PAÍS

Os Números Publicados pela Burguesia Obedecem a Agenda, mas Não Alteram o que É Necessário Fazer

A 22 de Junho deste ano, o INE (Instituto Nacional de Estatística) fez público o número de população estrangeira residente em Portugal a 2025, o qual número é de 1597 538, quase 1,6 milhões. Bem, o número que se tinha em 2024 face ao mesmo grupo era de 177 557. A pergunta óbvia fica: como é que este número explodiu no que parece ser um só ano. A resposta é muito simples, mudou-se a forma como se calcula a população em Portugal.

Anteriormente estes eram somente contados na realização dos censos ou em inquéritos por amostragem, agora o método é mais objectivo. Passa por incluir dados da AIMA, como processos de regularização, autorizações de residência da CPLP e renovações.

Vários problemas vêm com isto, como a necessidade de vários indicadores económicos terem de se contar novamente, como avaliações do mercado de trabalho, rácios de saúde, educação etc. Porém o PIB per capita ganha destaque, pois já era um dado divulgado.

E no que toca ao PIB per capita, Portugal desce de 18 lugar para 22 lugar entre os países da UE (do pelotão da frente, que esforçadamente a burguesia afirmava estarmos sem de facto estarmos, para os evidentemente atrasados da corrida). Esta descida é impossível de ignorar, não só porque a descida é objectivamente grande, mas porque evidencia:

  1. Que o país não está a crescer assim tanto como o charlatão do Montenegro afirmou
  2. Que o nosso pequeno crescimento só existe porque temos um maior influxo de mão de obra, não porque Portugal ganhou uma melhor marioneta do Capital do que a que tinha anteriormente.

Não é preciso ser eu a evidenciar a gravidade da situação, Castro Almeida já afirmou o mesmo, até mesmo anunciando a reprogramação do Portugal 2030 com objectivos mais convergentes a esta realidade evidenciada.

A situação vergonhosa em que estamos até nos torna elegíveis a mais fundos da UE, mais especificamente a fundos de coesão, pois Portugal consolidou-se como uma região menos desenvolvida da UE. Embora ainda não se possa pedir estes fundos, não duvido que qualquer que seja o lacaio sentado na cadeira de Primeiro-Ministro os peça. Já estamos subservientes ao capital europeu, qual é o problema de sufocar mais uma colónia com síndrome de Estocolmo. Nós, comunistas em Portugal, temos de lutar contra esta patologia que assombra a mente das massas. Lutar por uma indústria nacional e rejeitar o capital usado somente para estrangular a independência nacional e perpetuar Portugal como um país de serviços.

Como evidenciei, não é uma troca de regência que irá mudar o rumo de Portugal e estas mentiras de crescimento económico. Qualquer troca de cara que ainda siga as regras da burguesia e seus colaboradores será somente isso, uma troca de caras. A resposta para quebrar este ciclo vicioso? Para esta pergunta só há uma resposta, estudar a ciência da classe operária, o marxismo-leninismo e o anti-revisionismo. Entender o projecto de Marx e seus sucessores faz parte da luta contra a burguesia e constitui uma condição para o êxito na luta pela instauração do modo de produção comunista.

JE

pctpmrpp