Portugal, uma Porta Aberta para a Escravatura e para as Máfias?
O início desta semana foi marcado por mais uma notícia repugnante e revoltante que desnuda o verdadeiro trabalho e função dos imigrantes em Portugal. E toda a comunicação social gritou em uníssono: Há trabalho escravo em Portugal! Mas isso não é novidade! Já o sabíamos, embora sempre que tais situações vêm a lume, se instale, no imediato, a perplexidade, para depois, aos poucos e pouco se cair no esquecimento, até novo caso... O modus operandi das máfias e das chamadas autoridades que supostamente deveriam proteger os mais fracos dos abusos é sempre o mesmo.
O desenvolvimento do capitalismo agrário nos campos do Alentejo, com a criação de empresas agrícolas (nacionais, mas sobretudo internacionais), a vulgarização do regadio e a generalização da agricultura intensiva em especial em estufas, exigiu um número cada vez maior de mão de obra assalariada, cujo suor e sangue proporciona aos capitalistas a abençoada mais-valia, que também vai alimentar toda a corja de corruptos e traficantes de pessoas necessárias à implementação deste tipo de escravatura selvagem.
A busca de maior produtividade e lucro através da exploração mais dura, desenfreada e desumana, levou à utilização dos mais variados meios, os quais, por natureza, só podem ser violentos.
Depois da denúncia da exploração desumana de imigrantes em Cuba e Ferreira do Alentejo (2023), em Odemira (2024), desoculta-se agora, tanto quanto é possível, mais uma situação na freguesia de Cabeça Gorda, Beja, envolvendo cerca de 500 (?) imigrantes ilegais e que já durava há pelo menos dois anos, e a que todos os responsáveis fechavam os olhos, incluindo a ACT – autoridade para as condições do trabalho, que tem como função verificar as condições em que trabalham estes operários agrícolas. É a normalização desta situação.
A impunidade é tal e o negócio proporciona lucros tais que nesta rede estavam envolvidos, sem qualquer pudor ou vergonha, mostrando, assim, a sua verdadeira natureza, dez militares da GNR, um agente da PSP, a receberem subornos escandalosos e ainda um elemento do próprio ministério publico! Destes só o sargento da GNR ficou detido; os restantes foram para casa em liberdade! O usual. Afinal trata-se de imigrantes ilegais a serem explorados acima da condição de animal. Para esta gente, estes trabalhadores não são pessoas, são animais-máquinas que só têm direito a serem alimentados para trabalharem.
E agora a pergunta que se impõe – o sistema, o capitalismo quer e pode mesmo acabar com a imigração ilegal?
A resposta também já a conhecemos. Não, não quer. Precisa deles para se manter e toda a berraria que faz contra os imigrantes só tem um objectivo: rebaixar e humilhar o imigrante para melhor o poder explorar.
Se efectivamente quisesse resolver estas situações, que de clandestinas têm muito pouco, começava por acabar com as máfias de imigrantes, aplicava medidas drásticas e pesadas a todos os proprietários que retiram lucros sujos deste trabalho e aplicava as medidas apropriadas aos restantes carrascos, quais capatazes coloniais.
Morte ao capitalismo!
Viva o internacionalismo proletário!
MG
