Partido

Policentrismo – eu avisei!

Num artigo que escrevi para o Luta Popular online, sob o título Policentrismo, entretanto “apagado” das suas páginas – vá-se lá saber porquê –, afirmava que “...se instalou no seio do Partido uma corrente que...” o camarada Arnaldo Matos, “...tal como no passado o havia feito Lenine, classificou de oportunista e revisionista”, corrente à qual dei a designação de policentrista.

Mais adiante, e no mesmo artigo, alertava para o facto de “...o terreno favorável para que tal corrente mine e enfraqueça o Partido Comunista Operário...”, a nível interno, “...é o da ausência de uma liderança ideológica marxista forte, coerente, enérgica e dominante...”, sendo que, a nível externo, a questão principal assenta no “...total alheamento das massas e das suas lutas, a ausência de estudo e discussão política, desde a célula de base ao Comité Central, passando pelas estruturas organizativas intermédias, em que deve assentar a organização comunista e operária...”.

No artigo em questão, denunciava o facto de que “...esta corrente policentrista...” estar a ser “... alimentada pelo tarefismo, pelo basismo, por aquela noção idiota pequeno-burguesa que priviligia a individualidade e o ‘pensar pela própria cabeça’, como se o conhecimento científico não fosse fruto de uma vivência social e política activa, da qual resulta a consciência da história e, mais do que isso,  dos meios e métodos de que os comunistas e os operários se devem munir para a transformar...”.

Pelos vistos, e como vai sendo recorrente acontecer, devido à total ausência de estudo – quer individual, quer colectivo – muito poucos camaradas quiseram dar ouvidos à minha prelecção e, pior do que isso, darem a devida atenção e combate aos sinais por mim evidenciados.

Pois bem, o Partido vê-se agora confrontado com um ataque inaudito da linha liquidacionista, porque a inacção que se instalou no seio do Partido favoreceu a constituição, primeiro, o enraizamento, depois e, finalmente, um ataque soez sem precedentes, que poderá colocar em causa a sobrevivência do Partido.

Esta clique comporta-se como todas as cliques que o Partido teve de enfrentar no seu passado. Cria um clima de afronta e desrespeito pela autoridade do Comité Central, atacando os princípios fundadores do centralismo democrático, levando a cabo encontros, para as quais convoca os camaradas que considera mais permeáveis às suas pretensões golpistas.

Cria um clima em que surge como a salvação para o Partido, quer a nível teórico e ideológico, quer organizativo, quer ao nível financeiro ou de divulgação e propaganda. E fá-lo apropriando-se – sem vergonha – do trabalho de outros camaradas, fazendo crer que  foi trabalho realizado pelos próprios. Tudo para esconder e escamotear as suas responsabilidades políticas e funcionais na situação financeira, organizativa e política em que se encontra o Partido. Esquecendo-se que hoje existe uma pegada digital que não deixa espaço para a mentira e a manipulação dos factos.

Apesar de estúpidos e preguiçosos, se não se lhes der um combate feroz, tomarão de assalto o Partido. Para fazer o mesmo que até agora fizeram. Isto é, bloquear a acção de massas que deve caracterizar um Partido Comunista Operário, levar o Partido à bancarrota e à eminência de penhora e impedir que o Partido se organize segundo os princípios marxistas, desde a célula de base até ao topo, o Comité Central, passando pelas estruturas intermédias de direcção. Sempre, claro está,  segundo o princípio do centralismo democrático, a discussão política e o estudo permanente e a lealdade comunista.

No supracitado artigo, alertava ainda, para o facto de haver actualmente no Partido uma permanente “...recusa do centralismo democrático...” e da “...discussão política séria e leal, segundo os princípios marxistas...”, para concluir que é a um permanente clima de noite das “facas longas” a que se assiste, “...de cliques que se organizam para ‘derrubar’ o centro – que quase não existe ou, pelo menos, pouca influência tem - e conquistá-lo de forma golpista. A intriga, a malidecência, o assassinato de carácter, a mentira, são as ferramentas a que este tipo de corrente deita mão...”.

Tal como aconteceu no caso de outras cliques que, no passado, tentaram o mesmo tipo de actuação golpista, esta clique oportunista e liquidacionista, apanhada de surpresa pelo anúncio da decisão do Comité Central no passado dia 12 de Outubro do corrente ano, de realizar o I Congresso Extraordinário do Partido – tarefa que o nosso querido camarada Arnaldo Matos considerava vital para o clarificar de campos no seio do Partido –, revelou, num primeiro momento, a sua adesão a tal iniciativa para, num segundo momento, empenhar-se em bloquear a sua efectivação, como está neste preciso momento a fazer, quer apresentando demissões por mail, quer saindo das reuniões quando as suas propostas não merecem adesão dos restantes camaradas que nelas participam.

Como afirmava no supracitado artigo, esta clique liquidacionista, apesar de mais estúpida, laxista e mentirosa do que as que a precederam, sabe “...que, apesar de não ser uma garantia de que tal venha a acontecer, a discussão que precede e acompanha toda a realização de um Congresso de um Partido Comunista Operário, facilita a discussão política e ideológica e favorece a clarificação das duas linhas no seio do partido – a linha burguesa, revisionista e liquidacionista, e a linha operária, comunista...”.

Apelo, pois, a todos os camaradas que se unam como uma rocha em torno do Comité Central do Partido e da linha que, no seu seio, representa a esquerda e o futuro!

11NOV19

LJ

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