Ensaio

Ainda o debate em boa hora lançado pelo camarada JC
O camarada JC vem a público debater um fenómeno de grande actualidade e da maior importância para ser interpretado com precisão e intersectado com a rapidez de acção necessária à desactivação das ínvias pretensões dos seus mentores. Perante esse fenómeno político, popularmente chamado de extrema direita, constituído por assunções abertamente fascistas, inclusivamente nazis, e que tanto apavora como alicia uma pequena burguesia oportunista e poltrona, o camarada JC questiona o leitor quanto a que base económica essas manifestações correspondem e lhe dão curso.
Para o efeito vou referenciar-me pelo que em São Miguel observo e pelo que conheço da história desses movimentos assassinos na europa, especialmente no que foram os doze anos de eternidade para quem viveu ou mergulha na sua atroz progressão de 1933 até à derrota militar em 1945.
O Chega em São Miguel é dirigido por um pequeno comerciante com negócio na Lagoa, vila recentemente elevada a cidade na costa sul a poucos quilómetros de Ponta Delgada, primeira e até há poucos anos única cidade na ilha.
Os poucos apoiantes que conheço dessa agremiação política são de origem burguesa ou aspirantes a burgueses em situação económica longe de os satisfazer e com fortes ambições de proeminência política e financeira.
Pelo que acompanhei na comunicação social essa organização contém também pessoas com expectativas judiciosas e democráticas descontentes com as políticas e partidos políticos de mais de quarenta anos de estafado parlamentarismo burguês.
Nada de espantar pois tal espectro social esteve também presente na configuração do partido nazi. Não por acaso o nome, Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP).
O Chega vem depois do fiasco dos partidos socialista, social-democrata, democrático social...! tudo um ror de socialismo e de democracia a procurar acompanhar o passo do forte movimento de massas pré e após 25 de Abril de 1974!
Hitler depois de tomar o poder de Estado rapidamente assassinou e mandou assassinar todos quantos no seu partido podiam bulir com os interesses dos grandes grupos industriais alemães a que rapidamente se colou depois de feita a revolução que lhe deu a liderança no país.
Por ora André Ventura não assassinou nenhum dos seus correligionários de partido mas já fez intromissões que alguns dos seus candidatos nos Açores consideraram abusivas levando mesmo a cisão política. Não conheço mas gostaria de conhecer as alterações constitucionais que o Chega pretende consagrar assim como todas as suas outras exigências para viabilizar um governo do PSD/CDS/PPM nos Açores.
A que grupos económicos André Ventura ou outro eventual líder a ganhar maior proeminência no Chega se junta e se toma por testa de ferro? A ver vamos e se algum camarada já viu que o diga. Quanto a São Miguel e quanto ao imediato suponho que o sector do chamado comércio tradicional dá-lhe aplauso nuns casos assumido noutros oculto.
Quanto ao comentário do camarada JC relativamente ao que afirmei numa primeira entrada no debate chamo a atenção para o ter retirado ilações num parágrafo que truncou! Mesmo assim não deixa de ser candente a questão que coloca quanto à caracterização da sociedade portuguesa hoje. Acho no entanto que “classe intermédia” e “monólitos”, são vocábulos muito pouco exactos para tal efeito.
Não tenho as estatísticas do que se passa no continente português mas no caso dos Açores ronda os 95% a população dependente de um salário ou de um subsídio. No continente julgo que não deverá ser percentagem tão elevada. Mas não ficará muito longe pois os comportamentos dos eleitores não divergem assim tanto dos deste arquipélago!
05Nov2020
Pedro
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