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8 de Março
Que Caminho para as Mulheres Trabalhadoras?

8Marco2026QueCaminhoParaAsMulheresTrabalhadorasNo passado domingo, dia 8 de Março, realizou-se a manifestação convocada pela “Plataforma Feminista”, na qual o PCTP/MRPP esteve presente. Infelizmente, e como já é costume, verificou-se uma grande falta de seriedade por parte da organização, na forma como trataram a luta da libertação da mulher na sociedade, equiparando esta manifestação a uma mera marcha de celebração desta data. Não podemos deixar de referir a confusão gerada pela dificuldade que houve para permitir um microfone aberto que proporcionasse intervenções de apoio à luta da mulher trabalhadora como seria a intervenção do Partido que, ao fim de um tempo de espera, acabou por não acontecer. Mas não vai ser por isso que a intervenção deixará de ser divulgada, pelo que passamos à transcrição da mesma: 
A libertação da mulher é um tema de extrema actualidade. 
Não só para as mulheres, naturalmente as primeiras interessadas na sua própria emancipação - mas também para todas as forças sociais e respectivos partidos políticos que passaram subitamente a dedicar à questão feminina uma renovada atenção. Que se passa? O que se passa é que a mulher portuguesa não viu, consoante esperança alimentada ao longo de quase cinquenta anos, chegar com o derrubamento do fascismo, o fim da exploração económica, da opressão social e da discriminação sexual de que ela era e continua a ser vítima. As mulheres trabalhadoras sentem-se traídas pelos políticos que as impediram de aceder ao poder. Nada de substancial mudou na situação da mulher portuguesa. 
A mulher começou então muito justamente a pensar que as promessas demagógicas de igualdade e de emancipação tinham unicamente conduzido a transformá-la numa coutada eleitoral, numa reserva de votos, onde os partidos que a atraiçoaram julgavam poder continuar a pescar apoio para novas traições. Todos os partidos traidores, chegado o 8 de Março, se lembram de repente da existência das mulheres. Chovem as promessas, promessas mil vezes repetidas e nunca cumpridas. Todos eles vão dar creches e infantários, maternidades e hospitais; todos vão aumentar os salários e as reformas, os abonos de família e os subsídios de amamentação; todos vão combater a inflação e o desemprego, o açambarcamento e a especulação. 
A razão fundamental da actual situação de exploração, opressão, discriminação e desigualdade da mulher está na existência de um modo de produção económico baseado no lucro e na propriedade privada dos meios de produção social. Foi, aliás, o aparecimento da propriedade privada que alterou o papel da mulher na sociedade. Por conseguinte, a emancipação da mulher trabalhadora só pode acontecer no quadro da luta entre o Trabalho e o Capital. 
Mas esta realidade é sistematicamente escondida por uma cortina de fumo. Apresenta-se o Dia Internacional da Mulher não como um dia de luta, mas como um dia de flores, de boa vontade e de celebração vazia, numa tentativa de fragmentar e desviar a luta contra o capitalismo. Hoje, quem vê as capas dos jornais, os programas das televisões ou ouve os discursos institucionais fica a saber que a grande causa das mulheres seria apenas a representação igualitária nos órgãos de gestão da burguesia: no Estado, nos governos, nos monopólios e nas empresas capitalistas.
Pela teoria que nos é constantemente matraqueada, os males do mundo poderiam ser resolvidos por um capitalismo feminino — um capitalismo supostamente melhor do que o capitalismo masculino. Mas o dia da mulher não é o dia da mulher rica, da patroa, da mulher que rouba as suas irmãs trabalhadoras para viver confortável. Também não é o dia das polícias, nem das políticas que, por mais progressistas que se mascarem, servem os interesses da classe burguesa, vivendo também à custa das mulheres que suam todos os dias neste país. 
O que as mulheres trabalhadoras não aceitam é a continuidade das desigualdades que o sistema lhes impõe: as diferenças salariais por trabalho igual, o desemprego que as atinge primeiro, as reformas mais baixas, os contratos precários e as condições de trabalho que tantas vezes são obrigadas a aceitar para sobreviver. Nesta sociedade liberal e capitalista, no máximo, concede-se à mulher uma igualdade formal perante a lei, mas condena-se a mulher trabalhadora a uma dupla exploração: no trabalho e em casa. É a sua própria situação de opressão que a leva a lutar e a procurar libertar-se das cadeias da exploração. 
O 8 de Março não é uma efeméride vazia. É um dia de luta que nasceu da luta das mulheres operárias. O 8 de Março é o dia da mulher trabalhadora, da mulher que trabalha ou já trabalhou para assegurar a sua sobrevivência. A luta pela emancipação da mulher é parte integrante da luta da classe operária contra a exploração e a opressão capitalista.
Viva a luta das mulheres trabalhadoras! 
Viva o 8 de Março

pctpmrpp

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