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Notícias da evocação do camarada Arnaldo Matos

Nos passados dias 21 e 22 deste mês, no Porto, na Gafanha da Nazaré, em Lisboa e um pouco por todo o país, os militantes e simpatizantes do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP) evocaram  camarada Arnaldo Matos pelo estudo e pela discussão de documentos que o camarada nos deixou, especialmente o importantíssimo discurso e sequente debate no 1.º de Maio Vermelho de 2018.

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Presencialmente ou por vídeo-conferência, em reuniões alargadas ou isoladamente, os camaradas pegaram em aspectos da obra do camarada, particularmente aqueles que consideraram mais pertinentes para a acção de cada organismo, que estudaram e, quando colectivamente discutiram, com o ânimo próprio de quem luta pela instauração do modo de produção comunista.

A  principal alocução proferida no Porto, nesse propósito a 21 de Fevereiro e em nome do Comité Distrital do Porto, transcrevemo-la aqui, na íntegra:

No próximo dia 22 de Fevereiro passam 2 anos do desaparecimento físico do camarada Arnaldo Matos.

Desaparecimento é uma palavra ingrata, pois o camarada vive, através do seu legado, e estará sempre na vanguarda daquilo que é a aprendizagem e a luta por uma sociedade sem classes, uma sociedade comunista. Aliás, o camarada lutou, durante toda a sua vida, por isso mesmo, estudando, analisando e compreendendo o que deveríamos fazer para alcançar um mundo desprovido de injustiças. E ajudou-nos, sendo os seus escritos uma fonte de estudo fundamental do marxismo, a combater, gladiar e nunca desistir, na luta pela instauração do modo de produção comunista e, assim, libertar a humanidade. 

Foram dois anos muito duros, sem a sua capacidade organizacional, sem a sua direcção clarividente e espírito crítico, sempre a favor do movimento e desenvolvimento colectivo e individual. Neste combate, alguns desertaram, ou desapareceram, outros existem, mas são espectros. Porém, reflexo daquilo que são os verdadeiros comunistas, os que se guiam pelo estudo como concepção materialista, parte de nós manteve-se, e, com determinação, colocou mãos à obra e avançou naquilo que se pode chamar a refundação do Partido do proletariado, o único partido comunista em Portugal.

Nesta luta de camaradas consolidamos muitos aspectos, esses sim importantes de enaltecer no que respeita à linha política e ideológica de um partido comunista.

Evocar o camarada Arnaldo Matos é isso mesmo: é o trabalho continuado que tem vindo a ser realizado e que se concretiza de forma imanente nas adesões ao Partido que têm surgido, fruto também da inevitabilidade histórica que a morte do capitalismo impõe.

Assim, faremos hoje e sempre a homenagem merecida, reunindo militantes e simpatizantes, apelando à leitura do Luta Popular online e das obras de Marx, evocando a unidade e a organização, evocando o camarada Arnaldo Matos.

Evocar o camarada é também resgatar os ensinamentos que dele recebemos, como aqui faz o camarada Benjamim:

Da minha parte, devo muito ao camarada. Logo nos primeiros contactos que estabeleci com o camarada, este ofereceu-me um exemplar d’O Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, obra que dizia ser de leitura fundamental para compreender o comunismo.

Nos nossos primeiros encontros, tivemos muitas discussões, todas elas com um carácter enriquecedor e elucidativo; fosse qual o fosse o assunto, todas as reuniões eram de um conteúdo ímpar, e a interacção estabelecida tinha sempre a finalidade de melhorar a condição humana; a análise inabalável e apreciação determinada e única do camarada eram de uma bravura e firmeza contagiante — uma referência para mim, a nível político, social e pessoal. Muitas saudades.

No Porto, o trabalho continua em constante evolução e volição, através de acções de propaganda, colagens de cartazes e divulgação do marxismo, culminando na publicação de artigos para o jornal do Partido.

Apelamos a todos os militantes e simpatizantes todo o apoio possível nos mais diversos quadrantes no sentido de continuarmos na direcção certa, rumo a uma sociedade sem classes.

E hoje a nossa evocação passa pelo estudo.

O camarada Arnaldo Matos, na publicação a que demos o título “A nossa Estratégia é o Marxismo” refere-se à importância de "O Manifesto do Partido Comunista" de Karl Marx e Friedrich Engels, dando o mote para o estudo e compreensão da mesma, explana e explica de forma acessível, empolgante, simples, mas sem perder o teor complexo da base filosófica que é o marxismo, aos seus leitores e camaradas, o desenvolvimento económico, científico, social e humano, tão presentes na obra de Karl Marx.

Falando das leis que levaram à evolução das diferentes sociedades, explica com exemplos práticos, mas rigorosos e de base científica como alcançar o comunismo, colocando à discussão todos os fenómenos para que se possa compreender a necessidade e inevitabilidade histórica que levarão ao desaparecimento das classes.

Tal objectivo só pode ser atingido na luta conjunta dos homens; as leis do desenvolvimento da sociedade impelem o homem a lutar por uma sociedade comunista.

Essa base material, à medida que se vai desenvolvendo o conhecimento e a elevação de consciência mobilizarão o homem a querer acabar com a fome, o desemprego, a miséria e a exploração, rumando a uma sociedade livre, sem classes: a sociedade comunista.

O camarada Arnaldo Matos explica-nos o que Marx escreve nas suas obras, salientando que a classe mais revolucionária da sociedade, o proletariado, juntamente com outras classes ou sectores intermédios também espoliados e explorados, apesar de alienados, por vezes, desencadearão esta transformação e a instauração do modo de produção comunista.

Tendo como inimigos, que a todo o custo travam a revolução, o imperialismo, a grande burguesia, a classe dominante, só a compreensão através do estudo e um partido organizado ajudarão a alavancar e entender as características sociais que levem a tal transformação.

Nas reflexões, estudos e intervenções do camarada Arnaldo Matos, temos as ferramentas teóricas para concretizar tal movimento, mas nunca nos podemos esquecer que é o movimento que cria as ideias e não as ideias que criam o movimento. Sem teoria revolucionária não há acção revolucionária, mas é momento de agirmos. Por isso, regressemos a Marx, estudemos! Para nos organizarmos no presente e darmos passos sólidos em direcção a um futuro comunista!

Mais do que nunca, e o camarada sempre evidenciou bem tais pressupostos, a unidade, a organização e o estudo são fundamentais! Façamos isso, nos nossos comités, nos nossos núcleos, com todos os militantes e simpatizantes! Em homenagem ao camarada Arnaldo Matos, pela vitória da Revolução Comunista!

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