EDITORIAL

Onde Estava o Presidente da Câmara do Porto 

Quando o Governo Vendeu a TAP?

                                                                                                                                                                                                                                    Arnaldo Matos

Rui Moreira, o empresário que é presidente da câmara municipal do Porto desde 22 de Outubro de 2013, tem estado a conduzir, à frente do seu município e, em parte, à frente de todo norte do país e até da vizinha Galiza, uma cerrada luta contra a administração da privatizada TAP, a companhia aérea que já foi nacional e que um governo de criminosos e traidores, dirigido pela tripla conforme Coelho/Portas/Cavaco, vendeu por um pataco a um consórcio absolutamente falido, denominado Atlantic Gateway, que pertence a um energúmeno sem nacionalidade conhecida, que umas vezes é polaco, outras brasileiro e ainda outras americano, que dá pelo nome de David Neeleman, e que tem às suas ordens, para lamber-lhe os sapatos, um tal Humberto Pedrosa, dono da rodo-ferroviária Barraqueiro.

Pois Rui Moreira, com toda a edilidade portuense, ergue-se agora contra a administração da TAP, muito justamente aliás, que está a liquidar todas as rotas que ligavam a cidade do Porto à Europa, obrigando os nortenhos e os nossos vizinhos galegos a deslocarem-se a Lisboa para apanharem o avião da sua conveniência.

Rui Moreira é um político sem ligação partidária, que dirigiu uma lista independente dos partidos às eleições autárquicas de 29 de Setembro de 2013, as quais ganhou folgadamente.

Como político que se apresentou na qualidade de independente dos partidos, Rui Moreira não achou dever pronunciar-se contra a política de liquidação da TAP pelo governo de traição nacional Coelho/Portas, empurrado por Cavaco, deixando sem apoio expresso o movimento popular, que fez tudo o que estava ao seu alcance para salvar a TAP e mantê-la como uma companhia de bandeira ao serviço do nosso País, da nossa economia, dos nossos emigrantes e do nosso povo.

Logo que foi vendida pelo governo de criminosos do traidor Passos Coelho, o consórcio adquirente da TAP começou imediatamente a desfazer-se da companhia, vendendo tudo o que podia ser vendido e desse dinheiro, não para reforçar a TAP mas para reforçar a empresa brasileira de transporte aéreo que David Neeleman tem falida nas terras de Santa Cruz.

Começou por vender os terrenos da TAP na Portela, seguiu-se-lhes a venda dos aviões da Portugália e agora está a Gateway a procurar vender as próprias rotas da companhia, começando por se desembaraçar das rotas que ligam a cidade do Porto aos principais destinos europeus.

Dentro em pouco, não haverá pura e simplesmente TAP.

Rui Moreira é um empresário democrata e inteligente, representante da burguesia compradora nacional portuguesa, e não pode invocar ignorância acerca do destino que estava inevitavelmente reservado à TAP, se o governo insistisse na privatização.

Não se compreende como é que um homem destes nunca foi capaz de erguer a sua voz contra o crime de privatização da TAP, o maior crime cometido contra o nosso País pelos traidores Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva, nos últimos quatro anos.

Mesmo a luta que sob a direcção de Moreira o Norte trava contra a nova administração da TAP é uma luta sem saída.

Moreira e a Câmara do Porto não podem demitir-se de uma luta pela salvaguarda das rotas aéreas portuenses para a Europa. Os patriotas do norte, conjuntamente com o apoio que estão a receber da economia e do povo da Galiza, devem unir-se à luta da classe operária e de todo o povo português para forçar o governo de António Costa a recuperar integralmente a TAP para Portugal, renacionalizando a empresa e levando a julgamento os criminosos que venderam a TAP, num processo que tresanda a corrupção e compadrio.

Não pode haver economia portuguesa soberana e desenvolvida sem a TAP nacionalizada, como estava, e reforçada financeiramente, como nunca os governos anteriores o quiseram fazer.

O Porto deve ser o segundo hub da TAP, autónomo do de Lisboa, pois essa é uma exigência de toda a economia do noroeste peninsular, mas também da economia portuguesa no seu todo.

Dentro de pouco tempo, as regiões autónomas da Madeira e dos Açores ficarão sem ligações próprias, e Portugal restará um país esfrangalhado, sem possibilidade de qualquer unidade física ou de integridade territorial.

Dentro de alguns meses, deixaremos de ter ligações aéreas regulares às nossas comunidades de emigrantes no mundo. De uma massa populacional de 15 milhões de portugueses, ficaremos reduzidos aos 9 milhões do rectângulo europeu. A economia da região norte pura e simplesmente eclipsar-se-á sem apelo nem agravo.

Já que não conseguimos unir todas as nossas forças para impedir a privatização criminosa, unamo-las agora para resgatar a TAP da privatização e limpá-la da administração do Pinto, fazendo da TAP uma pedra angular entre o conjunto das maiores empresas exportadoras portugueses, como sempre o foi.

Rui Moreira e as autarquias do norte estão a compreender à sua custa e à custa do povo português aquilo que há muito tempo deveriam ter compreendido: sem a TAP nacionalizada não há soberania económica, não há turismo português nem independência nacional. Nem Norte de Portugal…

Devemos exigir ao governo actual a nacionalização total da TAP. A privatização foi aliás ilegal, mesmo à face das leis europeias, pois uma empresa de transporte aéreo não pode ser vendida para empresas exteriores à União Europeia. E a TAP foi-o, pois o Humberto Pedrosa e a Barraqueiro não passam de uma manobra do governo de traição nacional Coelho/Portas para fingir que haveria na Atlantic Gateway um sócio de nacionalidade europeia, ou seja, um trânsfuga português.

Anular a privatização e recuperar a nacionalização da empresa, eis o que nos cumpre exigir e fazer!

Já!

 

08.03.2016

 



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