Uma delegação de representantes de doze sindicatos da TAP reuniram ontem com a Comissão Parlamentar da Economia e Obras Públicas a quem foram transmitir a sua posição de defesa da TAP como empresa pública e contra toda e qualquer tentativa de a privatizar.
À saída da reunião, alguns membros daquela delegação dirigiram-se aos trabalhadores, dirigentes sindicais e outros cidadãos que se haviam concentrado ao fundo da escadaria de São Bento para manifestar a sua oposição à privatização.
Na ocasião, encontravam-se também presentes os camaradas Luís Franco, Garcia Pereira e redactores do Luta Popular Online – órgãos de comunicação social nem um único, em contraste com o forte aparato policial ali instalado, certamente para proteger o chefe da quadrilha de gatunos Espírito Santo que começara a usufruir, no mesmo parlamento, de toda a espécie de cobertura para as suas patifarias.
O Presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Vôo da Aviação Civil (SNPVAC), Rui Carvalho, apresentando o balanço da reunião, começou por referir: Todos os que estivemos lá, os doze sindicatos, chegámos à conclusão de que a argumentação (em favor da privatização) é zero. As razões, não são nenhumas. A argumentação para a privatização é só ideológica. Falaram em gestão, mas quem é o dono da TAP, não é o Estado? Então , quando eles vão para o privado já são bons gestores e no público são maus?
Só unidos é que conseguimos fazer alguma coisa. Esperamos que estejamos todos unidos e que saibamos dar a resposta.
No seguimento desta intervenção, o ex-presidente do SNPVAC José Brás (de 1989 a 1997) acrescentou com grande firmeza: Esta unidade é fundamental. Não é apenas pela TAP, mas é fundamental porque é o país que está em causa, é a bandeira, é a economia, é a soberania, e os trabalhadores têm de ter consciência disso.
Garcia Pereira apressou-se então a salientar: não são só os trabalhadores, são todos os cidadãos. Nós somos o único país que tem 50% da sua população na emigração, que é um argumento que deve ser utilizado contra estes indivíduos que vêm sempre invocar o direito comunitário da concorrência, mas a verdade é que somos um caso à parte. Somos o único país da União Europeia que tem 5 milhões de pessoas lá fora, temos duas regiões autónomas para quem o transporte aéreo é absolutamente vital e temos uma localização geoestratégica absolutamente essencial para a qual uma companhia aérea de bandeira é absolutamente essencial. Só para traidores à pátria é que isto não é perfeitamente percebível . Se estes indivíduos dão cabo da TAP, qualquer governo que venha está privado de um instrumento estratégico absolutamente vital.
Finalmente, o porta-voz da delegação de sindicatos que se avistaram com a já referida comissão parlamentar de economia e obras públicas, acabou por declarar: Há muita coisa em risco e, como diz o Dr. Garcia Pereira, não é só a TAP. A TAP é praticamente o último bastião.
O camarada Garcia Pereira teve ainda oportunidade de salientar – no que foi apoiado – a necessidade de alargar a frente de luta contra a privatização, para além dos sindicatos, a todas as forças e cidadãos democráticos e patrióticos.
E isto porque se trata de uma batalha que é indispensável vencer, a bem dos trabalhadores para que não sejam despedidos a curto prazo e a bem do país e da sua soberania, para salvaguardar a independência e a unidade nacional.

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