Intervenção do camarada José Vicente
Faria Arnaldo Matos em dois dias, 87 anos. Nasceu a 24 de Fevereiro de 1939 quando eclodiu a segunda guerra mundial, o incontestável líder histórico, porta-voz, e face do partido.
Fazem hoje 7 anos do seu desaparecimento físico — um desaparecimento que deixou um vazio profundo no nosso Partido e no nosso movimento, vazio esse que ainda não foi preenchido.
Quando tinha 10 anos, apanhava o autocarro para a escola. Durante algum tempo, passava todos os dias pela antiga sede nacional, na Avenida do Brasil. Tornou-se rotina.
Ansiava os milésimos de segundos em que, pelas janelas escuras do autocarro podia apanhar um olhar melhor dos cartazes coloridos de amarelo vermelho que me fascinavam.
E claro, do outro lado da rua aquele imponente mural que hasteava as palavras “FMI fora de Portugal! não pagamos!”.
Na altura não percebia nada disto, sabia apenas que tinha alguma coisa a ver com as manifestações às quais o meu pai me levava. Mas alguma coisa me cativou profundamente
Passado uns tempos deixei de lá passar, mas isto foi algo que me ficou gravado na memória.
Quando reencontrei o partido (não graças à comunicação social)
Esta memória não foi a primeira coisa que me veio à cabeça.
Quando aprofundei a pesquisa, entre todos os artigos e todas as notícias, destacou-se incontestavelmente uma figura de peso incomparável. Arnaldo Matias de Matos.
Feliz ou infelizmente célebre educador e dirigente do proletariado português — título que ele rejeitou até ao último dia — mas que não se atribui a qualquer um.
As suas qualidade do conhecimento do marxismo-leninismo, e do maoismo, bem como a sua eloquência e capacidade de retórica, tornaram-no numa figura incontornável da história portuguesa (embora tentem de tudo para contrariar este facto).
Quando penso em Arnaldo Matos, penso no estudante que, acabado de chegar de Macau, organizou e dinamizou o combate académico contra a repressão.
Que criou a EDE, enfrentando a influência desmobilizadora do P"C"P nas universidades e opondo-lhe uma linha completamente distinta.
Quando penso em Arnaldo Matos, penso no homem que, com mais três camaradas, fundou numa casa da Estrada do Poço do Chão, em Benfica, o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado — que mais tarde daria origem ao Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses.
Quando penso em Arnaldo Matos penso no porta-voz do PCTP/MRPP que durante décadas deu a sua cara pelo partido e juntamente com ele, a causa da revolução e do comunismo.
Um Homem que se bateu violentamente pela emancipação dos trabalhadores, que esteve às portas da morte por apontar aos operários portugueses uma via que ameaça de verdade os capitalistas e o seu estado lacaio e repressor.
E penso no homem que nos seus 70 e poucos anos, fez da sua vida, missão o resgate do partido: Contra oportunistas e liquidacionistas que se haviam apoderado da sua estrutura.
Fez dos seus últimos anos missão de a reerguer, batendo-se contra todos, atacado de todos os lados, dos seus falsos amigos, da comunicação social, que vendo uma oportunidade perfeita criou uma campanha de mentiras para sujar não só o nome do camarada, mas como da sigla PCTP/MRPP.
Até ao final da sua vida defendeu ele esta sigla
E não esteve sozinho.
Saúdo aqui os camaradas que permaneceram firmes nessa luta difícil.
E recordo, com especial reconhecimento, o camarada Seixas — muralista e gráfico, figura central do Partido, responsável por obras que marcaram a nossa identidade visual e política.
Honra aos camaradas tombados na luta pela reedificação do Partido.
Honra ao camarada Arnaldo Matos.
Viva o Partido!
