INTERNACIONAL

Madame Ferreira vai pôr a mão na massa dos fundos para o Green Deal

Sabem quem vai gerir os 100 mil milhões de euros do programa de reconversão industrial anunciado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no âmbito de um alegado Green Deal?

A inefável Elisa Ferreira, a mesma que apresentou e fez votar, quando era deputado do PS no Parlamento Europeu, a proposta de Resolução Bancária naquele fórum do imperialismo europeu.  O último golpe fatal na soberania bancária de Portugal que, ainda por cima, se prestou a ser cobaia da implementação de uma medida que nenhum outro país da UE incorporou, sequer, no seu ordenamento jurídico e, muito menos, se atreveu a aplicar.

Madame Ferreira, enquanto Comissária Europeia, terá a seu cargo a criação de um fundo para ajudar as regiões mais severamente atingidas pela transformação dos processos industriais, para os tornar "mais amigos do ambiente".

Ou seja, vai literalmente colocar as mãos na massa! Tudo isto em nome de um Green Deal que escamoteia, por um lado, a origem dos 100 mil milhões de euros – ver artigo publicado no Luta Popular online, Quem vai pagar a factura da reconversão do aparelho produtivo capitalista? – que lhe estão destinados e, por outro, que, sob modo de produção capitalista, nunca existirá nada que se assemelhe, sequer, a um modelo industrial “amigo do ambiente”.

Madame Ferreira foi escolhida a dedo. Os seus patrões – os imperialistas europeus, com os alemães à cabeça – reconhecem os seus préstimos por ter tido um papel decisivo ao convencer da virtude do programa de resolução bancária que apresentou e fez aprovar no último dia do seu mandatocomo deputada do Parlamento Europeu, a 15 de Julho de 2014.

Quem não se recorda da Madame Ferreira a assegurar que, com tal mecanismo, os depositantes estariam a partir daquela altura melhor protegidos e que as verbas para salvar os bancos falidos não sairiam dos cofres do estado, isto é, do erário público criado à custa dos impostos, sobretudo aqueles que têm origem nos rendimentos do trabalho e no consumo das famílias?

Os mais de 9 mil milhões de euros torrados na resolução bancária do BES, BANIF, BPP e outros, e sacados aos bolsos dos operários e trabalhadores portugueses, está aí para demonstrar quem está a pagar tal medida.

Os argumentos para este pomposo Green Deal são, na essência, exactamente os mesmos. Isto é, oculta-se propositadamente a proveniência de tão generosa verba – uma vez mais do esforço, do trabalho, do sacrifício dos operários e trabalhadores europeus – e ilude-se o facto de que a poluição decorre do modo de produção e do aparelho produtivo capitalista e imperialista,  por mais verde que o queiram pintar.

E, uma vez mais, a cenoura! Depois do generoso orçamento, vem Guterres acenar com a cenoura de mais de 65 milhões de empregos. Madame Ferreira não quis ficar atrás e, ao botar faladura sobre este Acordo Verde, lá foi debitando que ele faz parte de uma política de coesão, “...destinada a melhorar a nossa relação com o ambiente e os aspetos que são muito importantes e que têm de ser tomados em conta... por exemplo, uma gestão mais equilibrada e mais eficiente de transportes ou o processo de proteção das nossas habitações para gastarmos menos energia...”. Mais cenouras!

A coesão continua a ser um mito. Que o digam os operários e os trabalhadores  em Portugal , que auferem  os salários mais baixos da Europa e suportam os níveis de custo de vida...mais elevados do continente!!! Isto para além de, no registo estatístico europeu se apresentar o país como estando , invariávelmente, na cauda de qualquer parâmetro que se queira identificar: da saúde à educação, dos transportes à habitação, do bem estar à segurança, é só nomear!

De uma coisa pode ficar Madame Ferreira ciente. Não só o seu Green Deal é um logro cujos objectivos ficarão muito em breve expostos,  como os operários e os trabalhadores europeus lhe reservarão o tratamento que ao longo da história têm reservado a todos aqueles que apostam na traição aos seus interesses.

13DEZ2019

LJ

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