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Contas Certas?
 

Uma das frases mais utilizadas por Costa e Centeno para classificar a boa governança do executivo que lideram – com a prestimosa ajuda e cumplicidade das muletas do PCP, BE e Verdes, às quais se juntou o PAN – é a de que o PS cumpriu a sua promessa eleitoral de levar o país a ter contas certas. 

Dizem-no de forma a escamotear que, sendo a luta de classes o motor da história, até nas contas, certas ou não, se revela o antagonismo de interesses que existe entre quem explora e quem é explorado. 

E assim é! À questão de a quem servem as contas certas de que Costa e Centeno se gabam, a pergunta é de fácil e objectiva resposta: 

  • Servem ao grande capital financeiro e bancário que pretende ver asseguradas contas certas para o pagamento de uma dívida privada que foi transformada em pública para “justificar” que se impusesse o seu pagamento a quem dela não é responsável, nem dela retirou qualquer benefício – a classe operária, os trabalhadores e o povo em geral;
  • Servem para salvar uma banca corrupta e falida, injectando milhares de milhões de euros que são desviados – através das famigeradas cativações - do Serviço Nacional de Saúde (SNS), do sector da educação, do investimento na habitação, nos transportes e nas infraestruturas
  • Servem para transformar a dívida num garrote que leva à perda da soberania orçamental, bancária, aduaneira, fiscal, política, económica e financeira e capturar a soberania nacional, transformando o país numa sub-colónia do imperialismo europeu
  • Servem para agilizar o processo de privatização dos principais activos do país – a preços da uva mijona ou, pior do que isso, injectando dinheiros dos contribuintes para assegurar a sua sobrevivência –, desde a electricidade à água, passando pela energia, aeroportos, exploração de portagens de pontes e auto-estradas, PPP’s para a saúde e outros sectores de actividade, portos, transportes, etc. 

O que seguramente as contas certas de Costa e Centeno não asseguram é: 

  • A reposição dos direitos, rendimentos e progressão na carreira de professores, médicos e enfermeiros, entre outros.
  • Nem, muito menos, os investimentos necessários a um SNS com uma oferta mais digna, eficiente e eficaz.
  • Não assegura, certamente, os investimentos imprescindíveis a transformar Portugal numa nação de progresso, seja na rodovia e na ferrovia, seja na construção de um grande aeroporto internacional em Alcochete, seja na modernização dos portos nacionais.
  • Não asseguram um investimento à agricultura, sua modernização e mecanização, nem à renovação e modernização da frota pesqueira e marinha mercante.
  • Como não assegura uma correcta política florestal que previna adequadamente a catástrofe incendiária que assola o país e impeça que o acento tónico seja colocado na acumulação capitalista dos campos que promove a expulsão dos pequenos agricultores e a agregaçã fundiária que facilita os grandes emp´rios agro-pecuários (sobretudo liderados pelos espanhóis).
  • Contas certas que não asseguram a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade, com um traçado entre Sines, Lisboa, Porto e Vigo, e uma derivação de Aveiro para Vilar Formoso, assegurando uma ligação ao resto da Europa através da chamada rota dos emigrantes (Salamanca, Burgos, Hendaya) e permitindo que Portugal se constitua como porta de entrada e saída do essncial das mercadorias de e para a Europa. 

Para haver contas certas para o grande capital, que exulta com a possibilidade do governo Costa/Centeno poder vir a ser reconduzido após as eleições de 6 de Outubro próximo – veja-se a notícia encomendada ao britânico jornal de direita Finantial Times (que já havia feito idêntico frete a Sócrates) –, nunca poderá a classe operária, os trabalhadores e o povo português esperar deste governo contas certas para as suas expectativas e exigências. 

Se é certo que os 663 pré-avisos de greve, entregues de Janeiro a Julho de 2019 – e que representam um aumento de 75% em relação a idêntico período de 2013 – são demonstrativos da elevação da consciência de quem nada mais tem do que a sua força de trabalho para vender, de que só com luta conseguirá deste governo contas certas para as suas exigências. 

Não menos certa é a necessidade de se forçar uma maior unidade na acção, sobretudo quando se lida com um governo que, afirmando-se socialista, recorre às práticas mais fascistas para limitar e bolquear as lutas dos trabalhadores, mormente esvaziando de conteúdo a Lei da Greve.

 

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