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NOVO Banco: Temos uma Banca Privada, paga com o dinheiro do povo?

Fomos os primeiros, em 2014, a denunciar que o Grupo BES estava falido. Defendemos, desde sempre, que o banco devia ser nacionalizado e os responsáveis pela sua fraudulenta falência serem julgados e encarcerados.
Volvidos seis anos, apesar de continuarmos a defender exactamente o mesmo, o que é certo é que o governo de Costa e seus lacaios – a um dos quais, o ex-ministro das Finanças, Mário Centeno, foi dada, a título de reforma de ouro antecipada, o cargo de Governador do Banco de Portugal – já nem sequer se dá ao trabalho de mentir quanto a quem vai pagar o buraco do NOVO BANCO, o tal banco bom que derivara do descalabro do banco mau, o BES.
O leitor mais desatento, que agora ouvir Rui Rio do PSD, António Costa, primeiro-ministro e secretário-geral do PS, Jerónimo de Sousa do PCP ou Catarina Martins, do BE, pensará que estes personagens nada têm a ver com o caso. Mas têm! Todos eles se negaram, na devida altura, a avançar para a solução da nacionalização do BES – por acção ou inacção. Todos eles escamotearam que quem iria pagar a factura da falência daquele banco, era a classe operária e os trabalhadores.
Agora, nenhum deles nega que é o Estado, através dos impostos que rouba aos contribuintes, que está a salvar o NOVO BANCO. Divergem, entre eles, apenas e tão só, quanto ao montate do chimbalau que vai ser apresentado ao povo. Sempre como empréstimo, claro, apesar de todos saberem que será ... a fundo perdido!
O cerco que na altura montámos ao então governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, começou em 15 de Abril de 2014 quando, num texto assinado pelo nosso camarada Arnaldo Matos e publicado no Luta Popular online, este denunciou a falência do BES e a responsabilidade de Carlos Costa nessa falência. Artigo ao qual podem ter acesso aqui: Banco de Portugal e BES: Quem Supervisiona o Supervisor?

O nosso camarada Arnaldo Matos, nesse mesmo artigo, denunciava também um nado-morto que dá pelo nome de  Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública da Assembleia da República, que tinha o dever de supervisionar o governador do Banco de Portugal (BdP) e não o fez.
No artigo a que fazemos referência – lembramos que, datado de Abril de 2014 –, o camarada Arnaldo Matos denunciava de forma viva e resoluta, como era seu timbre, sobretudo os grupos parlamentares do PS, do BE e dos Verdes, por estarem a esconder a falência do BES, de que todos receberam dinheiro.
E a verdade é que, volvidos 6 anos daquele artigo e de uma Comissão de Inquérito de que resultaram conclusões pífias, sem qualquer consequência prática, a única coisa que os oportunistas do BE da Catarina sabem, pela sua porta-voz para as Finanças – Mariana Mortágua – resume-se a ressuscitar, a famigerada Comissão de Inquérito que aquela Comissão criou para, está-se mesmo a ver, obter os mesmos resultados que a anterior, isto é, Ricardo Salgado e os restantes responsáveis à solta, a gozarem de reformas milionárias e os contribuintes a pagarem o empréstimo que o Fundo de Resolução, com dinheiro público, enterrou no NOVO BANCO.


Num tuíte datado de 25 de Junho de 2018, o nosso camarada Arnaldo Matos questionava-se: “MAS NINGUÉM CONTROLA A BANCA PORTUGUESA?”. Os marxistas não se dão ao trabalho de elaborarem as suas denúncias e pontos de vista sobre premunições ou especulações. Sabem perfeitamente qual a natureza de classe da banca e do seu regulador – o Banco de Portugal – e sabem, também, que interesses servem ao encobrir a corrupção generalizada que se apoderou do sistema financeiro e bancário em Portugal.
Em 2016 já se sabia que essa ausência de controle, por parte do regulador – o Banco de Portugal - , favorecia todo o tipo de negócios sórdidos e alimentava cadeias de favores e corrupção. E sabiam-se os nomes dos beneficiários – como, por exemplo, o Berardo, o Nuno Vasconcelos, o Rafael Mora, entre muitos outros.
E é por isso que hoje, ao assistirmos a uma Mariana Mortágua, com aquele seu ar imbecil e falsamente ingénuo a dar-se ares de grande expert, a vociferar contra o Banco de Portugal por não fazer acompanhar a auditoria realizada ao NOVO BANCO com a identificação dos principais devedores, só nos apetece perguntar – o BE não sabia já quem são?!
Seis anos!!! E um Ministério Público inapto que não soube perseguir todos esses crápulas, levá-los a julgamento e metê-los – como diria o nosso camarada Arnaldo Matos “depressa e já” – na cadeia!
E, entretanto, temos um negócio mais do que obscuro na compra do NOVO BANCO pela Lone Star. Venda realizada com base num contrato cujo conteúdo continua sem escrutínio e que já custou ao erário público – via Fundo de Resolução – mais de 4 mil milhões de euros! Um escândalo que levou o camarada Arnado Matos, no supracitado tuíte de Junho de 2018 a perguntar: “Temos uma Banca Privada, paga com o dinheiro do povo? Trabalhamos cada vez mais, cerca de 50 horas por semana, aos Sábados e Domingos, com o salário mais baixo da União Europeia, e ainda pagamos os roubos dos ladrões de bancos?
Não podem vir os partidos do “arco parlamentar”, sobretudo aqueles que se prestaram a ser muletas do governo PS, vir agora mostrar-se indignados. Eles estiveram lá, durante quatro anos, a aprovar as Leis do Orçamento de Estado que o PS ia impondo. E, continuam lá. Com a aprovação da Lei do Orçamento de Estado para 2020 e, pelos vistos, preparam-se para fazer o mesmo para o orçamento de 2021. Leis do Orçamento que tinham inscritas as verbas que alimentaram este regabofe que dá pelo nome de NOVO BANCO!


Operárias e operários: organizemo-nos e lutemos contra a exploração capitalista, com tudo o que tivermos à mão!

04Set2020

LJ

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