PAÍS

Quando de heróis os profissionais de saúde passam a vilões!

Todos se recordarão dos “gloriosos” tempos em que António Costa, e o seu séquito de lacaios, glorificavam os profissionais que, na “linha da frente”, eram classificados como os heróis nessa “guerra” contra a pandemia do século.
Todos se recordarão das manifestações públicas de Marcelo e Costa a médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde que salvavam – e continuam a salvar – as vidas daqueles que haviam caída nas “garras” do maldito vírus SARS-coV 2, responsável pela doença Covid-19.
Ele eram palmas e palmadinhas, festas e festinhas, grandes e tronitroantes declarações de respeito, consideração, e até amor, àqueles profissionais. Claro que, nem todos terão entendido que tais manifestações de “afecto” e de “amor” serviam para escamotear a falência do Serviço Nacional de Saúde e o temor de que os “escravos” do sector da saúde não conseguissem dar resposta adequada a um eventual excesso de procura do sistema, por virtude da crise sanitária Covid-19.
O que se aplaudia, pois, era o facto de médicos, enfermeiros, farmacêuticos hospitalares, técnicos de diagnóstico, auxiliares de enfermagem, assistentes operacionais, e outros profissionais ligados à saúde, terem conseguido suprir as consequências de uma gestão criminosa do SNS, baseada num “modelo de gestão capitalista” (just in time, isto é, em modo de navegação à vista), que tinha levado o sistema nacional de saúde a uma ruptura total de meios capazes de fazer face a uma pandemia deste género e extensão.
Indicações dadas pelas diferentes Ordens representativas dos diferentes sectores dos profissionais da saúde, e sugestões que surgiram de críticas justíssimas – quer da sociedade civil, quer de partidos políticos como o PCTP/MRPP – que denunciaram, a montante, a debilidade do sistema e, a juzante, o facto de não ter havido, no início da crise pandémica, um correcto levantamento da capacidade produtiva do país em dar resposta à necessidade de equipamentos vários de saúde e segurança, que permitissem que fosse “achatada” a famigerada “curva” epidémica.
A dinâmica imposta ao governo de Costa e seus lacaios menores, começou a traduzir-se por uma progressiva passagem da classificação de pandemia para epidemia – evidência que Costa e o seu governo continuam a negar, apenas formalmente –, com recorrentes diminuições do número de casos de infecção de de morte. E começou a evidenciar o crime que constituiu sujeitar o povo a um confinamento militar e repressivo que em nada contribuiu (como o prova, entre outros, a Suécia que não alinhou nesse carnaval) para conter a pandemia.
Pior! O confinamento assassino teve como consequência uma pandemia muito mais mortífera, responsável por um acréscimo inusitado de mortes, quando comparamos o primeiro semestre de 2020 ao mesmo perídiodo de 2019. Os milhões de actos clínicos e as milhares de cirurgias suspensas ou adiadas, o medo propositadamente instalado na população e que fez com que a procura das urgências diminuisse a pique, provocaram uma número de mortos 4 a 5 vezes superiores ao que se registaram, alegadamente, com o Covid-19.
E é neste preciso momento que temos de encontrar a razão porque é que de heróis, os profissionais da saúde passam a vilões. Para já Costa elegeu – no contexto da sua famosa táctica de dividir para reinar – nos médicos, mas aguardem por que outros profissionais se seguirão. E não teremos de esperar muito!
As fake news começam a fazer o seu caminho. O episódio do Lar em Reguengos de Monsaraz é paradigmático de uma atitude cobarde, recorrentemente oportunista, por parte de Costa e seus lacaios menores. Tentam, a coberto de um manifesto caso de incúria do Estado em fiscalizar entidades às quais concessiona o direito – e a responsabilidade – de gerir um lar para a terceira idade, criar uma falsa “crise de confiança” e uma campanha de assassinato de carácter daqueles a quem, ainda há bem pouco tempo, glorificava como heróis na “linha da frente”.
Duas razões existem para tal atitude de Costa. A primeira, é a de escamotear o facto de, sendo o Estado a entidade que tutela uma determinada actividade e sector, também é ao Estado que se tem de assacar a responsabilidade de fiscalizar os termos da execução das regras que essas entidades aceitaram incorporar nos seus planos de acção e gestão. Por maioria de razão, essa tutela era exigível no caso do Lar de Reguengos de Monsaraz onde o Estado “enterrou”, apenas em 2019, qualquer coisa como 1,2 milhões de euros! O Estado, para além do que ficou dito, teria de ser diligente em saber como é que o dinheiro que naquela entidade enterrou foi gasto – e mais ainda, porque é que foram atribuídos aqueles montantes e quem efectivamente beneficiou deles!
Mas, a segunda razão é a mais relevante. António Costa, com esta “guerra” fictícia contra a Ordem dos Médicos e os médicos em geral, prepara o terreno para justificar os novos cortes que se prepara para impor ao SNS. Desde logo em salários, na progressão das carreiras dos diferentes sectores profissionais da saúde, no aumento da carga horária que se prepara para impor. E, a melhor forma que encontra para o fazer, é desde já começar uma “campanha negra” contra esses profissionais, começando pelos médicos.
Cortes que não se ficarão por aí. Quem pensasse que existiriam “almoços grátis” que se desiluda rapidamente. Os milhões cagados por Bruxelas – mas ainda não distribuídos - para fazer face à crise pandémica que, manifestamente, agravou a crise económica do capitalismo e do imperialismo mundial, vão traduzir-se num modelo de factura a que já estamos habituados.
O dinhero que jorrará dos cofres do BCE ou do FMI, ou ainda do Banco Mundial, serão pagos com a contrapartida da baixa de salários e aumento da carga horária de trabalho, com a contrapartida da venda dos poucos activos que ainda nos restam, como seja, por exemplo, o mar – recorde-se que a Zona Exclusiva Económica de Portugal abrange uma área superior à área de toda a Europa.
Mas serão pagos, também, com uma dívida que aumenta – quer em valores nominais, quer em % do PIB –, uma dívida que os credores desejam IMPAGÁVEL e, sobretudo, PERPÉTUA, para poderem ter, por um lado, uma renda permanente e progressiva e, por outro, um factor de chantagem e pressão permanentes sobre quem governa este país, para além de um garrote que estrangule a economia e faça vergar a classe operária e o povo.
Exigimos que as diferentes Ordens – Médicos, Enfermeiros, Farmacêuticos, etc. – representativas dos diferentes profissionais da saúde rompam com o perigoso “namoro” em que se deixaram envolver com Costa e o seu séquito de lacaios. De nada lhes valerá esta permanente política de conciliação, em que assentam “exigências” tais como as de que “Costa se retrate publicamente” ou emita um pedido formal de “desculpas”.
Os profissionais da saúde em geral, e os médicos em particular, devem seguir o exemplo de coerência, determinação e resiliência da classe operária na luta contra um sistema e um governo caducos, que não nutrem qualquer empatia pelos seus interesses ou pelos interesses daqueles que trabalham.

24Ago2020

LJ

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