EDITORIAL

As Lágrimas do Crocodilo Jerónimo 

 

                                                                                                Arnaldo Matos

 

O grande problema – lastimava-se Jerónimo de Sousa, secretário-geral do autodenominado Partido Comunista Português, na festa de Verão da organização regional de Leiria –“o grande problema é que nunca houve uma coligação de esquerda. Houve unicamente uma nova arrumação de forças”. 

Que Jerónimo de Sousa tenha levado três anos a entender a alhada em que se meteu quando empurrou para São Bento o partido socialista minoritário de António Costa e o prometeu defender com uma rede de partidecos ditos de esquerda na assembleia da República, mostra não apenas a pouca inteligência de Jerónimo, mas sobretudo o oportunismo revisionista mal cheirosodo sucessor do oportunista Barreirinhas Cunhal. 

Também Cunhal, aí por 1974,convocou à pressa um congresso para extirpar do programa e estatutos do partido social-fascista as referências às armas, à luta armada e à ditadura do proletariado, deixando o terreno livre a toda a sorte de alianças desde o PS de Mário Soares aos fascistas de Spínola. E, apesar de se ter aliado com toda essa canalha, acabou refugiado no 25 de Novembro de 1976 na embaixada da Checoslováquia, acossado pelos seus próprios aliados de véspera. 

Jerónimo também convocou um congresso para opor à Tróica, um governo democrático, patriótico e de esquerda onde cabia tudo o que se pudesse imaginar, designadamente a fórmula actual em vigor com o PS sozinho, a aliar-se conforme entenda tanto com o PCP, o Bloco, os Verdes, quer com o PSD e o CDS consoante melhor parecer à sobrevivência do comboio dos monhés. 

Ora, não é apenas pouco inteligente o Jerónimo, mas é sobretudo um revisionista oportunista acabado vir chorar lágrimas de crocodilo para Leiria, como o fez no Domingo passado, lamentando-se que a sua proposta de dar o poder ao PS de António Costa não tenha produzido uma coligação de esquerda, mas uma mera arrumação de forças. 

Para todos os efeitos , uma coligação é sempre uma arrumação de forças políticas, incluindo uma coligação de esquerda que nesse caso seria uma arrumação de forças de esquerda. A arrumação, porém, que conduziu ao governo actual de António Costa, enquanto ministro do mesmo governo, é uma arrumação oportunista de direita e nasceu da reaccionária imaginação de Jerónimo. 

No lacrimal de Leiria, Jerónimo lastima-se, ao fim e ao cabo, de não ter participação no governo de Costa, tal como Cunhal acabou sempre participando nas arrumações dos governos provisórios, com o seu ministério sem pasta. 

Quando for mais velho, Jerónimo talvez consiga perceber que a sorte dele e do PCP está precisamente em não terem participado agora no governo de Costa e terem ficado pelas meras arrumações parlamentares. 

Hoje, todas as operárias e todos os operários portugueses sabem que o apoio do PCP à governação do PS de António Costa constitui uma traição de lesa- majestade ao movimento revolucionário operário em Portugal. 

Com a arrumação obtida, o PCP encurralou o movimento operário na obediência ao governo do PS, um governo de terrorismo de direita, com a maior perseguição fiscal de todos os tempos e a amior dívida pública de que há memória. 

O PS é um partido reaccionário que funciona  ao serviço do imperialismo europeu germano-francês: O PS está aí para pagar as dívidas aos imperialistas e para submeter os operários a uma política de exploração terrorista. O PS é um partido da reacção e os seus aliados, como o PCP e o BE são também partidos da mesma reacção. 

Jerónimo já devia saber que a aliança do PS à escumalha do PSD e do CDS é a melhor maneira de isolar o capitalismo português e preparar as forças do proletariado para a sua revolução emancipadora. 

O PCP, o Bloco, os Verdes, o partido dos cachorros estão no poder apenas para dar à burguesia o apoio e a cobertura   de que necessitam para explorar cada vez mais as operárias e os operários. 

Tudo vai dar à dívida. E o PCP de Jerónimo é um partido paga-dívidas; logo, um partido traidor dos proletários. 

Vai começar a discutir-se o orçamento de Estado de 2019. Jerónimo, Catarina e Apolónia preparam-se para votar e aprovar o orçamento. Marcelo já os avisou que têm de aprovar o novo orçamento de Centeno. 

Todos vós – PCP, Bloco, Verdes- até agora lacaios do capital, tendes a obrigação de votar contra o orçamento de Centeno e de Costa, o orçamento já em adiantado estado de preparação e que Marcelo pretende ver aprovado pela esquerda. 

Marcelo quer agora apresentar-se em Bruxelas e proclamar que, em Portugal, até a esquerda (PCP,Bloco, Verdes) é imperialista. 

Ora, é preciso dizer não, rebente por onde rebentar.

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