Partido

Afonso de Albuquerque
Uma figura marcante e interveniente na sociedade portuguesa

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Faleceu na terça-feira, 5 de Abril, Afonso Abrantes Cardoso de Albuquerque, um homem que ousou lutar contra a ditadura fascista, contra a repressão, contra a guerra colonial, tendo enfrentado por duas vezes as prisões da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), antes do 25 de Abril, uma delas em 1972, por ter participado na divulgação de uma lista que denunciava as torturas aplicadas pela PIDE.

A sua natureza de contestatário e lutador por uma sociedade sem exploradores, embora assumindo diversas formas, umas mais directas e interventivas, marcaram, sem dúvida, o seu percurso de vida.

AfonsoAlbuquerquePrisaoTendo sido obrigado, nos inícios dos anos 60, a viver a guerra colonial, que contestava e que lhe valeu uma prisão, em Moçambique, por denúncia à PIDE, escolheu dedicar grande parte da sua vida a uma das consequências dessa guerra: o stress pós-traumático de guerra (PTSD), sendo um dos pioneiros nesses estudos e investigação, desocultando os efeitos violentos e destruidores da guerra, os quais considerava que acompanhariam sempre os ex-combatentes, de forma mais ou menos latente, mais ou menos visível. Saliente-se que foi autor do único estudo epidemiológico sobre o Stress Pós-Traumático em Portugal publicado em 2003, na obra “Discriminação do Doente Mental no Ocidente”. E essa escolha – que, determinado, nunca abandonou apesar das várias e violentas críticas que, na altura, o perseguiram e que ainda hoje, de certa forma, continuam a existir até na aplicação da legislação – constitui também uma luta contra o colonialismo, contra a opressão, pela liberdade.

A concretização desses valores, no campo político encontrou-a no MRPP e no PCTP/MRPP, que apoiou activamente, quer integrando as suas listas, mesmo como independente, quer contribuindo com fundos, sempre que o poder burguês aplicava pesadas multas com a intenção de impedir a publicação do Luta Popular e as denúncias que nele se divulgavam.

A ele o Partido reconhece o seu contributo, a sua força e apoio na luta pela existência de um Partido autónomo da classe operária, em oposição a fascistas e social-fascistas.

Afonso de Albuquerque é, sem dúvida, uma das figuras marcantes da sociedade portuguesa, no campo da ciência, da investigação e da intervenção política e social.

À família, especialmente à companheira – Catarina Soares – e filhos, o Partido envia as mais sentidas e sinceras condolências.

O velório decorre na capela da Igreja do Campo Grande e o funeral terá lugar hoje, dia 7 de Abril pelas 16H00, para o cemitério do Alto de S. João, passando pelo Hospital Júlio de Matos, onde iniciou e desenvolveu a sua actividade profissional, no campo da terapia comportamental, serviço de que foi director, tendo ainda criada consultas em várias outras áreas da psiquiatria.

pctpmrpp


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