Os despedimentos colectivos continuam,
mas o desemprego desce!?
I
O sector têxtil conjuntamente com o sector do calçado, sediados maioritariamente no centro e norte do país, constituíam dois pilares da economia portuguesa, reconhecidos pela qualidade dos produtos lançados no mercado tanto interna como externamente.
O grande golpe foi desferido aquando da entrada na União Europeia, prolongando-se até aos dias de hoje, consequência da globalização dos mercados e da deslocalização da produção para os locais onde a mão de obra é mais barata, permitindo, naturalmente, a acumulação de capital das multinacionais.
Nesta fase do capitalismo monopolista, assistimos, por um lado, ao encerramento de pequenas e médias empresas, como aconteceu no dia 6 de Agosto com a Pontual, situada em Avintes – Vila Nova de Gaia -, encerrada, como é habitual, inesperadamente, depois das férias, sem que os cerca de 70 trabalhadores se apercebessem, ficando por pagar o mês de Julho e o subsídio de férias.
O drama das insolvências deste tipo de empresas agrava-se pelo facto de os despedimentos recaírem sobre agregados familiares, já que estas empresas, implantadas na zona há muitos anos (no caso 78 anos) apresentam-se praticamente como a única alternativa onde os trabalhadores podem vender a sua força de trabalho. Embora de uma dimensão diferente, veja-se o que aconteceu, no ano passado, com a Gabor, multinacional alemã, sediada em Silveiros, Barcelos e que foi notícia no Luta Popular.
A gerência da Pontual, depois de ter recebido 37 mil euros ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), argumenta que a falta de produção impede a resposta às encomendas que têm! Ou seja, há encomendas, a gerência recebeu dinheiro, supostamente para revitalizar a empresa, investindo em tecnologia que permitisse aumentar a produtividade, mas que muito provavelmente ficou na gaveta ou nos bolsos dos patrões. Uma coisa é certa, se houvesse uma comissão de trabalhadores a fiscalizar com rigor a aplicação de um plano para recuperação da empresa, não se teria chegado a esta situação. É imperioso que os trabalhadores se organizem e constituam comissões de trabalhadores que os defendam, deixando de ficar nas mãos de sindicatos colaboracionistas
Mas, perguntamos, não foram criadas comissões e mais comissões para fazerem o acompanhamento da aplicação das verbas do PRR? E que resposta tem o governo, nomeadamente o ministro da economia, Castro Almeida, que deu uma conferência de imprensa para anunciar que o PRR foi cumprido a 100%?
É fartar vilanagem!
II
Ainda neste sector, no mesmo dia, 6 de Agosto, assistimos ao encerramento, da Bigfoot, Indústria de Calçado Unipessoal Lda., sediada no Vale do Ave, mais concretamente, em Vila de Ponte, Guimarães, alegando a administração dificuldades financeiras e falta de encomendas, lançando no desemprego cerca de 50 trabalhadores nas mesmas condições que a Pontual: não pagamento do mês de Julho e do subsídio de férias. O tribunal declarou a insolvência e confirmou o despedimento colectivo. E agora, estes trabalhadores tal como os da Pontual serão encaminhados para o IEFP, ocultando, assim, durante, algum tempo a situação de desempregados. E é recorrendo a este e outros mecanismos idênticos que o governo afirma que o desemprego é residual.
Já agora, neste sector e de acordo com os dados da própria burguesia, no primeiro semestre deste ano, as exportações portuguesas no sector do calçado, caíram 2,1%, para 813 milhões.
Abaixo o modo de produção capitalista!
Só os trabalhadores podem vencer a crise!
CG