PAÍS
As Marinhadas do Marinho
- Publicado em 15.09.2014
A cada feira vai um tolo e, para que o medievo provérbio popular não caia em desuso, à presente feira da política portuguesa não poderia faltar o seu tolo, que no caso se chama Marinho e Pinto.
Pinto ganhou o seu barrete de truão atirando-se aos juízes, sob a toga de bastonário da Ordem dos Advogados, numa altura em que a justiça, como ainda hoje aliás, estava abaixo de cachorro.
Apaixonou-se por ele - cremos que mais pelo seu charuto do que por qualquer outra coisa – o Goucha, entretenedor de um programa televisivo para velhotes, onde, diariamente e durante mais de três anos, levou o Pinto à ribalta da televisão e o apresentou ao mundo rural, reformado, como se fosse o último salvador da parvónia.
O homenzinho, que durante seis anos viveu à custa dos advogados entre Coimbra e Lisboa, acabado o segundo mandato, e, não havendo mais nada para abocanhar por ali perto – on y soit qui mal y pense –, candidatou-se imediatamente com o inestimável apoio do Goucha (é claro), às primeiras eleições que apareceram, que não eram para a filarmónica de Amarante, mas, por acaso, para o parlamento europeu, que mais desafinadamente embora toca outras melodias em Estrasburgo, Bruxelas e no Luxemburgo.
Pinto não tinha partido à mão para concorrer àquelas eleições, mas, com o apoio do Goucha (claro!), não lhe foi difícil arranjar um partido barriga de aluguer. Alugou pois o Pinto o Partido da Terra (MPT) para o efeito, e, com o apoio do Goucha, alargado ao Correio da Manhã e ao hebdomadário do Balsemão, onde já fora serventuário, fez sair de uma só vez um par de gémeos de deputados do produtivo ventre do Partido da Terra.
Nos dias seguintes ao acto eleitoral, interrogavam-se os opinion makers lisboetas se o Pinto era um populista ou um arrivista, quando lhes bastaria atentar nas suas amizades mais próximas para saber o que o Pinto era.
Pinto, acompanhado de outro coleguinha com ele também saído, sem saber como, do sarcófago do Partido da Terra, foram, deslumbrados, pela primeira vez a Bruxelas, a Estrasburgo e ao Grão-Ducado, saber no que paravam as modas.
Descobriu então o nosso bobo que iria ganhar 18 000 euros por mês, não como bobo – porque isso seria até um merecidíssimo estipêndio – mas como deputado europeu, imagine-se!
Ora, como poderia Pinto aceitar ganhar 18 000 euros por mês, ele que estava ali a representar um pobre povo do cabo da Europa cujo salário mínimo é de 480 euros mensais. É então que o saltimbanco do Marão, dando à rectaguarda duas cambalhotas sofridas, grita da margem esquerda do Reno, para que pudesse ser escutado e entendido do Minho ao Guadiana, que ele, o truanaz do vinho verde, não se deixaria nunca vender por um prato de 18 000 lentilhas ao mês.
Regressou então definitivamente a Portugal, menos de cinco meses transcorridos sobre o acto eleitoral europeu, a fim de comunicar ao País, a partir da tribuna do Goucha, mas estendendo a comunicação às trompetas do Correio da Manhã e do Expresso que ele, nascido à beira do Tâmega, não aceitaria nunca vender-se a 18 000 euros por lua, que abandonaria de pronto o Partido da Terra, barriga de aluguer malvada que o levara a Estrasburgo, mas que, em contrapartida, fundaria um novo partido com barriga democrática, à Goucha, e ventre republicano, à Balsemão, e trocaria de bom grado, se a parvónia o deixasse, os 18 000 euros mensais do parlamento europeu pelos 4 000 euros mensais do parlamento português…
Oh, quem não admirará, entre os que ganham apenas 480 euros mensais ou ainda menos, este patriótico sacrifício do Pinto, que é capaz de deitar todos os meses ao lixo um prato de 18 000 euros, para contentar-se com uns pirezinhos de 4 000 euros, sacado do honesto orçamento da Pátria!...
Gente: se tendes intenção de eleger um charlatão no próximo acto eleitoral, então elegei o Pinto, o Marinho e Pinto, o amigo do Goucha. Desde que se inventaram os bobos, não há nem nunca houve nenhum como ele em Portugal!
E.


Comentários
que o homem teve tomates aquando duma intervenção onde o cavaco teve cólicas,teve!
se a ementa que se requer na mudança dispensa este tipo de tomates...o marinho ficará na beira do prato concerteza.o meio sindical tá cheio de lideres que sobressaem pela desenvoltura da palavra. como os sindicantes não merecem melhor representação ,pelo simples facto do seu absentismo, temos o circo montado...e sem bobo não há circo.
Quem se candidata às eleições europeias sabe que, sendo eleito, ganhará 18 000 euros por mês, afora o custo das viagens de avião. Marinho é um aldrabão, porque finge só ter sabido disso, quando desembarcou em Bruxelas. Se 18 000 euros é um vencimento insultuoso e vexatório para Marinho, deputado de um País de pobres, porque os não divide ele com os sem-abrigo de Lisboa? Se precisou do Partido da Terra para ser eleito deputado europeu, porque insulta agora esse partido e os seus dirigentes? Se pediu ao povo um voto para ser eleito, porque abandona agora o posto, e pretende trocá-lo por uma eleição para deputado em Lisboa? Se o ordenado de deputado europeu (18 000 euros) é vexatório e insultuoso para um político português, porque é que o ordenado de 4 800 euros de deputado à assembleia legislativa, igual a dez salários mínimos nacionais, é insuficiente para Marinho como deputado em Portugal!?
Se o meu Amigo ainda não tem olhos para ver em Marinho e Pinto um cobarde charlatão, resta-me pedir aos deuses que lhe concedam o tempo de vida necessário para iluminar o seu espírito.
Com amizade, seu
Espártaco
18/09/2014
CHAM QUE ISTO É NORMAL , NÃO , ISTO NÃO É NORMAL , É DESTRUTIVO PARA A IDENTIDADE DO NOSSO PAÍS .
SÓ O COMUNISMO PODERÁ SALVAR ESTE PAÍS.
Assine o RSS dos comentários