Situada na região de Auvergne, no centro de França, a cidade de Clermont- Ferrand conta com uma população de cerca de 140 mil habitantes, chegando aos cerca de 410 mil em toda a área metropolitana.
Conhecida devido à sua pujante indústria alimentar e farmacêutica e pelo facto de ser nesta cidade que foi fundada a empresa Michelin , a região e a cidade atraíram, desde sempre, muitos trabalhadores portugueses, quer na vaga de emigração dos anos 60 do século passado, quer na actualidade.
Prova de que a comunidade portuguesa foi bem recebida e se integrou muito bem na região são os seus cerca de 50 mil habitantes portugueses e luso-descendentes. Uma comunidade que tem, pois, do ponto de vista demográfico, uma reconhecida importância para o Município (a Mairie), mas, também, para o país de origem, Portugal, para onde estes trabalhadores emigrantes enviam com regularidade remessas de dinheiro, para além de pagarem taxas e emolumentos vários pela diversificada procura de apoio que solicitam ao consulado que o país mantém naquela cidade.
Foi, pois, com um misto de surpresa, incredulidade e raiva, que os nossos compatriotas receberam a notícia, por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros - onde pontifica o traidor à pátria e caixeiro viajante da venda a retalho do nooso país, Paulo Portas -, de que o consulado de Portugal em Clermont-Ferrand iria ser encerrado. No que foram acompanhados pelo lamento de Serge Godard, actual presidente da Câmara daquela cidade francesa que considera ser um erro sem precedentes retirar àquela que considera “a cidade mais portuguesa de França” a sua representação consular.
A justificação é sempre a mesma. Razões economicistas, que se prendem com a relação custo/benefício levaram o MNE a ponderar este encerramento e a atirar os compatriotas portugueses e seus descendentes para os consulados de outras cidades bastante distantes de Clermont-Ferrand ( está por se saber se Bordéus, Toulouse, Lyon…ou outra!).
As associações de emigrantes portugueses em França, e particularmente em toda a região centro, bem como as que possam existir na zona de Clermont-Ferrand, devem protestar vivamente contra esta situação e organizarem-se para, se não houver por parte do governo de traição Cavaco/Coelho/Portas, uma resposta adequada às suas pretensões de verem reposta a manutenção do consulado naquela importante cidade francesa, à semelhança do que outros compatriotas seus, a residir noutros países europeus já fizeram, proceder ao corte das remessas de dinheiro para Portugal.
É preciso, também, que os trabalhadores emigrantes na região de Clermont-Ferrand saibam que contam com a solidariedade e o apoio do povo português, quer em Portugal, quer dos emigrantes portugueses que se encontram noutros países. E, a avaliar pela importância demográfica da sua presença nessa região, estamos certos de que contarão, também, com a solidariedade dos trabalhadores e do povo francês.