INTERNACIONAL

O estado actual da "Democracia" na Líbia

Passará na próxima sexta-feira, dia 17 de Fevereiro, o primeiro aniversário da auto­proclamada revolta popular contra Kadafi, que começou, como os leitores estarão lembra­dos, em Bengasi, capital do leste do país.
 
No ano entretanto transcorrido, Kadafi e um dos seus filhos, depois de feitos prisio­neiros, foram barbaramente assassinados, sem tribunal e sem julgamento, pelos defensores dosdireitos humanos, ou seja, pelas milícias armadas pelo imperialismo americano e pela CIA, uma parte das quais milícias já foi reintroduzida na Síria.
 
Toda a infra-estrutura económica do país foi destruída pelos bombardeamentos aéreos americanos e franceses, autorizados pelo conselho de segurança da ONU, sempre em nome dos direitos humanos e da democracia.
 
E, em nome dos mesmo direitos e do mesmo regime democrático , o imperialismo e as suas milícias de mercenários mataram, numa guerra que demorou escassos nove meses, cerca de 50.000 cida­dãos da Líbia.
 
Sem Kadafi, os líbios devem ser felizes hoje,observar-me-ão!...
 
O estado actual da democracia líbia é este: no país, reinam as milícias, em número de 300 organizações armadas, envolvendo um total de 125.000 homens.
 
O país é dirigido por uma espécie de governo interino denominado Conselho Nacional de Transição, formado pela CIA e pela secretária de Estado americana Hillary Clinton, Conselho que, nos dias de hoje, não tem qualquer autoridade na Líbia e que está em estado de alerta em Benga­si, onde estão instaladas baterias anti-aéreas contra a ameaça de aviões que não se vislum­bram de onde possam vir.
 
Para defesa do Conselho Nacional de Transição pró-americano, algumas das milícias constituíram em Bengasi a chamada União das Forças Revolucionárias, que agrupam cerca de 12.000 homens armados, dividido em 40 Katibas (companhias).
 
Em Trípoli, capital do país, o desastre é ainda maior. Como comenta o general Adam Ben Omron, homem de mão da CIA na cidade, as milícias que libertaram a capital, provenientes da província, “instalaram a lei da selva” (palavras do próprio general).
 
Nos últimos meses, são contínuos os ataques e contra-ataques entre as poderosas bri­gadas de Misrata e de Zintam, brigadas que controlam o aeroporto.
 
Nas montanhas da parte ocidental do país, são diários os combates entre milícias, algumas das quais fiéis a Kadafi. Para o general Ben Omram, a tarefa imediata é desarmar todas as milícias e estabelecer o controlo final do imperialismo ianque.
 
Contudo, para o dito general, o objectivo principal já foi alcançado: o fim de um governo anti-americano e pró-árabe no país, como era o governo de Kadafi.
 
Entretanto, os islamitas, recebendo, não se sabe como, armas do Qatar para os agrupamentos de milícias em Bengasi e Tripoli, movem uma guerra sem quartel contra o Conselho Nacional de Transição.
 
De momento, diversas milícias tomaram conta de 85% das refinarias de petróleo, que negoceiam com o imperialismo ianque e com os capitalistas franceses, pagando despesas de guerra, do mesmo passo que mantêm em seu poder 8.500 prisioneiros, sem culpa forma­da, sem tribunal e sem defesa, tudo em nome dos direitos humanos.

Como se vê, há muito que foi assassinado Kadafi, mas não há nem respeito pelos chamados direitos humanos, nem réstias de democracia.
 
Na Líbia reina o terror das milícias, com o controlo da CIA e do imperialismo ianque.
 
Há todavia ainda em Portugal uns palhaços oportunistas, do Bloco ao PCP e ao PS, que acham ter havido na Líbia uma verdadeira revolução popular espontânea, que merece o apoio dos democratas do nosso país e que representa uma espécie de que chamam omovimento democrático internacional.
 
Estes internacionalistas de pacotilha, catedráticos falhados de Economia e Finanças, e que trocaram o movimento operário revolucionário mundial pelo pretendido movimento democrático internacional, ganhariam, como diz o outro, em emigrar para a Líbia actual, a Líbia pós-Kadafi, para verem o que lá se passa.
 
E uma coisa pelo menos passa-se e veriam: na Líbia já ninguém ousa falar em democracia, em povo ou em direitos humanos.
 
Logo que haja tempo, voltaremos ao balanço das outras insurreições democráticas no Oriente Próximo, para continuar a desmascarar os oportunistas que, em Portugal, teimam em confundir os golpes do imperialismo no norte de África com insurreições pretensamente populares.

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