INTERNACIONAL

Eleições presidenciais em França – nada de ilusões!

Sem prejuízo de voltarmos ao assunto, os resultados das eleições presidenciais realizadas ontem em França, ganhas pelo candidato do PSF, François Hollande, merecem-nos de imediato os seguintes comentários:

1. Em primeiro lugar, há que registar como um facto positivo, quer para o povo francês como para os povos da Europa, a derrota e queda desse sinistro salta pocinhas que dá pelo nome de Sarkozy, autêntico valet de chambre da chancelerina Merkel, que desde sempre serviu de capacho às ambições hegemónicas da Alemanha e que até ao fim da campanha se esforçou por captar o apoio dos sectores da direita francesa mais retrógrada.

2. Por outro lado, a vitória de Hollande, enganosamente apresentada como uma vitória da esquerda, que não foi, muito menos constitui motivo para embandeirar em arco, como se apressaram a fazê-lo o PS e BE, quanto ao futuro dos trabalhadores europeus, em particular, dos países, como Portugal, alvo de um ataque sem precedentes por parte da Tróica germano-imperialista, onde também pontifica a família europeia, a que Seguro tão orgulhosamente faz questão de invocar pertencer. Por outro lado, convém referir que Hollande deveu uma parte da sua votação – e, por conseguinte, da sua vitória - a um sector do eleitorado do partido da extrema direita de Marine Le Pen.

3. Para além de algumas promessas, à Sócrates, manifestamente demagógicas, o presidente francês recém-eleito não mostra dar garantias, nem pode, de levar a uma inversão radical da política até agora seguida pela UE, sob a hegemonia germânica, sendo que, mesmo no que respeita ao chamado tratado orçamental imposto pela Sra. Merkel – que, curiosamente, abriu logo os braços a Hollande - este não fala de uma revisão e, muito menos, da sua revogação, mas da elaboração de uma adenda que contemple medidas para o crescimento, aliás, também recentemente desejadas pela própria Alemanha. E, mesmo na própria França, se verá do alcance real destas eleições para o PSF, aquando das eleições legislativas do próximo mês de Junho, tendo, designadamente, em conta os resultados globais da direita na primeira volta das presidenciais (mais de 30%).

4. No que toca aos efeitos do resultado destas eleições em Portugal, não haja ilusões – nada de essencial se modificará relativamente às medidas terroristas adoptadas pelo governo PSD/CDS para, através de uma brutal exploração e enorme empobrecimento de quem trabalha, tentar fazer os trabalhadores portugueses pagar uma dívida que eles não contraíram. Neste campo, é manifesto que a solidariedade dos capitalistas franceses, seja com Sarkozy ou com Hollande, não se modificará. Pode este falar em crescimento – no que até Coelho e Cavaco se revêem -, mas não para quem se recuse a pagar a dívida e assim perturbar a estabilidade das economias do eixo franco-germânico.

5. E quanto a Seguro, como é possível vitoriar a eleição de Hollande pelo facto de este aparentemente se mostrar discordante do tratado orçamental, quando o PS, ao contrário do que sucedeu com o seu colega espanhol, votou favoravelmente a ratificação desse tratado em Portugal, ao lado do PSD e CDS?



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