Discursando sábado à noite em Albufeira, no Algarve, no encerramento do torneio de golfe Taça Portugal Solidário, Cavaco, em resposta a um apelo dos operadores de golfe para uma redução dos impostos nessa área do turismo de ricos, respondeu mais ou menos assim (ficando nós à espera que, daqui por dois meses, como sucedeu no caso das suas declarações sobre a solidez do Banco Espirito Santo, o homem resolva publicar integralmente o texto das suas palavras no portal de Belém):
| “Bem vêem, a elevada fiscalidade é um mal nacional, não é um mal de um sector específico. Seria errado se olhássemos isoladamente (…) porque, se o fizéssemos sem uma visão global de todo o sistema, isso conduziria a um aumento das injustiças fiscais e à criação de ineficiências.” |
Falava o bufarinheiro de Boliqueime para os patrões do golfe algarvio, como se efectivamente já se não lembrasse que eles e toda a choldra dos patrões do País haviam sido comtemplados, em 2013, com um desconto de 2% sobre a taxa do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC), o que lhes irá meter nos bolsos, tirando-o da boca dos trabalhadores e reformados, a quantia de dois mil milhões de euros nos anos de 2014 e 2015, anos em que a taxa daquele imposto descerá de 25% para 23%.
Nos termos da proposta então apresentada pela comissão da reforma do IRC, liderada por António Lobo Xavier e aprovada pelo PSD, CDS e PS (sim, o partido de Seguro também aprovou…), a taxa do IRC fixar-se-ia entre 17% e 19% já no ano de 2016…
Ah, sim, a elevada fiscalidade é um mal nacional, mas só para os trabalhadores e reformados, porque, para o sector dos patrões, há um desconto escandaloso de 8% (25% a 17%) em três anos (2014 a 2016) sobre os lucros rapinantes do capital.
Desconto que representa uma flagrante e odiosa injustiça fiscal: de oito mil milhões de euros para reforço nos lucros dos capitalistas.
Ora, foi Cavaco quem promulgou este roubo aos operários e reformados para encher os bolsos dos patrões.
Cavaco tornou-se num aldrabão que já não sabe o que diz nem o que faz. Nos últimos três anos, não tem feito outra coisa que não seja promulgar orçamentos que agravam os impostos do sector do trabalho, e que aliviam os impostos do sector do capital.
Por favor, internem-me já esse gajo!
Espártaco