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Viva a Luta dos Estivadores do Porto de Lisboa!

Os estivadores do porto de Lisboa, associados do Sindicato dos Estivadores e Actividade Logística (SEAL), decidiram entrar em greve no passado dia 19 de Fevereiro pois, apesar de esta estrutura sindical sempre se ter manifestado favorável a negociações com as entidades patronais, estas têm vindo, de forma sistemática e reiterada, a quebrar todos os acordos até agora estabelecidos.

A classe operária e os trabalhadores lembrar-se-ão certamente da gloriosa luta que os estivadores levaram a cabo em 2018 pela conquista dos seus direitos e, sobretudo, contra a precariedade.

Luta em que o governo do PS – com o beneplácito das suas muletas do PCP, BE e Verdes – interveio a favor das entidades patronais, mandando a polícia de choque reprimir os piquetes de greve que foram constituídos para contrariar o ilegal e anti-constitucional recurso a fura-greves que, ademais, não possuiam qualquer qualificação para este tipo de operações.

Todos se lembrarão do espectáculo de pura repressão a que se assistiu no porto de Setúbal para que o governo subserviente de Costa e Centeno assegurasse o transporte e a exportação de milhares de viaturas produzidas pela Auto-Europa.

Pois bem, volvidos 2 anos sobre as negociações, que tiveram, inclusive, o alto patrocínio e mediação do governo –através da DGERT -, os estivadores, segundo o SEAL, ainda são “convidados” pela AETPL a participar numa reunião, que teve lugar na manhã do passado dia 19 de Fevereiro, para, segundo se pode ler no blogue “O Estivador”, “encontrar formas de ajudar a atingir o equilíbrio financeiro da AETPL, e o reconhecimento da actualização salarial assinada em 2018, ainda que a sua regularização pudesse ser calendarizada de acordo com a respectiva negociação”!

Porém,e apesar do SEAL ter acedido em participar em mais esta reunião, solicitada pela direcção da AETPL, na pessoa do seu presidente, Diogo Vaz Marecos, dirigentes e estivadores deram-se rapidamente conta de que o lobo pode perder os dentes, mas não perde os seus intentos!

Ainda segundo o blogue “O Estivador”, num artigo escrito por António Mariano, presidente do SEAL, denuncia-se que o patronato manteve:
•    ...as suas posições articuladas de não garantirem o pagamento atempado dos salários, quando os estivadores de Lisboa vão amanhã entrar em greve no 50º dia de 2020 com 390€ do salário de Janeiro no bolso;
•    recusou, em uníssono, reconhecer as actualizações salariais que assinaram em 2018 – as quais continuam por cumprir – a somar a um congelamento salarial que vigora desde 2010;
•    continua a recusar actualizar o tarifário da AETPL – o valor que as empresas do sector definem e facturam a elas próprias, únicas associadas da AETPL – congelado há mais de 26 anos propondo, em alternativa, baixar 15% os salários dos estivadores, em vigor desde 2010.
•    cereja em cima do bolo, avança com a proposta inqualificável, a todos os níveis, de “promoverem” a eventuais/precários/trabalhadores ao turno os 34 estivadores que, desde 2016, passaram a contrato sem termo.
Estas posições, a par da miserável provocação retomada pelo fascista e novo negreiro Diogo Vaz Marecos do estereótipo dos rendimentos de 5.000 euros que os estivadores auferirão, só pode passar pelo redobrar da luta da classe contra este patronato sem escrúpulos, ou seja, a extensão e o agravamento da greve que teve início hoje, dia 20 de Fevereiro.
Só uma luta vigorosa – dura e prolongada é certo – poderá assegurar a vitória dos estivadores e evitar as manobras do patronato consistentes em levar à falência algumas das empresas que operam no sector para abrir novas que possam descartar trabalhadores efectivos e prosseguir e replicar a precarização nas novas estruturas empresariais.

20FEV2020

LJ

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