irão adoptar, sem perda de tempo, contra um sujeito que envergonha os engenheiros e a engenharia de Portugal. Certo certo é que o bastonário há muito tempo que conhece o caso e nada fez até agora para o solucionar. Será que o bastonário da Ordem dos Engenheiros também está feito com o gatuno do Eng. Almeida Santos? Esperemos que não!
Espártaco
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Carta aberta à Ordem dos Engenheiros Ao bastonário da Ordem dos Engenheiros Ao conselho jurisdicional da Ordem dos Engenheiros Exmos. senhores, colegas engenheiros, Os signatários, membros da Ordem dos Engenheiros (OE), ficaram chocados perante a posição assumida em Julho passado pelo eng.º Fernando de Almeida Santos. Invocando a sua qualidade de presidente da Região Norte da OE, o eng.º Almeida Santos insurgiu-se contra a Autoridade para as Condiçõesdo Trabalho (ACT) pela acção inspectiva à construção da Barragem de Foz Tua, acusando o inspector-geral, Pedro Pimenta Braz, de fazer um “acto de publicidade” (cf. e.g. http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&;did=154303). Só na inspecção de 1 de Julho de 2014 foram feitas 30 notificações pela ACT e levantados vários autos por falhas de segurança e outras irregularidades detectadas nos estaleiros. Nos três anos de obra ocorreram múltiplos acidentes, que provocaram até à data quatro mortos e oito feridos graves, não tendo ainda decorrido opico da obra. Foz Tua é uma obra de alto risco, que merece ser adequadamente vigiada, e são inaceitáveis processos de intenções contra serviços do Estado que estão simplesmente a fazer o seu trabalho; como é inaceitável subvalorizar o significado de uma longa série de acidentes graves. Por estes motivos, se outros não houvesse, as declarações do eng.º Almeida Santos já seriam lamentáveis. Mas há mais: o eng.º Almeida Santos arroga-se o direito de falar em nome da OE sobre o caso Foz Tua, quando este empreendimento, para além dos problemas de segurança, é altamente polémico, incluindo no seio da OE. Os signatários, membros da OE, contam-se entre o vasto número de pessoas que criticam o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), e em especial o aproveitamento de Foz Tua, por motivos que são do domínio público. Há aproveitamentos hidráulicos cujos impactes negativos podem ser justificados pelas vantagens sociais que determinam; e outros cujos impactes excessivos e ausência de interesse público deviam ser impeditivos da sua execução. Foz Tua cai claramente na última categoria. Recentemente tomámos conhecimento do aspecto porventura mais grave da atitude do eng.º Almeida Santos: ele é o presidente da Tabique, precisamente a empresa responsável pela segurança em obra da barragem de Foz Tua. Com aquelas declarações o eng.º Almeida Santos não só está a fazer juízo em causa própria, como está a cometer um grave abuso de confiança, ao usar o seu cargo na OE para dar cobertura às falhas da sua própria empresa e do seu cliente EDP. Estamos perante duas infracções éticas inaceitáveis. Senhor bastonário, senhores membros do conselho jurisdicional: pelo bom nome da Ordem dos Engenheiros, requeremos que seja tomada acção exemplar contra as atitudes antiéticas do eng.º Almeida Santos no caso Foz Tua. Melhores cumprimentos, Lisboa, 29 de Outubro de 2014 Eugénio Menezes de Sequeira, João Joanaz de Melo, António Carmona Rodrigues, Eduardo Zúquete, Francisco Cardoso Ferreira, Frederico Brotas de Carvalho, José Casimiro Martins, Leonor Amaral, Margarida Cabral, Margarida Marcelino, Marlene Marques, Pedro Santos Coelho, Teresa Calvão Rodrigues, Tomás Barros Ramos |
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Comentários
Espero que a OE tome as devidas medidas que são reclamadas pelos subscritores da Carta Aberta e que por outro lado a Autoridade das Condições de Trabalho exerça a sua actividade com o rigor que a obra exige, já que a número de operários mortos pelas deficientes condições em que trabalham mostra que a empresa Tabique não está a exercer a actividade que lhe foi incumbida de defesa dos trabalhadores.
Por outro lado, o "Luta Popular" em formato papel trazia no seu número de Out/Nov. de 2008 um artigo sob o título: "O fim do Tua" onde denunciava os 5 acidentes que se tinham verificado só nos oito primeiros anos deste século, nesta centenária linha ferroviária do Tua. Num dos parágrafos dizia :"E aprovada a construção duma barragem no local, a linha do Tua ficará submersa, dizem os entendidos, mas a senhora secretária de Estado, depois de um dos acidentes, veio a terreiro afirmar que a manutenção da linha férrea irá se manter...Em que ficamos?...Em primeiro lugar, se a barragem for avante, e se os níveis freáticos subirem à cota que está prevista, parte da linha ficará submersa." Fim de citação.
Gostaria de chamar a atenção dos leitores do "Luta Popular Online" também sobre uma entrevista que o jornalista José Gomes Ferreira faz a um secretário de estado do actual governo de traição nacional PSD/CDS que se demitiu das suas funções no Ministério da Economia, de nome Henrique Gomes que em 14/1/2014 denuncia na Sic Notícias 2, Negócios da Semana, As Trafulhices nas Energias, no YouTube, subscritor Vítor Vides, as exorbitantes rendas que a EDP arrecada.
J.L. Roquete
A edp está a construir uma barragem ou um cemitério de trabalhadores?
Volta Buiça e ajuda-nos a acabar com esta cambada!
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