CULTURA

UM ACORDAR SANGRENTO…

Espartaco

(Espártaco)

    UM ACORDAR SANGRENTO…    

Eu gosto de ver
Como se afogam os sonhos!

Já alguma vez vistes
Uma muralha de felicidade esbatida
Atrás de um focinho de melancolia?

Foi preciso eu beber do lodo
E os vermes me morderem
O corpo todo…

Ao meio-dia tocaram os sinos
E os olhos molhados da noite a fugir
Tocaram em mim.

E o tapume calcado,
Com gotas de orvalho na calva da cúpula,
Aos vossos olhos, emerge uma louca catedral.

Grito ao granito!…
E, com o meu grito furioso,
Cravo um punhal no céu da torturada carne.

Olho o Sol!

Estrela minha, tem piedade!
Não vês que é por ti
Que o meu sangue se verte
Correndo nas valetas dos caminhos terrestres?!

Tempo!

Não deixes que a minha honra se esfume.
Apesar de ti
– Pintor de ícones mutilado pelas catástrofes –,
Grava o meu rosto
Com discos de fogo
Numa rocha de granito cristalino
Em grande estilo!…
Para que eu possa, contigo,
Lembrar aos homens
Que aqui eu vivi… E soube que existi!

José Cruz

Partilhar
Está em... Home Cultura UM ACORDAR SANGRENTO…