Ensaio

O Populismo é um produto da decomposição do capitalismo

 O que eles propagam é a ideologia e o comportamento burguês e pequeno-burguês decadente: nacionalismo, regionalismo, racismo, xenofobia, autoritarismo, conservadorismo cultural e religioso. Catalisam medos, expressam a vontade de se fechar sobre si próprio, rejeitam as velhas “elites” desacreditadas, para poderem substituí-las. Assim, o ressurgimento do populismo abalou o jogo político tradicional, resultando numa crescente perda de controlo do aparelho político burguês clássico no campo eleitoral. 
Para salvaguardar as suas sinecuras e funções políticas, os partidos tradicionais tentam suavizar a sua imagem impopular, ao apresentar-se, apesar de tudo, como mais "humanistas" e mais "democráticos" do que os populistas. De modo geral, o populismo é o produto da decomposição do capitalismo. Expressa a incapacidade das duas classes fundamentais e antagónicas – a burguesia e o proletariado –, implementarem as suas próprias perspectivas (Guerra Mundial ou Revolução), gerando uma situação de “bloqueio momentâneo” e de apodrecimento da sociedade. 
Evidentemente, nesta fase actual da degenerescência, a burguesia não é mais capaz de oferecer um horizonte político capaz de mobilizar e suscitar adesão. Inversamente, a classe operária não consegue reconhecer-se como classe social e, principalmente, como uma classe com uma missão histórica (abolir todas as classes sociais). Não desempenha nenhum papel verdadeiramente decisivo e suficientemente consciente. Isso levou a um impasse em termos de perspectivas políticas. Além disso, a falência dos regimes revisionistas e social-fascistas incentivou amplamente o refluxo da consciência de classe e do movimento operário. Permitiu que a burguesia mundial reforçasse a maior mentira do século XX, a saber, a identificação do capitalismo de Estado com o comunismo. E assim alimenta uma enorme campanha de matraqueamento ideológico para proclamar a "falência do marxismo" e a "morte do comunismo", "o fim da história" (sic). 
Foi o que conduziu à ideia de que não existe nenhuma alternativa para opor ao capitalismo. 
É neste contexto de recuo do movimento operário, de declínio dos velhos partidos revisionistas e social-democratas, dos ideais progressistas, que devemos recentrar o crescimento do populismo, dos comportamentos anti-sociais, do islamismo e dos fenómenos separatistas. O apagamento da classe operária da cena política, a desintegração dos partidos ditos socialistas e comunistas, o desmoronamento da cultura operária, o declínio da "moralidade" operária, deixaram o caminho livre à burguesia decadente e à sua ideologia mortífera. 
Em conclusão, nesta fase contemporânea caracterizada pela ausência de qualquer perspectiva política, cresce a desconfiança de tudo o que releva da "política". Um fenómeno favorecido pelo descrédito dos partidos tradicionais da burguesia. Daí o sucesso dos partidos populistas que defendem como principal instrumento de propaganda a rejeição das "elites", dos políticos corruptos, mas sempre no âmbito da manutenção do sistema capitalista. Daí também o sucesso das ideologias reaccionárias: sentimento generalizado de "nenhum futuro – nada no horizonte", a explosão das ideologias que propugnam o fechar-se sobre si mesmo (narcisismo pequeno-burguês), de um retorno a modelos reacionários arcaicos ou niilistas.
Os marxistas têm a obrigação de fazer um esforço organizativo para que a classe operária retome o processo de “consciência de si” como classe e, através do reforço da organização, da discussão e estudo político do marxismo, se comecem a preparar e a armar para o confronto que a oporá, de forma consequente, à burguesia e levará a que cumpra o seu devir histórico de acabar com o obsoleto modo de produção capitalista e, ao fazê-lo, criar as condições para a construção de uma sociedade sem classes, de homens e mulheres livres.
26Out2020
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