PAÍS

Os detentores do capital representados nos tumultos da luta de classes

"Os ingleses" estiveram a semana passada em Portugal, enchendo maioritariamente a cidade do Porto, devido à final da liga dos campeões.

Na verdade, tudo se resume à luta de classes, que existe desde que existem classes, e só findará quando for implementado o modo de produção comunista.

Vêm com a estória, a propósito de tudo e disto também, que são as políticas da UE que, aplicadas, nos salvarão. A União Europeia é um logro! Arroga-se de apresentar políticas assentes em “pilares essenciais de liberdade”, tais como: providenciar serviços, movimentos de mercadorias, pessoas e capitais. E é aqui que começa o problema. Além de estarmos perante uma duplicidade de critérios, a palavra de ordem da burguesia é para assistirmos silenciosamente e como “paus mandados”, ao contrário do comum adepto de futebol no que respeita aos altos e baixos da sua equipa de futebol, às flutuação na economia, cuja esfera da dita “liberdade” reverte, mas de forma escamoteada, para uma unilateralidade: a concentração da riqueza utilizando o centralismo de Estado, erigida pelo poder público em constante interacção e reciprocidade com o poder privado, perpetuando os usufrutuários e iludindo todos os outros de modo a garantir um estado de serenidade com promessas vãs.

E, na prática, o que aconteceu? Como disse Aleksander Čeferin, o presidente da UEFA: “Mais uma vez recorremos aos nossos amigos em Portugal”. Este tipo de retórica é bem deambulante na política nacional. São todos amigos quando têm interesses em comum, mas nas costas apunhalam e são falsos; se puderem obter benesses levam ao colo, caso contrário já sabemos o resultado. É como diz o povo: anda meio mundo a enganar o outro meio.

A final da Champions foi disputada no Estádio do Dragão, no dia 29 de Maio, e o presidente da UEFA agradeceu o empenho da Federação e do governo portugueses, que aceitaram receber o jogo num tão curto espaço de tempo, salientando o esforço e a organização, reforçando ainda que seria uma tremenda injustiça privar os adeptos de assistir ao pináculo do futebol.

E os outros desportos? As outras competições? As outras áreas? De um momento para o outro abrem-se estádios, abrem-se fronteiras, o paradigma das viagens altera-se, e o governo troça, aplaude e apoia aquilo que se confirmou como desastroso e tumultuoso a vários níveis: desde as cenas de pancadaria à sobreposição das medidas impostas. “Nós comerciantes, somos logo chamados à atenção se estamos com a máscara mal colocada, e os adeptos nem máscara colocam! Mas é bom para o turismo”. Este agri-doce é uma constante na cultura popular. A elevação da consciência, através do nosso jornal tem como principal objectivo impedir este estado de alienação e começa a surtir efeito nas fileiras internas e externas do Partido. Foi tudo muito simples: o presidente da União das Federações Europeias de Futebol (UEFA), com o problema da Turquia (onde estava prevista a realização da final) não estar na lista verde de países para onde os ingleses pudessem viajar, foi contactado pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, e pelo CEO da mesma e administrador da UEFA Club Competitions, Tiago Craveiro, e pelo ministro da educação, Tiago Brandão Rodrigues que disseram: estamos prontos! E assim com o apoio do governo avançou-se para mais um espectáculo decadente do capitalismo.

Depois de vários incidentes e de um saldo negativo, o primeiro-ministro, o homúnculo Bosta proferiu: “não foi perfeito, mas a maioria dos adeptos estiveram na bolha.” Merecia ou não uma solha?!

Até o presidente da República lambe-botas se insurgiu, mas na verdade já sabemos as consequências: não vai dar em nada, e ainda ficaremos bem vistos aos olhos de serpente da União Europeia. Ficaremos, porque continuamos na mesma, ou seja, condenados e submersos no fracasso e miséria por sabermos e dedicarmos mais ao futebol do que aos nossos direitos, quando exigimos mais de um futebolista do que de um político.

Na base destas decisões facilmente percebemos que estão os grilhões que nos amarram às vantagens do capital: aumento de preço (de facto do capital fictício) dos contractos de direitos televisivos, aproveitamento de vantagem comercial (com o aumento do capital variável) nas cadeias hoteleiras que mais pressionam e que detêm maioria dos meios de produção e quase monopolizam os lucros do sector, aumento de receitas para os clubes intervenientes e canalização directa de capital para as organizações com ligações ao governo e autarquias locais. Os parentes pobres terão o seu dia. Até lá que se contentem com o entretenimento que damos gratuitamente.

Mas essa gratuitidade tem um preço bem elevado, e a longo prazo instiga na classe explorada a submissão aos vértices de monopólio que o capital engendra sem dó nem piedade. Reflexo da sociedade capitalista onde estamos inseridos, o futebol é um representante desse capitalismo e um dos meios mais céleres para escamotear o antagonismo de classes e suplantar o real problema que assoberba a sociedade. A matriz da União Europeia está presa ao sistema económico vigente, ambos se ancoram entre si, e fazem tudo para manter a todo o custo o domínio da burguesia.

A burguesia necessita destas coisas no seu dia-a-dia, para assim disseminar e aglutinar o opróbrio, a acefalia e o temor constante.

O comunismo é, mais do que nunca, essencial aos homens de hoje, para evitarmos a barbárie material, um aprofundamento das guerras e uma dizimação dos povos pelo imperialismo.

Os filósofos não brotam da terra como cogumelos, eles são os frutos da sua época, do seu povo, cujas energias, tanto as mais subtis e preciosas como as menos visíveis, se exprimem nas ideias filosóficas. O espírito que constrói os sistemas filosóficos no cérebro dos filósofos é o mesmo que constrói os caminhos de ferro com as mãos dos trabalhadores. A filosofia não é exterior ao mundo.”  (Marx, artigo na Gazeta Renana de 14 de Julho de 1842)

A revolução comunista tem de avançar a todo o vapor!

Benjamin

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