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Um Costa sagaz ou um rabo escondido com o gato de fora?!

No final da legislatura, PS e suas muletas do PCP, BE e Verdes desdobram-se em iniciativas para demonstrar que cada um deles, por sua iniciativa ou por acordo entre todos, são responsáveis pelo enorme sucesso do governo que brevemente cessará funções.

Sucesso que vai desde a retoma dos rendimentos para quem trabalha, uma Lei de Bases da Habitação que nada resolve relativamente à especulação imobiliária, um défice zero imposto à custa de cativações e ausência de financiamento nos sectores da saúde, da educação, dos transportes, das infraestruturas aeroportuárias e portuárias.

Sucesso que se revela numa Lei de Bases da Saúde que serve para mascarar o rombo orçamental que o sector sofreu para que uma dívida privada pudesse ser transformada em pública e o seu pagamento imposto a quem não a contraiu, nem dela retirou qualquer benefício, isto é, a classe operária, os trabalhadores e o povo em geral, para além de que do Serviço Nacional de Saúde continua a sair uma parcela do orçamento para financiar a actividade privada.

Não consegue, no entanto, Costa e Centeno e sus muchachos tapar mais o sol da verdade com a peneira da manipulação. Nem mesmo com o contributo dessa publicação completamente desacreditada – o Finantial Times -, uma publicação useira e vezeira em aceitar encomendas de elogios, como sucedeu agora em relação ao sagaz Mr. Costa, manipulando dados para obterem resultados que não correspondem, minimamente, à realidade que o nosso povo vivencia.

Se fosse verdade o que Costa, Centeno, Catarina, Eloísa, Jerónimo e, agora, o Finantial Times, dizem acerca da excelência deste ciclo governamental que em breve termina, porque é que os pré-avisos de greve aumentaram 75% entre Janeiro e Julho de 2019, relativamente ao mesmo período de 2013, segundo dados hoje divulgados pela Direcção Geral do Emprego e das Relações do Trabalho (DGERT)?

Será porque os trabalhadores estão satisfeitos com a excelência da governação de Costa e Centeno, sempre apoiados pelas suas muletas do PCP, BE e Verdes? A entrada de 663 pré-avisos de greve até Julho do corrente ano indicam-nos que não! Mais, ao contrário do que se passava até há bem pouco tempo, do montante de pré-avisos de greve que deram entrada na DGERT este ano, 542 ocorreram fora do sector empresarial do estado.

O que confirma que os baixos salários e a precariedade no emprego continuam a ser recorrentes, apesar de todos os anúncios feitos pelo PS, pelo PCP, pelo BE e pelos Verdes de que, neste 4 anos, o desemprego e a precariedade diminuiram e, utilizando uma expressão tão grata à arqui-oportunista Catarina Martins, no concreto, as condições de vida melhoraram para quem trabalha.

Aproximam-se as eleições que a 6 de Outubro determinarão uma nova composição na Assembleia da República. Apesar de não nutrirem qualquer ilusão acerca do papel e alcance de um órgão do poder capitalista e burguês como aquele, os comunistas entendem que, ainda assim, a classe operária e os trabalhadores em geral – aqueles que nada mais possuem que a sua força de trabalho para vender – devem orientar o seu voto na mesma perspectiva que tiveram ao recorrer aos pré-avisos de greve.

Eleger uma representação comunista para o Parlamento, votando no PCTP/MRPP, um partido que tem as mãos limpas e nunca se deixou enredar nos corredores do poder burguês e da corrupção, constituirá um acto de coragem, é certo! Mas, é também, a única forma de iniciar um novo ciclo, um ciclo de ruptura com o passado, o ciclo que prepare a classe operária e os seus aliados para o patamar histórico seguinte. O que leva à destruição do modo de produção capitalista e assegura um novo modo de produção, o modo de produção comunista, que acabe com a exploração do homem pelo homem.

28AGO19                                                                                             LJ

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