EDITORIAL

À Procura de Muletas para o PS
Publicado em 18.08.2015 

O homem, de facto, não acerta uma para a caixa.

De cada vez que, com aquela sua equipa de assessores políticos bem estipendiados, o homem programa a produção de um evento político de vasta repercussão mediática, porventura susceptível de devolver-lhe o poder que nunca conseguiu arrancar totalmente a Seguro ou o apoio eleitoral que jamais ultrapassou a barreira dos 30%, logo um outro evento político inopinado estoura dentro do seu próprio partido e liquida a pretendida mediatização do primeiro evento, criando na opinião pública aquela estranha sensação de que, no Partido Socialista, não há rei nem roque e, certo certo, é que ninguém nele efectivamente manda.

Já tinha sucedido assim com a Convenção de 6 de Junho, destinada a aprovar, por pequeno-burgueses sedentos de tacho e esfomeados de orçamento, o sempre prometido, mas sucessivamente adiado por mais de um ano, programa eleitoral do PS… para uma década, gente!

Pois ainda não se tinham escoado quarenta e oito horas sobre o encerramento da Convenção e já Sócrates, a sombra negra de Costa, recusando deixar-se anilhar pela tornozeleira electrónica e reduzindo a subnitrato as pretensões políticas reacionárias do agente do ministério público e do juiz de instrução encarregados do processo, marcava, de maneira totalmente inovadora, a agenda política nacional do PS, varrendo do cérebro dos militantes e companheiros de jornada o programa político eleitoral do Partido Socialista.

E como um azar nunca vem sozinho ao mundo da incompetência, António Costa, o brasileiro Edson Athaide e o transmontano ultramontano Ascenso Simões fabricaram aqueles provocadores cartazes dos desempregados empregados, com gáudio de poucos e a tristeza de muitos.

Em quem é que os eleitores poderão confiar no actual e desorientado PS?

A coisa tornou-se verdadeiramente cómica no dia de ontem, 17 de Agosto. António Costa, três dias depois do nosso Partido – vejam lá! –, dirigiu-se ao tribunal cível da Comarca de Lisboa, no Palácio da Justiça, para entregar a lista eleitoral do PS pelo círculo da capital.

Pois também este evento, organizado e solene, de propaganda mediática do PS ficou inapelavelmente ensombrado pelas declarações da candidata legislativa Maria de Belém Roseira, que aproveitou muito bem o dia do evento para proclamar, urbi et orbi, que é também candidata à presidência da república, nas próximas eleições de Março de 2016.

Os jornalistas presentes quiseram saber se António Costa apoiaria Belém Roseira, mas ele, secretário-geral do PS, que anda há dois anos a acolitar a candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa, explicou, com aquela cara de bufarinheiro capaz de enganar meio mundo, que seria cedo para se pronunciar sobre o candidato do PS a Belém.

Cedo? Mas há mais de um ano que Costa não tem feito outra coisa que não seja apoiar a candidatura de Nóvoa!...

Quem pode confiar num sacrista destes?!

Com o evento político da apresentação pública da lista de Lisboa estragado por Belém Roseira, Costa ainda encontrou, à entrada do Palácio da Justiça, quatro pés-de-microfone das quatro televisões do reino, para mandar dois breves recados aos telespectadores lusíadas:

é preciso virar a página da austeridade”;

o PS não se aliará à direita, mas a esquerda tem que ajudar o PS”;

Pois este palhaço oportunista, que nem na casa dele consegue mandar, julga poder exigir a transformação dos partidos políticos da esquerda em muletas do PS, como já transformou o Partido Livre/Tempo de Avançar, do seminarista Rui Tavares, verdadeiro cão--de-fila de Costa, mendicante de um osso à mesa do próximo orçamento, e que já toda a imprensa e a maior parte dos vermes da caneta vão levando ao colo para São Bento, eles também à espera dos restos do osso.

Sim, é preciso virar a página da austeridade, mas o povo trabalhador português jamais o conseguirá sob a égide de um partido oportunista, como é o PS da direcção do reaccionário António Costa.

Virar a página da austeridade, imposta pela dívida externa, pela tróica dos credores, pelo euro e pela europa alemã, implica a unidade de todas as forças políticas portuguesas democráticas e patrióticas, para repúdio da dívida, saída da zona euro e instituição da moeda portuguesa própria, o escudo novo, no caso.

Ora, Costa e o seu programa político eleitoral propõem precisamente o inverso: propõem “um novo impulso para a convergência com a Europa” e “garantir condições equitativas no contexto da União Económica e Monetária”.

Todos os anos, desde 2011 e por muitos anos futuros, seis mil milhões de euros são roubados dos salários, pensões, reformas e contribuições extraordinárias de impostos aos trabalhadores portugueses e entregues directamente aos capitalistas, credores e exploradores nacionais e estrangeiros. É o maior roubo directo praticado pela classe dos exploradores capitalistas sobre a classe dos trabalhadores explorados.

O programa de Costa e do PS não diz como irá pagar a dívida e cumprir o tratado orçamental, como também nada diz quanto à maneira como os trabalhadores irão resgatar esses seis mil milhões de euros anuais.

Costa e o PS, com o programa eleitoral apresentado, têm unicamente em vista o saque de Portugal e dos Portugueses, continuando a venda do país aos capitalistas estrangeiros, nomeadamente aos alemães.

De nada vale a Costa prometer que não fará acordos com a direita, porque o PS, no poder, tem sempre aplicado a política que tem sido aplicada pela direita.

PS e PSD/CDS são a mesma política e a mesma canalha. A esquerda não tem que deixar-se arrastar pelos cânticos de sereia de Costa e dos seus trânsfugas.

PS e PSD/CDS fizeram de São Bento uma casa de alterne, para explorar e oprimir Portugal. Desta vez, nestas eleições, os portugueses não se vão deixar enganar por Costa, como se deixaram enganar por Sócrates e por Coelho e Portas, pelo PS e pelo PSD e CDS, nos últimos quarenta anos.

  


Arnaldo Matos

 

 

 

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