INTERNACIONAL

Mundial de 2022- Catar

O capitalismo previu e premeditou a morte de mais de 6500 pessoas!
O “fantástico” mundo deplorável e de alienação do futebol, serve para entreter o cidadão e matar gratuitamente quem morreu ao sol, trabalhando!


Primeira parte – Introdução

Capitalismo vs Comunismo – teoria

    Este título não deixa margem para dúvidas! É tal e qual o que aconteceu durante as obras de preparação do mundial de futebol de 2022 e o que acontece, diariamente, nas vidas dos trabalhadores. Todos sabemos que o modo de produção capitalista mata. Mas para o destruir temos de o conhecer.
    Ora vejamos: o processo/modo de produção capitalista é marcado por uma relação social em que vigora um antagonismo bem marcado: os que possuem os meios de produção, incluindo a compra da força de trabalho (capitalistas) e os que não os possuem (trabalhadores), que apenas têm a sua força de trabalho para vender. A pergunta que devemos fazer, em seguida, é:
     Mas, como é que a sociedade capitalista se reproduz e sobrevive?
    Os principais meios de produção (o capital) são adquiridos com capital, ou seja, capital dinheiro para investir na produção. São eles o direito de utilização das máquinas e da fábrica, as matérias-primas, a energia, determinados serviços e a força de trabalho. Nessa relação, o trabalhador é obrigado a vender a sua força de trabalho ao capitalista para garantir a sua subsistência. A sua mão-de-obra/força de trabalho é, portanto, uma mercadoria que ele vende em troca de dinheiro, de um salário. Estas são o essencial das relações de propriedade e da organização social do trabalho que estão instituídas no sistema capitalista.
    No sistema capitalista impera o lucro. Tudo é possível, tudo é colocado em prática desde que exista lucro; tudo “são números”, mesmo que se alcancem os fins sem olhar a meios, desde que determinada situação conflua em mais-valia para o patrão, para o capitalista, para o capitalismo. Mais-valia significa lucro quando realizada, mais valor na mercadoria produzida do que a soma dos custos da mesma. E a magia está na única mercadoria, insumo de todas as outras, que ao ser consumida produz um valor superior ao seu próprio valor: a força de trabalho. É aqui reside a base do lucro no sistema capitalista, não é na “superior inteligência” de uns quantos, mas no seu capital e/ou roubo prévios.
   Concluímos, então, que no sistema capitalista tudo gira em torno do lucro.
   Contudo, e devido a outro factor também presente nas relações de produção capitalistas, a alienação, trabalha para que os trabalhadores não tenham consciência da sua exploração.

  A alienação tem muitas formas e surge nas mais diferentes situações, e o capitalismo é especialista em alienar/arroubar, de modo a manter o seu sistema como uma corrente invisível. A alienação consiste principalmente no afastamento do trabalhador do produto final do seu trabalho. No sistema capitalista, o trabalho é dividido ao longo de uma cadeia de produção, e os trabalhadores participam apenas numa parte da construção ou montagem sem terem conhecimento do produto final.
 É esse afastamento que esconde a extracção da mais-valia. Existe uma disparidade entre o valor produzido pelo trabalhador e a remuneração que ele recebe. A mais-valia representa a disparidade entre o salário pago e o valor produzido pelo trabalho. Podemos então entender, como trabalho não pago, ou seja, são horas que o trabalhador cumpre e valor que gera pelo qual não é remunerado.
    Por exemplo, uma jornada de trabalho diário de oito horas: vamos supor que o salário desse trabalhador corresponde a três horas de trabalho por dia, o seu trabalho necessário seria três horas. As outras cinco horas de trabalho diário, por sua vez, compõem o trabalho excedente, cujo valor vai para o capitalista (patrão). Logo, existem cinco de extracção de mais-valia.

… Ele [o Capital] é essencialmente comando sobre trabalho não pago. (…) O segredo da auto expansão ou valorização do capital reduz-se ao seu poder de dispor de uma quantidade determinada de trabalho alheio não pago.” (MARX, O Capital, Livro 1, Secção V, Capítulo XVI).

    Desta forma, só a tomada dos meios de produção da parte dos trabalhadores pode derrubar o sistema capitalista e acabar com a exploração, e assim, através de uma revolução comunista, será possível instaurar um novo modo de produção: o modo de produção comunista.

Segunda parte/Continuação

Capitalismo vs Comunismo – prática

    Em 2022 realizar-se-á o mundial de futebol no Catar.
  Mais de 6500 trabalhadores migrantes, da Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka morreram no Catar desde que o país se prepara para receber o campeonato do mundo de futebol de 2022.
    De acordo com dados governamentais da Índia, Bangladesh, Nepal e Sri Lanka, 5927 trabalhadores migrantes morreram entre 2011 e 2020, nas obras em que trabalhavam no Catar. Por sua vez, dados da embaixada do Paquistão, no Catar, apontam para mais de 824 mortes de trabalhadores paquistaneses entre 2010 e 2020. Um genocídio que dura há uma década e ninguém faz nada!
    Desde que as ruas de Doha (Capital do emirado do Catar) se encheram de multidões para celebrar a vitória do Catar, enquanto anfitrião do campeonato do mundo de futebol, em Dezembro de 2010, estima-se que, em média, 12 trabalhadores migrantes tenham morrido a cada semana.
    Nos últimos dez anos, o Catar embarcou num programa de construção sem precedentes para receber o Mundial de 2022. Todo o tipo de construções: estádios, edifícios, um novo aeroporto, sistemas de transportes públicos e hotéis — onde é que já assistimos a isto? É esta “força” que o futebol promove nas sociedades e que, utilizando os seus lobbies, canaliza o erário público para as prioridades de um evento de grande envergadura, com a justificação de receber turistas, ter uma organização e hospitalidade condizente com o propósito e mais uma data de conversa fiada. Depois, tal como cá, os estádios ficam ao abandono. Algo típico do capitalismo: assegurar a abundância e privilegiar a ostentação para mimar a classe dominante mundial e minar através da alienação a classe operária.
    Segundo uma investigação do jornal britânico The Guardian, o total de mortes é “significativamente mais elevado”, uma vez que estes números não incluem os dados de vítimas mortais de outros países que enviam um grande número de trabalhadores para o Catar, como as Filipinas e o Quénia, nem as mortes ocorridas nos últimos meses de 2020.
    O Catar, que será o primeiro país do Médio Oriente a receber esta competição, tem sido pressionado por várias organizações. Foquemo-nos, por exemplo, no que diz a Amnistia Internacional (AI). Em 2016, a AI denunciou a "exploração alarmante" dos trabalhadores estrangeiros no Catar, em especial os de origem asiática, que a "organização não-governamental de defesa dos direitos humanos" disse estarem a ser "tratados como animais". E mudou alguma coisa? Não!
    Dos locais de trabalho chegam relatos impressionantes destas pessoas que trabalham incessantemente para construir todas as infra-estruturas necessárias para o campeonato do mundo de futebol no Catar.
   “Um pesadelo!
  Em Setembro do ano passado, um trabalhador morreu electrocutado enquanto trabalhava. Passados praticamente seis meses, a família ainda não recebeu qualquer indemnização — e terá ainda de pagar parte do empréstimo que o mesmo contraiu para trabalhar no Catar.
    Em 2016, um relatório publicado pela AI revelou que os trabalhadores que construíram um dos novos estádios "sofreram abusos sistemáticos, em alguns casos trabalho forçado". Entre os 132 trabalhadores entrevistados, todos admitiram ter sofrido algum tipo de abuso e ameaças.
    Segundo revelou a AI, os trabalhadores eram forçados a trabalhar sob a ameaça de retenção do pagamento, entrega à polícia ou impedimento de abandonar o Catar.

O abuso de trabalhadores migrantes é uma mancha na consciência do futebol mundial. Para os jogadores e os apoiantes, um estádio para o Mundial de futebol é o lugar dos sonhos. Para alguns dos trabalhadores que falaram connosco, pode parecer um pesadelo”, disse o secretário-geral da AI, Salil Shetty. “Apesar de cinco anos de promessas, a FIFA falhou quase completamente em impedir que o Mundial se baseasse em abusos aos direitos humanos”, acrescentou Shetty.    

E qual foi a posição da FIFA?

  A FIFA respondeu que “os acidentes na construção das infra-estruturas do Mundial têm sido baixos comparado com outros grandes projectos” !!! É impressionante, e ainda piora, a ousadia e falta de compaixão deste organismo. O Mundial de Futebol no Catar esteve envolto em polémica desde o anúncio de que o país iria acolher a competição, em 2010. As autoridades catarianas são suspeitas de subornar a FIFA — e até Nicolas Sarkozy, ex-Presidente francês, foi investigado por ter sido alegadamente subornado para apoiar a escolha do Catar para o Mundial de 2022.
    Em Março de 2020, muitos trabalhadores ficaram presos nos locais de trabalho, que foram encerrados devido à pandemia da Covid-19. Sem condições sanitárias ou humanitárias, os trabalhadores foram colocados em quarentena, em espaços sobrelotados.
    Entre as causas de morte destes trabalhadores, os dados do Governo apontam para acidentes rodoviários, acidentes no local de trabalho e suicídio. Mas entre todas as explicações, a mais comum é descrita como “causas naturais”. Só entre os trabalhadores indianos, o número de mortes atribuídas a esta causa é de 80%.
    O jornal defende que estas classificações são feitas sem uma autópsia e não fornecem uma explicação médica legítima para a causa das mortes. Em 2019, por exemplo, foi revelado que a vaga de calor foi uma das principais causas de morte de muitos trabalhadores.
    Uma forma moderna de escravatura!
  O escândalo foi tão grande que, em 2014, um relatório dos próprios advogados do governo do Catar propôs um estudo sobre as mortes de trabalhadores migrantes por paragem cardíaca e a alteração da lei para que fossem permitidas autópsias “em todos os casos de morte inesperada ou súbita”. Mas o governo não seguiu o conselho.
    “O Catar continua a arrastar esta questão crítica e urgente num aparente desrespeito pela vida dos trabalhadores”, critica Hiba Zayadin, investigadora do Golfo para a Human Rights Watch (HRW).
    O governo do Catar defende, por sua vez, que o número de mortes é proporcional à dimensão da mão-de-obra migrante. “A taxa de mortalidade dessas comunidades está dentro da faixa esperada para a dimensão e a demografia da população. No entanto, cada vida perdida é uma tragédia e nenhum esforço é poupado para tentar evitar todas as mortes no nosso país”, anunciou o governo, através de uma nota emitida por um porta-voz. De notar que a tristemente comprometida “comunidade internacional”, sempre pronta a incensar os relatórios das suas ONGs, como a AI e a HRW, neste caso se tenha colocado cega, surda e muda. Para as ONGs, ficar calado perante tal genocídio, seria a morte do artista; para a “comunidade internacional”, ficar muda e queda perante esse mesmo genocídio, é sinónimo de “sabedoria clássica”, ou seja, não afrontar os prevaricadores para os convencer pela razão. Claro está, porque são dos nossos.
    Porque é que os dirigentes da FIFA e do futebol, seleccionadores e treinadores e jogadores, agentes e empresários não dizem nada? Porque são parte interessada e interesseiros, são cúmplices de tudo isto e muito mais da corrupção e esquemas envolventes no futebol. Quando assistirmos ao mundial de futebol seria bom que nos lembrássemos daqueles que ficaram enterrados nas obras que permitem agora o espectáculo! Ora são capitalistas ora são classe dominante, e isto só mudará quando a classe trabalhadora tiver em seu poder os meios de produção!
    O comunismo dará voz aos refugiados/migrantes que chegam em caravanas pelo mar, e se arrastam como podem no seu próprio país e são vítimas de opressão e dos carrascos capitalistas. Enquanto a elite flácida e plástica não perceber que as invasões e revoluções têm como objectivo exigir o seu quinhão não teremos paz, justiça nem liberdade. Somente o comunismo libertará o homem dos seus próprios grilhões.
    Aconselho o leitor a ler novamente a primeira parte, para que a segunda parte seja outra e mudem de vez as regras do jogo!

    Pela vitória da revolução comunista!

15Abr2021

Benjamin

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