EDITORIAL

Empresa de Limpeza Facility Services Lda.- Porto

O capitalismo no seu esplendor acabará por desabar, porque o marxismo jamais há-de cessar (do nosso correspondente).

No mês passado chegou até mim, através da rede de contactos do Partido, uma denúncia sobre mais uma exploração sem limites inerente ao capitalismo.
A situação estava relacionada com as funcionárias da empresa de limpeza Facility Services Lda.
Na Rua de Camões nº 155, Porto, onde funciona o Diap (Departamento de Investigação e Acção Penal), Serviço Externo, Balcão Nacional de Arrendamentos, Balcão Nacional de Injunções, ou seja, todo este edifício ao lado e por cima da Caixa Geral de Depósitos, da Rua Gonçalo Cristóvão, está afecta aos tribunais, são 6 andares.
A empresa de limpeza em questão, de nome Facility Services Lda escraviza ao máximo as funcionárias: quando alguém falta, não colocam mais funcionárias, obrigando-as a trabalhar mais tempo e sem receber mais por isso. Existem casos de funcionárias que trabalham 2,45h, 2h a mais, ou seja, escravizam o máximo de pessoas e dão pouco tempo a cada uma; costumam pagar no fim do mês, mas em Dezembro passado não pagaram, fizeram pressão e receberam em Janeiro, mas apenas o vencimento. No entanto, continuam a dever-lhes o subsídio de Natal. São funcionárias muito pobres, para as quais todas as migalhas são necessárias. As firmas que fazem a limpeza estão sempre a mudar, mas a ideia fundamental é escravizar. Uma das funcionárias pediu ajuda, pois está com bastantes dificuldades económicas.
Com base nesta informação, dirigi-me, no início do mês, à respectiva morada e pedi aos seguranças que estão na recepção do edifício, para falar com uma funcionária de limpeza da empresa Facility Services Lda. Constatei uma certa admiração e até me questionaram se estava tudo bem e qual o meu nome. Em pouco tempo veio uma senhora ao meu encontro, apresentei-me, dizendo-lhe que era representante do PCTP/MRPP e que gostaria de saber em que situação salarial ela e as colegas se encontravam, pois tinha recebido uma denúncia em jeito de apelo no sentido de poder ajudar e prestar o melhor apoio possível que estivesse ao meu alcance. A senhora relatou e confirmou tudo: O subsídio em atraso, salários em atraso noutras situações passadas, a imposição de trabalharem mais horas, quando alguma colega faltava, sem esse pagamento ser devidamente reposto/efectuado. Contou-me que o DIAP tinha enviado um mail a pressionar a empresa, para actualizar os pagamentos, mas que não obtiveram resposta. Falou-me de casos de colegas que estavam a passar uma fase muito delicada e complicada, pois não tinham sequer dinheiro para comer e tinham de comer em casa de amigas ou familiares; casos de jovens funcionárias com filhos cuja situação grave de salários em atraso e ausência de pagamento do subsídio de Natal estavam a dificultar-lhes "muito a vida". Disse à senhora que estava pronto para avançar com uma denúncia e com toda a mobilização que fosse necessária no sentido de dar um novo rumo à situação. A senhora agradeceu mas disse-me que gostaria de falar com mais colegas e eu prontamente compreendi e disponibilizei-me para ouvir mais vozes de indignação para com o que estava a ocorrer. Quando vim embora, a revolta invadiu-me as entranhas, mas senti um apreço enorme pela coragem demonstrada pela senhora nas suas palavras sem receio, apesar da angústia e da tristeza, e senti também uma admiração sem fim pela camaradagem demonstrada pelo facto de não querer tomar decisões sem antes falar com as colegas de trabalho. Menciono ainda que essa senhora estava sozinha nessa manhã e sugeriu-me ir outro dia ao final da tarde.
Reparem meus prezados leitores, falamos de um órgão público. Enviaram um mail para causar pressão? Onde é que está a solidariedade de que as câmaras/governo/estado tanto se pavoneiam? Não existe. Existe demagogia, falsidade e incompetência. Tudo reflexos de um sistema que se arrasta de lobbies ou grupos de influência, que é compadrio nas tomadas de decisão dos privados que (se) domesticam, e que tolera, suporta e esbanja uma postura subalterna, defendendo a mudança constante de empresas que possam em conluio com a nata podre que nos manieta, oprimir os mais oprimidos.
Não esqueçamos também a inacção e inoperância da ACT (Autoridade das Condições do Trabalho) neste caso, e já agora, nem sabem informar as regras dos recibos verdes. Mas isso já fica para outro texto.
A semana passada recebi um telefonema do camarada que fez a denúncia, a dizer que a situação tinha ficado regularizada! Que as senhoras estavam muito contentes e gratas, e que pelo menos até ao momento, o mais importante tinha ficado resolvido. O camarada salientou a minha ida ao local pois supostamente isso causou pressão aos mandatários corruptos da dita empresa com passagem fugaz, certamente pelos serviços de investigação e acção penal. Nesta postura venal confirma se o inevitável, só perante o que pensaram ser uma ameaça, pagaram o que é devido. Deste lado apenas foi feito o que qualquer cidadão comum poderia fazer, tivéssemos nós mais instalado na sociedade o marxismo. Há que aproveitar as sessões de estudo do marxismo que estão prestes a acontecer na sede do Partido. Futuramente iremos fazer junto destas mulheres (que ganham o salário mínimo, à proporção das horas que trabalham, pensemos no escasso que isto é!) acções de propaganda com o intuito de consciencializar os direitos das trabalhadoras. E com certeza convocar estas senhoras de limpeza para a primeira reunião de 2018 do Partido no norte do país.
Uma pequena vitória foi almejada. Mas é um grão de areia no denso e longo areal de oportunismo e corrupção que nos assola.

Temos de estar firmes para a luta e nunca dar tréguas ao inimigo, nunca! Compete a todos os camaradas e simpatizantes a leitura diária do marxismo e o confronto constante contra o capitalismo. Uni-vos!

Sofronisco.


Nota da Redacção
O camarada Sofronisco, nosso correspondente da luta na empresa de limpeza Facility Services Lda, acima publicada, fez acompanhar o texto da sua correspondência por um excerto do livro de Karl Marx Manuscritos Económico-filosóficos e da audição da belíssima Sinfonia n.º 1 de Brahms. Ainda que não seja fácil adoptar essa extraordinária ideia em todos os textos do jornal online do Partido, aceita-se publicar a sugestão do nosso correspondente.


"A apropriação do objeto aparece como alienação a tal ponto que quanto mais objetos o trabalhador produz tanto menos pode possuir e tanto mais fica dominado pelo seu produto, o capital. Todas essas consequências decorrem do fato de o trabalhador ser relacionado com o produto de seu trabalho como com um objeto estranho. Pois está claro que, baseado nesta premissa, quanto mais o trabalhador se desgasta no trabalho tanto mais poderoso se torna o mundo de objetos por ele criado em face dele mesmo, tanto mais pobre se torna a sua vida interior e tanto menos ele se pertence a si próprio. Quanto mais de si mesmo o homem põe em deus, tanto menos lhe resta. O trabalhador põe a sua vida no objeto, e sua vida, então, não mais lhe pertence, porém, ao objeto. Quanto maior for sua atividade, portanto, tanto menos ele possuirá. O que está incorporado ao produto de seu trabalho não mais é dele mesmo. Quanto maior for o produto de seu trabalho, por conseguinte, tanto mais ele minguará. A alienação do trabalhador em seu produto não significa apenas que o trabalho dele se converte em objeto, assumindo uma existência externa, mas ainda, que existe independentemente, fora dele mesmo, e a ele é estranho, pois com ele se defronta como uma força autônoma. A vida que ele deu ao objeto volta-se contra ele como uma força estranha e hostil." - (Marx, Manuscritos econômico-filosóficos)

https://youtu.be/EGRqIGOAPcE - Sinfonia nr 1 de Johannes Brahms

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