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Seguro e a Plataforma de Sines: Uma proposta coxa e oportunista!

porto de sines 01No encerramento da conferência distrital sobre Conhecimento e Economia do Mar, integrada na convenção do Partido Socialista “Novo rumo para Portugal”, António Seguro defendeu este sabado em Setúbal que Portugal deveria dar prioridade, no âmbito do aproveitamento dos recursos do mar à transformação do porto de Sines numa grande plataforma logística intercontinental.

Aparentemente dir-se-ía que Seguro e o PS tinham sido bafejados pela luz da razão e – mais vale tarde do que nunca – compreendido as razões, os objectivos e pressupostos que levaram o PCTP/MRPP a defender de há muito este projecto.

Porém, defender a plataforma de Sines, sem defender a recuperação do tecido produtivo é o mesmo que querer que um carro faça 3.000 kms sem rodas. Pior ainda, é defender – como o faz Seguro - que tal recuperação deve ser feita à custa de fundos estruturais vindos da União Europeia, precisamente a estrutura política do imperialismo germânico que levou à destruição do tecido produtivo em Portugal com o corolário de destruição massiva de forças produtivas e de desemprego, miséria, dependência crescente e perda de soberania que a adesão do país a este espaço acarretou.

Confinando o projecto ao aproveitamento da plataforma de Sines, o que PS e Seguro escamoteiam é que, sem exploração das minas de ferro – mormente as de Moncorvo - não se pode produzir aço. Ora, para produzir esse aço seria necessário recuperar a Siderurgia - e em particular a linha de chapa de laminagem a frio fundamental para fornecer a indústria de reparação e construção naval e a indústria metalomecânica e metalúrgica de que depende este sector.

Siderurgia essencial, também, para o sector ferroviário, quer para a construção de carruagens, quer para a construção de carris e de ferrovia. Ferrovia necessária para a construção de linhas ferroviárias em bitola europeia que assegurem o escoamento das mercadorias que passarão a entrar e a sair da Europa aproveitando o remodelado Canal do Panamá que, devido às obras de alargamento já permite a navegação dos maiores super porta-contentores que demandam os continentes asiático e americano para o outro lado do Atlântico e cujo primeiro porto de águas profundas que encontram na Europa é precisamente o de Sines.

Como se pode esperar de um individuo como Seguro que nunca denunciou o Memorando de Entendimento com a tróica germano-imperialista e de um partido como o PS que o assinou, que pudessem ter uma visão adequada ao aproveitamento da plataforma de Sines para tornar Portugal a porta de entrada e de saída do essencial das mercadorias de e para a Europa, municiando o país de verdadeiros instrumentos de soberania e de um novo paradigma económico a favor do povo e de quem trabalha?


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