INTERNACIONAL

A Síria e a balela imperialista dos Direitos Humanos

Se algum país deveria ser mundialmente proibido de falar em direitos humanos, esse país haveria de ser, sem nenhuma espécie de dúvidas, os Estados Unidos da América do Norte.

Para além do racismo com que foram, e ainda hoje o são, tratados os negros, mestiços e hispanos no interior do próprio Estado ianque, não convirá nunca esquecer que os imperialistas americanos mantêm presos na base de Guantânamo, em Cuba, centenas de homens e mulheres capturados pela CIA no Afeganistão, Iraque, Paquistão e outros países do mundo entre os quais a Itália, sem culpa formada, sem tribunal, sem julgamento e sem direito a defesa jurídica.

E também não poderá nunca esquecer-se que os EUA reivindicam para os seus governos o direito de promover o terrorismo de Estado em qualquer país estrangeiro, como aconteceu recentemente no interior de um país aliado, o Paquistão.

Além de que não há nada de mais contrário aos direitos humanos do que a exploração mundial do imperialismo.

O direito humano mais fundamental de todos os direitos é o direito que tem o operário de não ser explorado, mas desse direito o imperialismo e os oportunistas nunca falam, precisamente porque é da exploração dos operários que o imperialismo e os oportunistas vivem.

Pois são estes terroristas dos direitos humanos que, no uso de uma desfaçatez desmedida, acusam de violação desses direitos os países cujos governos não aceitam nem ajoelham às suas ordens.

Viu-se como o imperialismo americano, em nome dos direitos humanos ceifou 150.000 vidas no Iraque, 50.000 vidas na Líbia e agora se prepara, com a introdução de dois exércitos mercenários – o que já utilizou na Líbia e o que lhe organizou a Arábia Saudita – para liquidar mais umas centenas de milhar de sírios.

Os imperialistas americanos, muito embora não tenham conseguido aprovar resolução favorável no conselho de segurança da ONU, há muito que introduziram na Síria uma coluna de mercenários anti-Kadafi e uma coluna da Arábia Saudita, sendo unicamente estas duas colunas de mercenários que mantêm o nível destrutivo das operações a que o exército sírio se vê forçado a ripostar em defesa do seu território, uma parte do qual território permanece ocupado pelo exército sionista de Israel.

Imagine-se a Arábia Saudita, a mais reaccionária e medieval das ditaduras do Golfo, cujo exército interveio há dois meses no Bahreim para esmagar num banho de sangue os insurrectos em nome da Liberdade, a aparecer agora com uma coluna militar na Síria em defesa dos direitos humanos!...

Há sempre uns papalvos em Portugal – do PCP ao Bloco e ao PS, com uns quantos patetas e jornalistas financiados pela CIA – que têm defendido, também em nome dos famigerados direitos humanos, as intervenções do imperialismo americano nos países do Próximo Oriente (Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egipto, Bahreim e, agora, a Síria).

A questão é esta e não tem nada a ver com direitos humanos: a Síria é o melhor – para não dizer o único – aliado do Movimento Palestiniano e do Irão na região explosiva do Golfo e do Mediterrâneo oriental. É por isso que a Síria é, neste momento, o principal cenário da guerra do imperialismo americano e dos sionistas israelitas contra o Irão e contra a Palestina.

Os povos do mundo e o movimento operário mundial devem permanecer firmes na sua luta contra o imperialismo ianque e contra a guerra que prepara contra o Irão, contra o povo palestiniano e contra todos os povos do Golfo Pérsico.

Na reunião ontem realizada no Cairo, a Liga Árabe – agora controlada pelos americanos, depois das pretensas insurreições conduzidas pela CIA no norte de África – intensificou as sanções económicas contra a Síria e, de acordo com o comunicado final da cimeira, aprovou uma resolução a solicitar ao conselho permanente da ONU o envio de capacetes azuis para a Síria.

A palavra-de-ordem do imperialismo americano, do sionismo israelita e dos seus lacaios na Liga Árabe é só uma: ocupar imediatamente a Síria, único aliado da Palestina e do Irão no Próximo Oriente.

Nada disso tem nada que ver com direitos humanos, mas apenas com os interesses bélicos do imperialismo e do sionismo.

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