Quem ainda ouvir falar Marinho e Pinto, recente fundador do Partido Democrático Republicano, sempre com a boca ruminando moral e expelindo ética, há-de pensar que o homem já foi padre ou dorme com a Metafísica dos Costumes à cabeceira.
Ora, todos os sacristas desse tipo são, na vida prática, o exemplo contrário do que apregoam.
Aqui o ano passado, num programa semanal televisivo com o seu íntimo amigo Goucha, com o qual programa ganhava 29 800 euros limpinhos limpinhos, Marinho atacou cobardemente o PCTP/MRPP por receber do Estado, como todo e qualquer partido político com mais de 50 000 votos nas últimas eleições gerais, nos termos da Lei nº 19/2003, de 20 de Junho, uma subvenção para ajuda às suas despesas políticas, segundo orçamento e contas que terão de ser apresentados anualmente ao Tribunal Constitucional.
Nessa ocasião, Marinho era Bastonário na Ordem dos Advogados e recebia mensalmente o vencimento equivalente ao do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para poder exercer em exclusividade o mandato de bastonário. Ocultando o facto à Ordem, Marinho arrecadava da Tvi cerca de 3 000 euros mensais, manifestamente incompatíveis com a exclusividade do mandato.
Marinho, como se vê, comportava-se como um sicofanta, se bem que a palavra, oriunda do grego antigo, significava ladrão de figos, e agora terá de ser aplicada a ladrões de euros, como ao Marinho de Vila Chã.
A melhor de todas, porém, estava para vir, e foi o jornal do Belmiro quem a descobriu: Marinho terá embolsado, quando deixou o cargo de Bastonário, em Janeiro de 2014, um subsídio de 54 460 euros, para reintegração na actividade profissional de advogado.
Embolsado o subsídio, Marinho mandou a advocacia às urtigas, e integrou-se em definitivo na actividade da política, o que está no seu direito de cidadão fazer ou não fazer.
Porém, se resolveu ingressar na política, então não tem direito ao subsídio de reintegração, arbitrado pela Ordem apenas para os bastonários em exercício exclusivo do mandato, quando regressam à vida profissional de causídico.
Mais uma vez o Marinho, o sicofanta de Vila Chã, esmifrou à Ordem, limpinhos limpinhos, quase 55 000 euros.
Curioso é que Marinho, que ainda na semana passada esgadanhava Passos Coelho por se recusar a esclarecer quanto ganhou na Tecnoforma e no Centro Português para a Cooperação, se tenha negado a esclarecer os jornalistas sobre a crucial questão de saber se recebeu ou não o subsídio de reintegração profissional. Acha Marinho, o homem que dorme com a Metafísica dos Costumes à cabeceira, que sobre a sua vida como bastonário não tem nada a dizer, porque é uma questão de advocacia, que não faz parte da sua vida pública.
Mas então de que vida é que faz parte a profissão de um homem?
Convirá não esquecer que Marinho, enquanto foi bastonário, atacou sempre os advogados – no meu ver, bem – que misturavam a advocacia com a política. Mas agora vejo que advocacia e política deverão ser actividades separadas, mas que para Marinho, os dinheiros provenientes de uma e da outra actividade não terão de ser separados, a não ser no interior do mesmo bolso…
Não admira pois que o sicofanta de Vila Chã esbombardeie os ordenados escandalosos - a palavra é dele – de Bruxelas (18 000 euros mensais, limpinhos limpinhos), quando está avezado a embarcar com uma mão 3 000 euros ao mês no programa do Goucha, e treinado a embarcar com a outra 8 000 euros ao mês, na Ordem dos Advogados. Não contando com os subsídios e as subvenções, que essas nem sempre são mensais.
O certo certo é que o sacrista já vai avisando que 4 000 euros por mês, limpinhos limpinhos, enquanto vencimento de deputado em São Bento, é francamente pouco…
Meus caros leitores: os meus amigos hão-de ver que, em matéria de sofreguidão pelo dinheiro, o Marinho é ainda pior que o Cavaco.
Olho nele! Olho neles!...
Espártaco
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