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EDITORIAL

O Social-fascismo de François Hollande:
Combater o Terror com o Terror…

Acontece com os chefinhos de todos os imperialismos menores: o alemão de Ângela Merkel, o britânico de David Cameron, o francês de François Hollande… Como lacaios que são, sempre foram e hão-de continuar a ser do imperialismo ianque, correm a exibir, ao lado do patrão americano, a sua forcinha militar contra os povos desarmados do mundo.

Há cerca de um ano que o social-fascista (socialista nas palavras, mas fascista nos actos) François Hollande despeja bombas indiscriminadamente sobre os povos do Mali, do Chade, da Nigéria, da Síria e do Estado Islâmico, para já não lembrar o que fez Hollande e os seus antecessores no cargo sobre os povos da Líbia e da Síria, do Iraque e do Afeganistão, onde mataram, sem declaração de guerra nem aviso prévio, centenas de milhares de homens, mas também de velhos, de mulheres e de crianças inocentes. Deste terrorismo imperialista não curam as nossas televisões, não falam as nossas rádios, não escrevem os nossos jornalistas, não cuidam os nossos jornais.

Para toda esta escumalha nada conta uma criança síria, uma mulher iemenita, um velho líbio. Todos podem e devem morrer esfacelados por um drone, esquartejados por um míssil de cruzeiro, desfeitos por um obus de artilharia.

Se os povos destes países, em nome dos seus mortos e contra a cobardia dos ataques imperialistas, se vingam em Paris, em Londres ou em Nova Iorque, pois aqui d’el rei que são cobardes, imorais e selvagens. Não entra, nem nunca entrará, na cabeça de George Bush, de Barack Obama, de Tony Blair, de David Cameron, de Sarkosy e Hollande, como de Aznar ou de Rajoy, que os povos desses países, incluindo o do Estado Islâmico em formação, se haverão mais cedo ou mais tarde de vingar, pelos métodos mais sumários e talvez mais bárbaros, da violência cobarde do imperialismo ianque e dos seus lacaios, onde a vingança for possível e o efeito for o mais gritante.

Que dizer de um crapuloso mental como Hollande, que todos os dias, desde que tomou posse como presidente da França, não deixou de mandar matar em África, no Próximo Oriente e no Oriente Médio, homens, mulheres, velhos e crianças, e que, depois da derrota sofrida em Paris no passado dia 13 de Novembro, tem como primeiro pronunciamento público a declaração de guerra ao Estado Islâmico, ele, Hollande, que sem a declarar nunca, já fazia guerra ao Daesh há mais de um ano… As guerras do social-fascista Hollande são como as nossas pescadas, porque antes de o ser já eram…

Trilhando o caminho imperialista do segundo Bush, Hollande em Paris, no dia 13 de Novembro à tarde, aproveitou para declarar pela primeira vez a guerra que já longamente vinha fazendo ao Estado Islâmico, prometendo esmagá-lo com a sua forceta aérea. Coitado do Hollande! Hollande é tão burro que parece não ter compreendido ainda que, com bombardeamentos aéreos conjugados de americanos, russos e franceses, ainda não deu cabo do Daesh e, se de facto o pretendem fazer, terão então que mobilizar 150 000 homens e pôr-lhes as botas no terreno entre o Tigre e Eufrates, sendo certo que, mesmo quando derrotassem no terreno o Daesh, não poderiam sair de lá sem que o povo se levantasse de novo contra os invasores, como sucedeu no Iraque e no Afeganistão, onde os imperialistas perderam a guerra que começaram justamente quando tiveram de retirar com o rabo entre as pernas.

Ora, quantos franceses das tropas de infantaria está o social-fascista Hollande disposto a mandar para a Síria e para o Iraque? E os franceses vão obedecer a François Hollande?

É que Hollande parece também esquecer que não poderão deixar de repetir-se acontecimentos idênticos aos de Paris um pouco por toda a França, isto porque, como ele próprio foi obrigado a reconhecer perante o Senado de França no dia 16 de Novembro, foram franceses que conduziram e realizaram a operação militar em Paris naquela sexta- -feira negra. E se não for totalmente estúpido, Hollande já devia ter pensado que não tem como expulsar de França oito milhões de cidadãos franceses islamizados, vivendo cerca de metade deles em bairros e condições suburbanas, muitas vezes sem emprego e sem salário.

A maneira como Hollande está a tratar todos os cidadãos franceses nas primeiras duas semanas de caça ao homem nos bairros populares de Paris, no começo dos três meses de autêntico estado de sítio então declarado, mostra que o actual presidente francês pensa usar o terrorismo policial como forma de combater os jiadistas e os franceses em geral, pois, até agora, as forças militares e policiais que ocupam Paris já provocaram cinco mortos, cerca de trezentas prisões de cidadãos franceses e centenas de ordens a proibir outros tantos de saírem de casa, para justificarem a morte de um único jiadista.
Hollande propõe-se – e já o solicitou no Senado – alterar a Constituição da República Francesa nos dois artigos que preservam os direitos fundamentais dos cidadãos, designadamente por forma a autorizar a polícia a entrar a qualquer hora da noite nas casas dos cidadãos e a matar os suspeitos nos lugares e às horas em que forem encontrados, mesmo que não haja razão minimamente válida para a maior parte das suspeitas policiais.

Hollande responde ao terror com o terror, seja vomitando metralha sobre os muçulmanos do Estado Islâmico, do Chade, do Mali, do norte da Nigéria, seja aterrorizando a população francesa a qualquer hora do dia ou da noite nas suas próprias casas.

Terror contra terror é um perfeito disparate. Será que Hollande o compreenderá algum dia? Se custou tão caro a Hollande apanhar um único jiadista morto em França, imagine-se quanto não lhe custará apanhar um jiadista sôbolos rios que vão por Babilónia.

02.12.2015

Arnaldo Matos





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