"O tempo presente exige reorganização e exige reflexão profunda"
Camaradas, companheiros e companheiras, militantes e simpatizantes do partido
Reunimo-nos hoje para celebrar os 55 anos de fundação do MRPP, herdeiro de uma longa tradição de luta do proletariado português contra o fascismo, contra o capitalismo e contra o imperialismo.
Quando, em 1970, um punhado de militantes revolucionários ousou erguer a bandeira vermelha do marxismo-leninismo-maoísmo no nosso país, Portugal vivia sob a ditadura fascista de Salazar e Caetano, sustentada pelo grande capital e pelo imperialismo sangrento nas colónias. Nesse contexto, o MRPP nasceu como voz da classe operária e da juventude estudantil, denunciando, sem hesitações, as ilusões reformistas do revisionismo e dos desvios oportunistas, então presentes no movimento operário e popular português, foi o MRPP que apontou o caminho da revolução popular e que nunca deixou de proclamar que “a libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”.
Hoje, meio século depois, celebramos também a força renovada da juventude. São alguns os jovens que se têm aproximado das fileiras do Partido, o seu entusiasmo e empenho valem por muitos.
É a juventude que traz a ousadia, a energia e a confiança necessárias para enfrentar um sistema que lhes tenta impor o desespero e a resignação. É na juventude que se encontra a chama do futuro comunista, disposto a aprender com o passado, a questionar tudo e a não aceitar meias soluções.
Cada jovem que adere ao Partido representa não apenas uma voz, mas uma promessa de que a luta não se extingue, renova-se.
O MRPP, como partido revolucionário do proletariado, não teme a autocrítica. O tempo presente exige reorganização e exige reflexão profunda.
Devemos aprender com as experiências do socialismo no mundo, com as suas vitórias, mas também com os seus erros e derrotas. Devemos colocar tudo em causa, não para renegar a herança revolucionária, mas para a consolidar de forma mais firme e mais científica.
Consolidar o marxismo à luz das teses da Urgeiriça significa voltar às raízes proletárias do Partido, reencontrar a sua missão central: ser a vanguarda da classe operária, enraizada nas fábricas, nos campos, nas escolas e universidades, nos bairros populares. Só através do estudo, triunfaremos. "Sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária"
Celebrar os 55 anos do MRPP não é apenas recordar o passado. É projectar o futuro da luta dos povos. O internacionalismo sempre foi a alma da revolução proletária.
Hoje, quando o povo palestino enfrenta o genocídio, a nossa solidariedade é incondicional com a sua resistência armada e popular. A luta palestina é parte inseparável da luta dos povos do mundo contra o imperialismo. A sua vitória será a vitória de todos os trabalhadores e oprimidos. Como era o lema antigo do partido, "Proletários de todos os países, povos e nações oprimidas, uni-vos"
Da mesma forma, erguemos a nossa voz em apoio à resistência dos povos africanos que enfrentam o neocolonialismo europeu, aqueles que sofrem com a guerra inter-imperialista na Ucrânia e a todos aqueles que, com armas nas mãos ou com greves e barricadas, combatem o capitalismo global.
Mas camaradas, não esqueçamos: também aqui, em Portugal, a classe operária continua sob o jugo da exploração. O capitalismo português, submisso ao capital europeu e à União Europeia, com uma dívida que todos os anos se multiplica, condena milhares ao desemprego, trabalhadores que não conseguem pagar a renda! Jovens que são obrigados a emigrar! Famílias que trabalham o mês inteiro e não conseguem ter uma vida digna aos seus filhos! Enquanto uma minoria de banqueiros e grandes empresários acumula fortunas obscenas. O tempo já lá vai, mas o PCTP/MRPP não abandonou as palavras "UE fora de Portugal! Não pagamos!” e tantas outras...
As mesmas forças que ontem serviam o fascismo, hoje governam sob máscara democrática. “Ontem serviam Salazar, hoje servem Bruxelas! Ontem entregavam o povo às colónias, hoje entregam Portugal à União Europeia e à NATO!” Mudam as cores dos partidos, mas não muda a essência do regime: um Estado ao serviço do capital e da NATO como dizia Marx "O Governo do Estado moderno não é se não um comité para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa"
Cabe-nos a nós, comunistas, erguer novamente a bandeira vermelha da revolução e da emancipação dos trabalhadores. Organizar a classe. Construir os instrumentos da revolução. Reatar o fio vermelho que liga as lutas de ontem às de hoje.
Camaradas, 55 anos depois, o MRPP vive na memória das suas batalhas, mas vive sobretudo na actualidade das suas ideias. Porque enquanto houver terror, haverá luta; enquanto houver imperialismo, haverá resistência. E enquanto houver exploração, haverá revolução!
Que a nossa celebração não seja apenas de recordação, mas de compromisso renovado:
Compromisso com o marxismo, a ciência da libertação dos povos.
Compromisso com a revolução em Portugal, bem como no mundo, contra o capital e contra a submissão ao imperialismo.
Compromisso com o internacionalismo proletário, lado a lado com a Palestina, com todos os povos que lutam pela sua autodeterminação.
Compromisso com a juventude, que trará nova vida ao Partido.
Compromisso com a reorganização e o estudo sério do marxismo, à luz das teses da Urgeiriça.
E sem esquecer, claro, o nosso compromisso em honrar o legado histórico, deixado pelo nosso querido camarada Arnaldo Matos, que deu a sua vida pelo partido, bem como os camaradas caídos em combate, Ribeiro Santos, e Alexandrino de Sousa.
Longa vida aos mártires da revolução!
Viva a luta do povo Palestiniano contra o sionismo genocida!
Viva o comunismo!
Viva o PCTP/MRPP
Intervenção do camarada José Vicente no debate realizado dia 20 de Setembro de 2025 em celebração do 18 de Setembro de 1970. Título da responsabilidade da redacção
