INTERNACIONAL

Situação no Médio Oriente
as duas fases do conflito

No dia 28 de Fevereiro de 2026, enquanto decorriam negociações, os Estados Unidos, representados pelo bárbaro troglodita Donald Trump em conluio com o seu aliado e não menos bárbaro, o sionista Netanyahu, atacaram traiçoeira e ilegitimamente o Irão, sob a capa de mudança de regime e de destruir a suposta possibilidade nuclear do Irão, mas com o objectivo claro de, por um lado, alterar a geopolítica do Médio Oriente, fazendo de Israel a potência hegemónica da região e, por outro, satisfazer uma necessidade considerada vital para os Estados Unidos: o domínio energético, o que lhe permitirá, entre outras vantagens, a possibilidade de regular os preços do petróleo. Portanto, os interesses são comuns.

Mas, o que, segundo a fanfarronice do ignorante Trump, seria uma alegre “excursão” ao Irão transformou-se num inferno e, ao fim de 40 dias de ataques arrasadores e indiscriminados ao Irão, assassinando, logo no primeiro dia, 160 crianças, os Estados Unidos, numa atitude teatral em que se subentendia o recurso a armas de destruição massiva, ameaçou a destruição de uma antiga civilização numa noite, foram obrigados a recuar para esconder a derrota que já não podiam evitar e a aprovar, in extremis, um cessar-fogo de duas semanas, cedendo às imposições do Irão plasmadas no documento de dez pontos que este lhes apresentou. E assim a fúria épica acaba numa impotente derrota, já que não atingiram nenhum dos objectivos a que se tinham proposto: o regime do Irão mantém-se; continua a possuir urânio enriquecido e um programa nuclear civil; Continua a apoiar os seus parceiros no Iémen e Líbano; continua a ter misseis balísticos.

Por seu lado, para concretizar o objectivo antigo da criação da Grande Israel como potência hegemónica regional e única com nuclear, os sionistas continuaram a sua política expansionista, exercendo o terrorismo de Estado (não esquecer o genocídio de Gaza, a construção de novo colonatos na Cisjordânia e a ocupação dos montes Golã), atacando e assassinando milhares de elementos do povo libanês, recorrendo à velha argumentação já utilizada na tentativa de extermínio do povo palestiniano: eliminar os “ terroristas” do Hezbollah. O ataque violentíssimo sobre civis libaneses no dia em que foi declarado o cessar-fogo tem exactamente esse significado. A verdade é que até hoje continuam a arrasar o sul do Líbano, independentemente de acordos de cessar-fogo. Israel é um Estado terrorista, sanguinário e assassino!

Neste contexto de barbárie, com destruição propositada de infraestruturas e de civis, o Irão desenhou a sua estratégia de defesa e sobrevivência: o enfraquecimento do capitalismo americano com a eliminação das bases norte americanas na região, mostrando-os como incapazes de defenderem os seus vassalos; o encerramento do Estreito de Ormuz, desferindo com essa medida um golpe fatal na economia mundial que, em pânico, reagiu imediatamente, o que certamente não deixou de ter efeitos no recuo dos EU. Saliente-se que associado ao controlo de passagem dos petroleiros, o Irão exigiu os pagamentos em yuans ou bitcoins, conduzindo à desdolarização com sérias repercussões na dívida americana. Esta guerra mostra que no actual estádio do imperialismo todas as guerras são globais com efeitos sistémicos tanto ao nível da redução como da acumulação de capital.

Neste conflito, em que a Europa e a NATO assumiram uma posição hipocritamente ambígua de não participação sem, contudo, ficarem completamente de fora, falando de uma eventual participação na situação do Estreito de Ormuz, eis que surge a figura do cavaleiro vassalo Zelensky a oferecer os seus préstimos a Israel e aos EU, enviando, tanto quanto se sabe, uma brigada de especialistas em drones. Zelensky mostra, assim, a sua verdadeira natureza fascista, ajudando os seus amigos sionistas ao mesmo tempo que pretende obter lucros à custa da indústria de guerra, enquanto o povo ucraniano morre por uma guerra que não tem em conta os seus interesses.

Terminado o prazo do cessar-fogo, falhadas as negociações na primeira ronda, o Irão continua a não ceder, reafirmando que não haverá negociações enquanto os seus navios estiverem sob ataque, o que, aliás constitui uma violação do cessar-fogo, que Trump estendeu ad eternum, o que, por sua vez, poderá também levar ao encerramento do estreito de Bab-al-Mandeb controlado pelos Houthis. Com esta acção agressiva de bloqueio naval, Trump desencadeará o caos na economia mundial, com consequências gravíssimas e inimagináveis.

É caso para dizer que Trump está completamente enredado nas malhas que teceu! Até agora, obteve uma derrota política e podemos também dizer militar no Irão e defronta-se com sérios problemas internos, quer a nível da população em geral, quer no que respeita à sua base de apoio.

Nesta guerra, como em todas as guerras interimperialistas, a classe trabalhadora não tem de escolher um lado, mas tem de se organizar para poder lutar contra o capitalismo e à escala global. Ainda é um longo e árduo caminho para o qual todos os trabalhadores devem estar preparados, começando por recusar uma economia de guerra e todos os sacrifícios que nos pretendam impor.

Morte ao imperialismo americano!
Morte ao apartaide sionista israelita!

 

pctpmrpp

Partilhar
Está em... Home Internacional Situação no Médio Oriente - as duas fases do conflito