Partido

A Morte dum Camarada

Arnaldo Matos

Em menos de um mês, morreram-nos dois camaradas, militantes do Partido, no Algarve: no dia 20 de Janeiro, o camarada Dâmaso, em Vila Real de Santo António, e no dia 15 de Fevereiro, o camarada Feijão, em Tavira.

O camarada Dâmaso foi operário da indústria conserveira e o camarada Feijão foi contra-mestre da marinha mercante, duas actividades económicas nacionais da máxima importância, liquidadas pelos governos de um energúmero que chegou a presidente da república e ainda de lá não saiu.

Os camaradas Dâmaso e Feijão foram militantes do Partido durante quarenta e um anos, desde o 25 de Abril de 1974 até morrerem, e qualquer deles se destacou como intrépido combatente e dirigente esclarecido do movimento comunista operário nos seus sectores de trabalho e de luta: o primeiro, nas greves das operárias e operários conserveiros, e o segundo nas lutas, incluindo greves nacionais duríssimas, dos trabalhadores e trabalhadoras da marinha de comércio.

Morreram ambos de doenças graves e prolongadas, o camarada Dâmaso sempre a trabalhar, até ao último momento, à frente de uma pequena empresa tecnologicamente inovadora no domínio das conservas, sobretudo do atum, empresa que ele próprio concebera e fundara, e o camarada Feijão, também sempre activo até ser internado no hospital onde nos deixou para sempre, em Portimão.

Até aos anos oitenta, altura em que os liquidacionistas se apoderaram da direcção do Partido, quando um camarada adoecia, ou por desventura falecia, era sempre acompanhado em vida, tanto ele como a sua família, pelos amigos e camaradas da sua célula e pela direcção local do Partido. Quando morria, as células do Partido, em todo o país, guardavam um tempo na primeira reunião a seguir ao desenlace, para recordar e enaltecer o exemplo da vida e da luta do camarada, fortalecendo assim a unidade do Partido e, no fundo, a unidade da própria classe operária e de todo o movimento proletário.

Trouxe-vos aqui a memória dos camaradas Dâmaso e Feijão precisamente porque morreram sem que um único militante do Partido em todo o Algarve, a começar pelos seus dirigentes regionais, os tenha visitado durante as suas longas doenças, tenha apoiado política e solidariamente as suas infortunadas famílias e – pasme-se! – não os acompanharam sequer nos seus funerais!...

E também de nada informaram nem o jornal nem o comité central do Partido.

Este desmazelo mostra bem o estado em que os liquidacionistas deixaram o Partido de onde foram corridos, a total falta de consideração que manifestavam pelos camaradas que deram dezenas de anos da sua vida pelo Partido e pela luta do movimento comunista dos operários, a falta de solidariedade política, moral e proletária para com os camaradas revolucionários e o desprezo pelos seus exemplos de luta e de dedicação para com o proletariado e para com o povo.

Compare-se esta atitude da mais abjecta indignidade da parte dos liquidacionistas pela vida e luta dos militantes do Partido, com os sentimentos oportunistas e egoístas que exibem quando adoece ou morre alguém da família deles: um desses dirigentes oportunistas ia ao ponto de distribuir nas redes sociais e pelo Partido boletins clínicos sobre o estado de saúde da mulherzinha que tinha lá em casa, quando esta foi internada numa clínica particular de Lisboa, como se os seus amiguinhos do facebook e os militantes do Partido houvessem de ser chamados a preocupar-se, por um qualquer inexplicável e desconhecido dever de militância, com o que se passava na vida privada do casal e a fazer vigília por uma coisa pessoal que ele desencantara no fundo da mais primitiva extrema-direita reaccionária. Era de morrer de ridículo, se o ridículo porventura matasse.

Egoísmo nauseabundo quando estão em causa as preocupaçõezinhas pessoais dos liquidacionistas, desprezo revoltante pela vida e saúde dos militantes e das massas, quando estão em causa exigências de solidariedade proletária e comunista revolucionárias…

Esperemos que os dirigentes do Partido no Algarve saibam analisar estes gravíssimos erros herdados do capitulacionismo e dos capitulacionistas, para escorraçá-los definitivamente do nosso seio e restaurar a unidade e solidariedade combativas de um verdadeiro partido comunista proletário.

        17.02.2016 

 
 
 
 


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