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INTERNACIONAL

A Grécia e a Manipulação da Liturgia dos Mercados

Para os ideólogos e políticos do capitalismo, incluindo os socialistas europeus, deus é o capital e a igreja é o mercado.

Ora, tal como para os católicos, sem ofensa das suas ideias religiosas íntimas, a santa madre igreja católica, apostólica e romana e os seus papas são a verdade, assim também para os políticos e ideólogos do capitalismo a verdade são os mercados ou é ditada pelos mercados.

Convém pois conhecer a liturgia dos mercados, como aos cristãos a liturgia das igrejas, se se quiser obter respostas boas e oportunas sobre as verdades do capitalismo.

Se os mercados são a verdade e ditam a verdade, então quando os mercados subscreveram os títulos de dívida pública de um determinado país – a Grécia, Portugal ou a Irlanda – tal só pode significar que os mercados mostram a sua total confiança na economia desse país, pelo que a verdade verdadeira é a de que, tendo os mercados expressado confiança, o país em causa revelou total capacidade para sair da crise.

Para obter a declaração verdadeira da capacidade de um país para sair da crise, há pois que convocar a liturgia do mercado.

Ora, tal como os sacerdotes, os economistas são exímios em liturgia de mercados. Senão, vejamos!

Ontem, dia dez de Abril, e após um jejum de quase cinco anos, a Grécia voltou ao mercado da dívida pública e o Tesouro grego conseguiu colocar nesse mercado a quantia de três mil milhões de euros em títulos da dívida pública, por um prazo de cinco anos, a um juro que se diz inferior a 5%, mas ninguém quantifica com exactidão...

O governo grego - constituído por dois partidos de direita e os restos do agónico partido socialista helénico – embandeirou em arco, frisando que só vendeu 3 mil milhões de euros de dívida, mas que tinha no mercado propostas de compra para mais 20 mil milhões de euros...

É como quem diz que a Grécia tem os seus problemas económicos, financeiros e orçamentais resolvidos, que a sua economia é pujante e que os helenos estão a sair da crise, à custa do tratamento impingido pela Tróica.

Antonis Samara, primeiro-ministro reaccionário grego, declarou à comunicação social (que a Grécia) “deu mais um passo decisivo” na sua libertação e ultrapassou “o mais imparcial dos juízes – os mercados”.

Evangelos Venizelos, actual vice-primeiro-ministro da Grécia e secretário-geral do partido socialista grego, que levou o país à bancarrota, como fará em Portugal o seminarista Seguro se o deixarem, considerou um sucesso o comportamento dos mercados. Até Wolfgang Schäuble, aquele ministro alemão das finanças que cochichou no ouvido do nosso Vítor Gaspar, exclamou de contentamento: ”ah, os primeiros frutos estão a aparecer”.

Enquanto tudo isto oficiavam, nas mais diversas línguas, os sacerdotes dos mercados, na Hélada, em Atenas e no mesmo dia, junto à sede do Banco da Grécia, outros gregos faziam explodir um automóvel armadilhado, que assim punha a nu a pseudo-verdade dos mercados.

O atentado não foi reivindicado, embora a polícia acuse, sem nenhuma prova, os militantes do grupo marxista 17 de Novembro.

Examinemos agora os truques que envolveram a liturgia grega dos mercados.

A Grécia, país a que já foi perdoada mais de metade da dívida pública, tem actualmente uma dívida pública de 130% do produto interno bruto, uma dívida, apesar do perdão de metade, ainda parcialmente equivalente à dívida pública portuguesa, que é do montante de 215 mil milhões de euros e equivale a 130% do nosso PIB.

Empréstimos obtidos nos mercados a um juro próximo dos 5% são totalmente impagáveis, pois seria necessário que a economia grega crescesse a uma taxa superior a 5% ao ano só para poder pagar os juros.

Uma taxa de 5% de juros é uma taxa suicida. A austeridade e a miséria terão de crescer continuamente ao longo de mais de 40 anos, para poder aliviar a dívida só dos juros sem contar com o capital.

Neste ponto, já estará o leitor mais perspicaz a perguntar: mas se o juro de 5% é impagável, como é que se explica que tenham aparecido no mercado investidores a adquirir 3 mil milhões de euros em títulos do Tesouro grego?

É simples, e tem que ver com a tal liturgia dos mercados. O governo grego começou por contratar seis grandes bancos internacionais: Bank of Merrill Lynch, Golden Sachs (sempre ele, o já primeiro responsável pela crise mundial do subprime, em 2008), JPMorgan, Morgan Stanley, Deutsche Bank e HSBC.

Este sindicato de bancos internacionais, a troco de uma comissão que elevará em mais 2% o juro de 5% negociado nos mercados, é responsável por angariar investidores que multiplicarão as ofertas (20 000 milhões de euros) na operação (limitada a 3 000 milhões de euros).

É essa a liturgia do mercado: os truques para enganar o mercado e suscitar nele a resposta que dá normalmente interesse ao país devedor e aos seus credores. É uma espécie de swap para a aquisição da dívida pública.

Não é de admirar que, à porta do banco onde se oficiou esta missa negra dos mercados, tenha explodido um automóvel armadilhado...

Tais truques litúrgicos não foram inventados pelo governo grego, que já deu mais que sobejas provas de ser tão estúpido que faz duvidar que essa gente descenda dos génios que aprendemos a amar na Grécia Antiga.

Também a Irlanda, em 2012, recorreu ao mesmo sistema, e obteve, com a ajuda do respectivo sindicato bancário, um investimento de 5,23 mil milhões de euros, à taxa de quase 6% de juro; e já neste ano de 2014, alcançou pelo mesmo processo a compra de dívida no montante de 3,250 mil milhões de euros, por dez anos, à taxa de juro de 3,5%.

E como às mesmas feiras vão sempre os mesmos tolos, Passos Coelho e a ministra que tem nome de homem também foram à feira dos tolos, logo em Janeiro de 2013, com a emissão de dívida no montante de 2,5 mil milhões de euros, por cinco anos, à taxa de 5%, e repetiram o passeio do mercado em Janeiro deste ano, emitindo mais 3,25 mil milhões de euros, à taxa de 4,95%, também pelo prazo de cinco anos.

Só que o sindicato bancário a que Portugal recorreu para suporte da operação é formado exclusivamente por bancos portugueses, o que colocou todos os principais bancos nacionais à porta da falência. É por isso que o BPI de Fernando Ulrich já está em fuga, desfazendo-se por todos os meios dos papéis da dívida pública portuguesa.

A diferença em relação à Grécia está, por enquanto, em que nenhum carro armadilhado explodiu ainda à porta do Banco de Portugal...



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