EDITORIAL

A Grande Derrota do Provocador Cavaco

A magistratura presidencial de Cavaco Silva, com violações sistemáticas e contínuas da Constituição da República e do juramento constitucional do Presidente, pôs em evidência a mais grave das lacunas do texto da Constituição: o povo português não tem possibilidade, por meios constitucionais, de afastar um presidente que abuse do poder, cometa crimes, pratique atentados ou viole a Constituição, como sucedeu com Cavaco, sobretudo no exercício do seu segundo mandato.

Na verdade, em Portugal não se pode, por meios legais, destituir um presidente da república, impedir o exercício do seu mandato ou impugnar a sua acção, ainda que criminosa, direito que todavia assiste aos povos de praticamente todos os países democráticos do mundo.

Assim, quando por manifesta falta de conhecimento e consciência política de uma população, calha ser eleito um presidente inculto, deficiente nas suas faculdades mentais, contra-revolucionário de índole fascista, como é obviamente o caso de Cavaco Silva, não se pode destituir o homem senão por um golpe de Estado, uma guerra civil ou uma revolução.

Logo que se apanhou com um segundo mandato, Cavaco indicou, no discurso da vitória, que não era o presidente de todos, mas só de alguns portugueses, e ficou-se logo a saber que esses alguns portugueses também não eram todos, mas só alguns dos que votaram nele: os capitalistas, os banqueiros, os economistas de direita, precisamente as classes corporativas fascistas que ele convocou agora para Belém, quando alimentava a esperança de poder manter, num governo de gestão, ao menos por mais um ano, a coligação de traição nacional PSD/CDS.

Quando precisa de aconselhamento político, o presidente da república deve convocar o Conselho de Estado, nos termos da Constituição. O presidente da República Portuguesa está impedido de consultar e dar ouvidos aos seus familiares, amigos e vizinhos, bem como auscultar as opiniões dos representantes da classe dominante, exploradora e opressora, ou os altos funcionários de Bruxelas, ou a chancelerina Merkel e o imperialismo alemão, ou o secretário-geral da Nato, que é o que fez o fascista

Cavaco nestes quase dois meses transcorridos sobre o sufrágio eleitoral de 4 de Outubro passado.

Cavaco, que apoiou escandalosamente durante quatro anos a sua coligação fascista de traição nacional Coelho/Portas, indo ao ponto de evitar que seguissem para a apreciação do Tribunal Constitucional diplomas parlamentares e governamentais manifestamente inconstitucionais, usando assim um veto político ilegal à verificação da constitucionalidade dos diplomas inconstitucionais, e obrigando a coligação Coelho/Portas a manter-se coligada e no poder, mesmo quando ela não queria, Cavaco tentou até agora, e após o sufrágio de 4 de Outubro, manter o governo Coelho/Portas em funções, nem que fosse como governo de gestão, um governo que o país decidira afastar, negando-lhe a continuidade por falta de maioria parlamentar.

Estrebuchou Cavaco durante mais de quatro anos para manter o seu governo fascista no poder.

Mas, depois de estrebuchar quatro anos, Cavaco caiu derrotado ontem, quando foi forçado a indicar o secretário-geral do PS para primeiro-ministro. Celebremos todos a derrota do fascista Cavaco. Cavaco vai sair de cena como um cão, ganindo e com o rabo entre as pernas, lambendo as feridas que o povo lhe infligiu sem dó nem piedade. Cavaco tem mais três meses para regressar definitivamente ao esquecimento da vivenda da Aldeia da Coelha, para acabar aí os seus dias, entre vizinhos cavaquistas que roubaram o país através da Sociedade Lusa de Negócios e do Banco Português de Negócios, reservando uma quintinha para o seu amigo Cavaco, o mais odioso e reaccionário de todos os presidentes das três repúblicas portuguesas.

Conclamamos a classe operária e o povo a disfrutar desta vitória sobre Cavaco, Passos Coelho e Portas, porque foram os três derrotados pelo povo trabalhador. Temos todos uma semana para assobiar e vaiar Cavaco, pela nossa vitória e derrota dele.

Passada essa semana, encetemos todos um novo combate: a luta contra o governo de Bruxelas que em Portugal passará a ter o nome de governo do PS, com o primeiro-ministro António Costa, e a traição do PCP e do Bloco à classe operária e ao povo português.

Não vos quero estragar a alegria de celebrar a derrota do fascista Cavaco. Mas o que vem aí é uma miséria sem nome, imposta por um governo apoiado nas muletas de Jerónimo e Catarina.

Conversaremos em breve sobre isso. Lembram-se dos governos provisórios, com Barreirinhas Cunhal? Lembram-se dos dias de trabalho para a Nação? Lembram-se dos bailes organizados pela Intersindical no Barreiro, com a participação da polícia e da guarda republicana? É o que vem aí outra vez!...

25.11.2015

Arnaldo Matos






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