PAÍS

Lutemos por uma Escola Nova!

Pela primeira vez em 10 anos, o governo prepara-se para aumentar as propinas do ensino superior. Na prática, o “descongelamento” ou “ajuste à inflação” de que falam significa apenas uma coisa: o aumento das propinas num ensino cada vez mais afastado da gratuitidade tão necessária.

Ao incluir esta proposta no Orçamento de Estado (OE) para 2027, o governo de Montenegro não surpreendeu ninguém. E desta vez não foi apenas por já nos ter habituado à sua concepção elitista do ensino, foi mesmo por este ataque retrógrado ter sido já proposto no OE anterior.

Mas hoje, ao que parece, algo mudou e a “oposição” “socialista” decidiu revelar-se ao viabilizar as contas burguesas sem qualquer protesto, nem sequer um torcer de nariz fingido.Se foi por acharem que os estudantes não iam dar por nada, enganaram-se e bem.

Todos sabemos que o valor das propinas é apenas uma parte das despesas que tornam a vida estudantil insuportável para muitos. Até agora, enquanto o custo de absolutamente tudo aumentava, as propinas, apesar de nocivas, tinham pelo menos o garante de não acompanharem esta tendência incomportável.

Ora, por obra do governo, as propinas tornar-se-ão agora um empecilho ainda maior à qualidade de vida dos estudantes, ao estudo e ao ensino democrático. Este aumento é também apenas uma peça no OE, onde o governo anuncia, por exemplo, o corte do financiamento do ensino superior em 7,6% e uma quebra acentuadíssima (80%) do investimento na educação. Não deixa de ser irónica a explicação dada para esta falta de interesse e completo desprezo pela educação pública: o fim do PRR.

O que nos dizem é que o país está então dependente da (suposta) caridade da União Europeia para o seu investimento, que renunciamos à canalização autónoma de fundos. A questão torna-se ainda mais perversa quando, no mesmo OE, são previstas borlas e benefícios de milhares de milhões à burguesia, bem como o desvio de fundos para as suas guerras.

Estes valores exorbitantes, pilhados ao povo, ficarão certamente muito melhor no bolso destes parasitas, investidos na especulação ou nos mísseis que matam operários por esse mundo fora. Afinal, para quê investimento público soberano se a UE se pode encarregar também desta pasta?

Os estudantes manifestaram-se em força em frente à sede do governo no dia 21, mas é imprescindível ter bem presente que a luta não se pode cingir às propinas. Não se pode sequer reduzir a luta estudantil à reivindicação de outros direitos circunstanciais e soltos, numa espécie de trade-unionismo académico.

Os estudantes precisam de conhecer a sociedade de classes, tomar consciência do papel que nela desempenham e lutar pela sua abolição. A Escola Nova, democrática e popular, deve estar sempre no horizonte desta luta estudantil.

As investidas burguesas nas propinas, nas bolsas, nas cantinas, contra as quais os estudantes do ensino superior estão muitas vezes mobilizados, são claramente uma afronta também à Escola Nova. Mas não é esse o único entrave, e não é com mais Estado social mantendo o sistema vigente que os problemas dos estudantes e da sociedade se vão magicamente resolver. Há que lutar por um novo ensino que permita um mundo novo.

Transformemos a luta estudantil num combate consciente e esclarecido, dialogante com a sociedade, que repudie a atitude corporativista e esteja em constante articulação com o movimento operário.

Lutemos por um ensino científico democrático e de massas!

Viva a Escola Democrática Popular!  

Partilhar
Está em... Home País EDUCAÇÃO Lutemos por uma Escola Nova!