Tal como o Luta Popular noticiou, os sindicatos que actualmente representam os trabalhadores da Controlinveste convocaram uma greve de 24 horas para ontem, dia 11 de Julho, em todos os órgãos de imprensa daquele grupo, com o objectivo de impedir o despedimento colectivo de 140 daqueles trabalhadores.
Importa precisar que, desses 140 trabalhadores, a maioria não são jornalistas, muito embora desempenhem as suas funções nas redacções dos jornais e da rádio aqui envolvidos.
De acordo com dados fornecidos pelo Sindicato dos Jornalistas, em parte constatados pelo jornalista do Luta Popular que acompanhou a greve na TSF e Diário de Notícias em Lisboa, a adesão dos jornalistas foi total na revista Notícias Magazine e no 2º turno da redacção-sede da TSF (com uma média de 78% nos quatro turnos), não tendo no caso paralisado totalmente o serviço de noticiários (os das horas) por responsabilidade de um ou outro fura-greves na redacção do Porto.
Quanto aos restantes trabalhadores não jornalistas, os respectivos sindicatos não forneceram quaisquer informações.
A adesão à greve ficou, pois, aquém do desejável, tendo em conta a resposta a dar – e que seguramente não deixará de continuar a ser dada – a uma investida desta envergadura por parte dos lacaios da administração dirigidos por Proença de Carvalho.
Não restam dúvidas aos trabalhadores deste grupo capitalista que estamos perante uma luta contra um intolerável e provocatório despedimento colectivo com evidentes objectivos de completar o saneamento das redacções destes jornais e rádio e não deixar margem para dúvidas quanto a veleidades de pluralismo na luta contra o actual governo de traição nacional.
Como em muitas fábricas e empresas, o medo, a intimidação, a discriminação, a divisão dos trabalhadores, o roubo do trabalho, o despedimento sem barreiras, são hoje usados sem peias pelos capitalistas, escudados na legislação e na governação fascistas instituídas.
Mas é por isto mesmo que se impõe como nunca a definição de objectivos políticos claros e métodos de direcção, mobilização e organização das lutas mais firmes do que nunca e sempre tendo em vista canalizá-las para uma greve geral nacional de 48 horas pelo derrubamento do governo de traição nacional.
A convocatória, organização e realização desta greve foi da responsabilidade do Sindicato dos Jornalistas (SJ), do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (SITE CSRA) e do Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações (STT)
Sucede que, pelo menos no Diário de Notícias e na TSF de Lisboa, não havia um único piquete de greve, tendo sido aliás o jornalista do Luta Popular quem acabou por assumir ocasionalmente esse papel no Diário de Notícias, no início da greve.
Sendo a maioria dos trabalhadores atingidos pelo despedimento colectivo não jornalistas, é inadmissível que não tenha sequer surgido uma comissão de greve com a participação de todos os sindicatos – tanto mais que não existem comissões de trabalhadores - que organizasse ferreamente esta greve e que reunisse condições para a realizar com êxito, apoiando e persuadindo os temerosos de represálias e perseguições e denunciando depois os lacaios fura-greves assumidos.
Por outro lado, não há maior oportunismo do que, a propósito do balanço de uma greve, se medir o respectivo êxito, não pelo nível de adesão que ela registou, mas pelo sentimento de indignação e protesto dos que não fizeram a greve!!!
Tirando os ensinamentos desta luta, unindo todos os que trabalham nos órgãos de comunicação detidos pela Controlinveste, obtendo uma solidariedade efectiva dos restantes trabalhadores deste sector e impondo uma direcção e organização correctas, os trabalhadores da Controlinveste vencerão!
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