EDITORIAL

Conclusões

                                                                                             Pg 128/130

 

         Que conclusões se podem tirar desta análise de pensamentos e de factos sob a questão nacional?

 

1.      Que não existe questão nacional para o proletariado, que os operários não podem tirar nenhuma vantagem da existência para eles de uma pátria e que eles não têm de se ocupar de opressões nacionais, do direito das nações a disporem de si próprias. O proletariado desenvolve o seu movimento, faz a sua revolução como classe e não como nação. Tão rapidamente quanto a vitória do proletariado nas diversas nações, as fronteiras não podem deixar de desaparecer. A tese leninista da autonomia nacional dos estados socialistas é um non-senso. Lenine afirma que enquanto exista o Estado a nação permanece uma necessidade. Ora, a nação não é senão um produto do estado burguês e não do estado proletário. Os estados proletários não podem senão tender a unificarem-se e a suprimir as fronteiras. Ou melhor ainda: o socialismo, em tanto que ordem económica e social não pode realizar-se senão na base da desaparição total das fronteiras. A supressão das diferenças económicas nacionais não pode realizar-se sem a supressão dos limites nacionais que são sempre artificiais e convencionais. A ditadura proletária, o estado operário, que não é o estado burguês  nem pode ter senão um carácter universal e nunca nacional, democraticamente unitário e não federativo. Os comunistas marxistas não podem edificar os Estados Unidos da Europa ou do Mundo, o seu fim é a República Universal dos concelhos operários.

2.      Os comunistas marxistas devem propagar, em consequência, entre as largas massas operárias o ódio à pátria, que é o meio para o capitalismo semear a divisão entre os proletários dos diferentes países. Devem preconizar entre as massas operárias a necessidade da confraternização, da união internacional de todos os proletários em todos os países. Devem combater encarniçadamente não apenas todas as tendências chauvinistas, fascistas ou social-democratas, que envenenam até os meios operários, mas também todas as tendências mesquinhas que tentarão dar uma base qualquer ao ideal nacional. Devem combater contra a lenda das guerras nacionais, a lenda das cruzadas populares anti-imperialistas. Devem incutir, utilizando a experiência histórica, no mais profundo das massas proletárias a fé na vitória do socialismo, nada senão em bases puramente classistas, puramente internacionalistas.

3.      Em consequência, é preciso conduzir todos os nossos esforços para o renascimento do verdadeiro internacionalismo marxista, no qual os social- reformistas e os nacional-bolchevistas semearam a confusão.

4.      Sabemos muito bem que a nossa propaganda não pode por si só realizar este esforço de ligar o internacionalismo entre as massas e desenvolvê-lo até um grau desconhecido no momento presente. Sabemos que a nossa propaganda, muito embora necessária, não terá a menor influência se os desenvolvimentos ulteriores do processo histórico não se encarregarem de o confirmar. Mas sabemos também que estes desenvolvimentos não podem senão empurrar o proletariado para as posições que os verdadeiros internacionalistas nunca trairão, que Rosa Luxemburgo conservou até à morte. (extraído do blogue "Que o Silêncio dos Justos não Mate Inocentes" a 9 de Junho de 2021, como sendo as conclusões do Camarada Arnaldo Matos sobre a questão nacional)

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Reprodução das páginas 128 a 130 da colectânea de Robert Bibeau. Uma evidência de que tais conclusões são extraídas da colectânia, aliás como a indicação paginal a encimar o texto, por si própria, o dá a entender. 

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