Perante o crescente apoio que a candidatura do PCTP/MRPP tem recolhido no concelho de Almada, no seguimento do sucesso eleitoral já obtido nas últimas eleições autárquicas - que contribuiu para retirar a maioria absoluta à até agora presidente Maria Emília -, o secretário-geral do PCP viu-se obrigado a vir pessoalmente apelar para os cidadãos almadenses não votarem no PCTP/MRPP.
E fê-lo, sob a já velha patranha de que os eleitores se enganariam quando, ao colocarem o seu voto no símbolo do comunismo do PCTP, julgariam estar a votar no PCP que, como se sabe, desde sempre escondeu o seu símbolo por detrás das argolinhas da CDU.
Mas o que esta intervenção do secretário-geral vem revelar é o desespero e o pânico em que o PCP se encontra, em face da sua previsível derrota no concelho de Almada, indo ao ponto de fazer dos eleitores atrasados mentais e a apelar aos cidadãos para – imagine-se! – não votarem na foice e no martelo, tal como o fará o CDS ou o PSD.
Uma coisa é indesmentível – é que num concelho onde o PCP, sob a bandeira da CDU, obteve por duas vezes uma maioria absoluta, como é que só agora – quando desde as última eleições o PCTP/MRPP tem subido a sua influência – é que Jerónimo de Sousa atribui o crescente isolamento do seu partido a uma confusão na votação?
Mas, em lugar de confusão, o que está a suceder é precisamente uma saudável clarificação, não apenas em matéria nacional como local.